
Numa só palavra, o que está por detrás da ansiedade que se fala tanto no mês de Janeiro mas se sente o ano inteiro? Medo. De onde ele vem, por que permanece? Que nossos pais e o ambiente em que crescemos tem a ver com isso? Temos medo da resposta. Vamos conversar um pouco de como essa emoção tão necessária se torna um carrasco, um senhor tão terrível nas nossas vidas. Como consequência do medo, temos ansiedade e tantas outras sutis maneiras como ele se manifesta em nossa vida, inclusive com doenças psicossomáticas paralisadoras.
Não estou aqui na neura de culpar ninguém, afinal, encontrar o culpado não traz a solução. Mas buscando a solução podemos perdoar pessoas e situações que marcaram nossa história. Então não buscamos culpado, buscamos solução, combinado isso?
Medo é uma emoção comum e um instinto de sobrevivência tão necessário para continuidade da vida e até os psicopatas o tem. Eles não vivenciam o medo emocional/moral (como culpa, remorso ou medo de perder alguém), pois têm déficits na empatia, o que os impede de reconhecer e se conectar com o perigo ou as consequências de suas ações como outras pessoas, mas eles podem ter reações fisiológicas a ameaças (como adrenalina) e sabem a hora de fugir de um perigo iminente.
Quanto mais você leitor, que lida com suas neuroses e sua história, a quem chamamos de “normal”, preocupado com o que vão pensar de você (fator altamente ansiogênico para todos), correndo atras do pão de cada dia, sem garantia de que o terá no final do dia. Essa é a realidade de muitos brasileiros sem carteira assinada ou salário fixo. Daí temos medo das circunstancias.
Temos medo do futuro. Não controlamos nem o presente, mas ficamos tempo demais em um lugar que não existe chamado futuro, amanhã, daqui a pouco e isso soa como o chicote que colocamos nas mãos do medo. E se alguém que amamos está doente, isso vira pontas de cacos de vidro nas pontas do chicote.
Medo de não sermos aceitos, reconhecidos. Por isso postamos tanto, fotos cada dia mais atraentes, convincentes e infelizmente, distantes da realidade interna. Claro que a praia realmente estava como pano de fundo, mas nem sempre o sorriso e a alegria estavam presentes na hora da foto. Conheço mil histórias de casais que brigados, tiraram a foto no aniversário do filho, no dia da formatura de um deles, na viagem dos sonhos.
Muitos medos são aprendidos em casa. O dimensionamento do problema a criança não sabe fazer. Ela repete muito a medida que os adultos em volta dela deram, por exemplo, a primeira vez que você quis pegar em uma barata, um adulto gritou tanto que você passou a ter medo de insetos como se tivessem a forca de um dinossauro e pela maneira histérica que pisaram e amassaram e tremiam enquanto matavam aquele inseto te fez ensaiar o que la na frente seria uma crise de pânico, diante de ameaças aparentemente assustadoras como é o caso de uma barata. O adulto não estava protegendo você, estava expondo e semeando o seu próprio medo. Então, desprotegido, você aprendeu que a vida dentro daquela casa em que insetos apareciam de vez em quando era um risco total.
Mas esse exemplo com os insetos pelo menos é real, palpável. Os outros medos aprendidos em casa como o medo de não ser aceito, de não ser bom o bastante, de não ser amado, de não ter os pais ou um dos pais em casa ao amanhecer, medo que a ameaça de agressão que o pai fez se concretize e machuque a mãe, e ai seria culpa sua de não ter conseguido protege-la, medo de um exagerado senso de justiça que agredia por qualquer erro infantil (éramos crianças e os erros infantis se repetiriam!), medo do castigo por odiar esse adulto agressor, ou castrador e a gente poderia multiplicar essas possibilidades. Medo da solidão, pois abandono emocional dentro de casa foi um castigo imposto muitas vezes e isso dói.
O contrário de medo não é coragem, você sabe disso. O contrario de medo é amor. “O perfeito amor, lança fora todo o medo”, escreve um homem que viveu muito perto de Jesus, o amor encarnado. Amor perfeito. O medo está associado ao castigo, enquanto o amor traz segurança, paz e perdão eliminando a insegurança e a necessidade de temer. O verdadeiro amor não elimina disciplina, ao contrario disso, a disciplina vem como uma forma de amor, gerando o alinhamento do alvo, o acerto do ritmo. Ela vem pela necessidade da pessoa disciplinada, não pelo ódio e exagero emocional do “educador”.
Que em nossa família, possamos todos vigiar nossos amores, pois eles são todos imperfeitos e geramos medo uns nos outros, mesmo que amando muito. Aperfeiçoemos nosso amor. Falemos de nossas imperfeições!
Cleydemir Santos é psicólogo sistêmico
Terapeuta de casais com especialização em Psicodrama e TCC
31.99515-2348
Para outras matérias como essa, clique no link https://socialyte.com.br/categorias/noticia/familia-e-relacionamento/
Fique por dentro de tudo que acontece na nossa região. Clique Aqui e entre para nosso grupo exclusivo!






