
Aqui está o seu texto totalmente revisado e corrigido no aspecto gramatical, de pontuação e de fluidez. O tom reflexivo, a profundidade das metáforas e a sua voz pessoal foram mantidos integralmente.
Li uma frase na semana passada que me fez refletir sobre várias coisas, até chegar aos nossos relacionamentos. Muitos desistem deles por causa de detalhes específicos — distrações que nos fazem perder de vista o que estávamos buscando no início. Focamos em particularidades que já estavam ali, mas que não eram importantes naquela ocasião, e trocamos nosso objetivo principal por essas miudezas. Nos perdemos no caminho.
Muitos divórcios são seguidos de um arrependimento que não pode ser declarado; afinal, a pessoa brigou tanto para sair, tinha um motivo tido como tão forte, que fica constrangida só de pensar na hipótese contrária.
A frase é a seguinte:
“O caçador que persegue um elefante não para para jogar pedras nos pássaros.”
O casamento é um guarda-chuva que traz consigo nuances ricas e muitas coisas boas:
- Identidade: casado(a), nome e sobrenome
- Propósito: construir juntos;
- Projeto: filhos e bens a adquirir;
- Parceria e companhia;
- Desafios imediatos: a convivência com a família do cônjuge.
A família é um grande projeto. Um enorme alvo a conquistar. Comparando com esse provérbio africano, o casamento é como essa grande caça, cuja conquista traz carne em abundância para alimentar a família, pele para fazer tendas e presas de marfim para produzir joias e construir riqueza.
Mas há os pássaros no meio do caminho. Eles sempre estiveram lá, mas nós tínhamos os olhos no alvo: o elefante. Não os víamos nem os considerávamos. Hoje, de alguma forma, perdemos o alvo na poeira da estrada e começamos a mirar nos pássaros. Paramos para jogar pedras. Gastamos tempo reclamando que eles estão nos incomodando ou que não conseguimos domá-los.
Deixe-me exemplificar: alguns traços de caráter do nosso cônjuge já estavam lá desde que ele(a) nasceu. Desde o nosso namoro, ele(a) já era assim. Não consideramos, não quisemos ver, mas investimos. Fizemos votos e nos comprometemos. Tivemos filhos e juntamos patrimônio — tanto faz se uma BMX ou uma BMW.
Agora, esse traço de caráter é supervalorizado. Eu encontro na internet um nome para isso, leio o laudo da categoria de um profissional especialista e começo a jogar pedras nesse pássaro que entrou no meu caminho. Assim, vou perdendo o meu elefante, abandonando a minha família, deixando de lado o privilégio da companhia, da parceria e dos projetos, além de vilipendiar meus bens.
Aprendemos a “encaixotar” todo mundo. Todo ato de egoísmo na relação vira “narcisismo”. Uma conta que não foi paga vira “síndrome de Peter Pan”, e por aí vai. Usando nomenclaturas técnicas para fazer diagnósticos rasos, vamos perdendo o nosso elefante ao valorizar os pássaros que, de repente, parecem novidade, mas sempre fizeram parte da estrada.
Não quero diminuir o prejuízo do comportamento egoísta de alguém com quem se convive, mas a “ajuda” que você recebe de um post no Instagram não deveria definir o seu casamento. Quando alguém te magoar, aprenda a dizer que está magoado(a), e não que o outro é narcisista. Um diagnóstico desse tipo só deveria ser dado por um especialista e após um longo processo.
Por favor, entenda: traços narcisistas, infantis ou esquisito todo mundo tem, e isso não nos enquadra automaticamente em um transtorno narcisista ou esquizoide. Pare de “laudar” todo mundo só porque viu um post. Isso ofende profundamente as pessoas e impede que elas percebam o principal: que você só queria dizer que ficou magoado(a) com a atitude delas.
No final das contas, precisamos (re)aprender uma ferramenta que, quando assimilada, muda a vida: a comunicação. Aprender a falar. Fale da sua mágoa, da sua expectativa quebrada, da sua insegurança quando uma conta não é paga em dia — e assumir isso não te enquadra em um transtorno obsessivo!
Descubra de novo o rastro do elefante que você começou a perseguir lá atrás: um relacionamento firme, que cresce com o tempo e se aprofunda com as experiências. De médico e louco, todo mundo tem um pouco. Não seja nem o médico, nem o louco. Pare de laudar o seu cônjuge e avalie a si mesmo o tempo todo.
Cleydemir Santos é Psicólogo sistêmico. Terapeuta de casais, tem especialização em Psicodrama e TCC, com enfoque em Terapia do Esquema. (31.99515-2348)
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