O INVISÍVEL QUE GRITA: COMPREENDENDO O TEPT NO CENÁRIO DA EDUCAÇÃO, ÂMBITO FAMILIAR E SOCIAL.

Por 29/06/2026No Comments5 min de leitura
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Quando pensamos em inclusão escolar ou social, é comum nossa mente se voltar automaticamente para diagnósticos visíveis ou transtornos de desenvolvimento amplamente discutidos. No entanto, existe uma parcela silenciosa de estudantes e indivíduos que carrega marcas profundas na mente, capazes de paralisar o aprendizado e a convivência: estamos falando do Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Dando sequência à nossa série sobre transtornos, síndromes e traumas, hoje jogamos luz sobre essa condição que, embora invisível aos olhos, grita no cotidiano de quem a vivencia.

O TEPT não é apenas uma “lembrança ruim” ou uma tristeza passageira. Trata-se de uma condição de saúde mental severa que se desenvolve após a exposição a um evento profundamente traumático — como violência, acidentes graves, perdas abruptas ou abusos. Quem convive com o transtorno passa a reviver o sofrimento por meio de flashbacks (memórias intrusivas e realistas) e pesadelos frequentes. O cérebro permanece em um estado constante de alerta, conhecido como hipervigilância, o que gera ansiedade extrema e faz com que a pessoa evite, a todo custo, lugares, conversas ou indivíduos que lembrem o trauma.

Sinais de alerta: O que a família e o educador devem observar?

Na infância e na adolescência, o TEPT nem sempre se manifesta em palavras; ele se expressa no comportamento. Pais e professores precisam estar atentos a mudanças bruscas no jeito de ser do jovem, tais como:

• Alterações de comportamento e humor: irritabilidade repentina, crises de choro sem motivo aparente ou explosões de raiva;
• Regressões no desenvolvimento: crianças menores podem voltar a chupar o dedo, urinar na cama (enurese) ou demonstrar medo excessivo de se separar dos adultos;
• Isolamento e apatia: perda de interesse por brincadeiras, amigos e atividades que antes geravam prazer;
• Dificuldades escolares: queda abrupta no rendimento, falta de concentração profunda (causada pelo estado de alerta do cérebro) e recusa em ir à escola;
• Sintomas físicos frequentes: queixas constantes de dores de cabeça ou de estômago, além de cansaço extremo devido à insônia ou pesadelos.

Como proceder no cotidiano?

Ao notar esses sinais, a postura dos adultos ao redor faz toda a diferença no processo de estabilização da criança ou do adolescente. Não se trata de tentar resolver o trauma sozinho, mas de criar uma barreira de proteção.

No dia a dia, a orientação é estabelecer rotinas previsíveis, pois a previsibilidade devolve a sensação de controle que o trauma roubou. Se um estudante for gatilhado por um barulho ou situação em sala de aula, acolha-o em um espaço calmo, valide seus sentimentos sem julgamentos (“eu sei que você está assustado, mas agora você está seguro”) e evite pressioná-lo por explicações imediatas. A parceria entre escola e família deve ser estreita, compartilhando o que funciona para acalmar o jovem e garantindo que ele não seja penalizado academicamente por um sofrimento que ainda não consegue gerenciar.

Naturalmente, o suporte clínico é indispensável. Duas abordagens têm se mostrado extremamente eficazes na psicologia, seguindo a linha de pesquisa/ou/especialização: em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a reestruturar os pensamentos de medo, e a EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), uma técnica inovadora que auxilia o cérebro a processar e “arquivar” a memória dolorosa de uma forma menos destrutiva.

Promover a verdadeira inclusão significa entender que cada mente processa o mundo de um jeito, e que algumas delas estão apenas tentando encontrar um lugar seguro para descansar. Sejamos nós, enquanto educadores, pais e cidadãos, esse porto seguro.

E você, querido leitor? Já notou algum desses sinais em uma criança ou adolescente e ficou sem saber como agir? Na sua opinião, nossas comunidades e escolas estão preparadas para ir além do conteúdo pedagógico e acolher a saúde emocional dos nossos estudantes?

Deixe seu comentário aqui embaixo, conte sua experiência ou envie sua dúvida. Construir uma comunidade mais inclusiva depende da escuta de cada um de nós.

Um abraço caloroso, cuidem-se bem e até a nossa próxima coluna!

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