BEM-VINDA À ERA DAS TEXTURAS

Por 29/08/2026No Comments6 min de leitura
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Durante algumas temporadas, a moda esteve fascinada pelo silêncio visual do minimalismo: superfícies lisas, alfaiataria precisa, cores neutras, tecidos fluidos e uma estética clean que valorizava a simplicidade.

Agora, o movimento parece ser outro.A moda quer ser vista, mas também quer ser sentida.
O retorno do maximalismo traz consigo uma valorização cada vez maior das texturas, dos volumes e das superfícies elaboradas. É como se a roupa recuperasse uma dimensão sensorial e passasse a contar sua história também através do toque.

A nova temporada convida para uma moda mais exuberante, tátil e, sobretudo, mais interessante aos olhos.
Entre as texturas que melhor representam esse movimento estão os pelos.

Estampas de leopardo, zebra e outras referências animais podem surgir combinadas a superfícies felpudas, criando uma estética ainda mais exuberante.
Se o pelo representa uma textura mais aconchegante e volumosa, o vinil aparece no extremo oposto: liso, brilhante, tecnológico e com forte impacto visual.
E eles estão principalmente nos pés, no vinil transparente dando a ideia de nudez, uma vez que temos excessos nas roupas.

O RESGATE DO MAXIMALISMO

O maximalismo também resgata materiais que carregam uma tradição histórica dentro da moda.
O jacquard é um dos grandes exemplos.
Com seus desenhos incorporados à própria construção do tecido, ele cria uma superfície rica mesmo quando a peça não possui nenhuma aplicação adicional.
Florais, arabescos, desenhos geométricos, motivos botânicos e padronagens elaboradas aparecem em vestidos, saias, casacos, blazers e conjuntos.
E não é apenas o jacquard.
Veludo, tweed, bouclé, brocados, rendas, tricôs encorpados, matelassês, tecidos plissados e materiais com acabamento enrugado ou enrugado propositalmente entram nessa mesma lógica.
A palavra-chave é superfície.

ALTO-RELEVO: QUANDO A ROUPA GANHA VOLUME

Outra maneira de incorporar a tendência é através dos tecidos e aplicações em alto-relevo.
Flores tridimensionais, bordados volumosos, aplicações, franjas, pregas, drapeados, laços, rosetas e superfícies acolchoadas fazem com que a roupa adquira quase uma dimensão escultórica.
É uma estética que transforma a peça em protagonista.
Uma blusa com flores tridimensionais, por exemplo, pode dispensar estampas e acessórios excessivos. O próprio tecido já cria a informação visual necessária.
O mesmo acontece com uma saia plissada, um casaco de tweed ou uma bolsa com acabamento acolchoado.

FRANJAS E VOLUMES
As texturas também aparecem através do movimento.
Franjas criam dinamismo e fazem a roupa reagir ao movimento do corpo. Em vestidos de festa, saias, mangas e acessórios, elas adicionam uma dose instantânea de glamour.
Já os tecidos acolchoados e volumosos trabalham uma outra dimensão: a arquitetura da roupa.

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A MISTURA É A NOVA SOFISTICAÇÃO
Talvez a grande novidade não esteja em escolher uma única textura, mas em misturar diferentes superfícies.
É justamente o encontro entre materiais com comportamentos diferentes que cria profundidade no visual.
Uma produção toda construída com tecidos lisos pode ser elegante. Mas quando acrescentamos uma superfície inesperada, ela ganha uma nova dimensão.

COMO USAR A TENDÊNCIA SEM EXAGERAR?

O retorno do maximalismo não significa necessariamente voltar a um guarda-roupa carregado.
É possível incorporar a tendência de maneira muito mais estratégica.
Uma mulher que prefere uma estética discreta pode começar com uma bolsa texturizada, um sapato de acabamento diferente ou uma peça de jacquard.
Quem gosta de um pouco mais de ousadia pode experimentar uma sobreposição mais importante.
E para quem realmente ama o maximalismo, a proposta pode ser levada ao limite: misturar estampas, texturas, volumes e acessórios em uma única produção.
A questão é encontrar o ponto de equilíbrio entre informação e intenção.

TEXTURA COMO EXPRESSÃO DE ESTILO

Existe ainda uma questão interessante por trás desse movimento.
Depois de anos em que o “quiet luxury”, o minimalismo e a estética discreta dominaram boa parte do imaginário fashion, o desejo por texturas pode representar também uma vontade de voltar a experimentar a moda.
A roupa deixa de ser apenas funcional.
Ela volta a ser divertida, exagerada, sensual, artesanal, teatral e até um pouco extravagante.
Porque uma peça de jacquard não comunica a mesma coisa que uma camiseta de algodão. Um casaco de pelo produz uma sensação diferente de um blazer de lã. O brilho do vinil provoca outro efeito em relação ao acabamento opaco do linho.
Textura também é linguagem.

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MAIS DO QUE UMA TENDÊNCIA

Talvez por isso a era das texturas seja mais inter essante do que simplesmente uma nova tendência de temporada.
Ela nos lembra que estilo não está apenas na cor ou no modelo da roupa, mas também naquilo que acontece em sua superfície.
É o relevo de um tecido, o brilho de um material, o movimento de uma franja, a maciez de um pelo, a trama de um tweed ou a riqueza de um jacquard.
A moda está novamente explorando aquilo que pode ser visto — e imaginado através do toque.
E, em tempos de imagens digitais e experiências cada vez mais virtuais, existe algo especialmente desejável em uma moda que nos convida a perceber o mundo de maneira mais sensorial.
Bem-vinda à era das texturas.
Porque, desta vez, não basta olhar.
A moda quer que você sinta.

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