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AMIGOS

Por 11/03/2026No Comments4 min de leitura
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“Ontem estive em uma festa de aniversário. Há tempos não via uma comemoração tão especial! O cardápio? Apenas bolo confeitado e refrigerante. Mas o que tornou tudo tão marcante?

A aniversariante, casada há seis anos, está grávida pela primeira vez. O detalhe especial é que a festa não foi organizada por ela, mas pelos amigos. Ninguém estava lá pelo que iria comer; estavam lá por eles — pelo casal, e especialmente por ela.

Um casal precisa de amigos. Amigos que somem, que cheguem junto tanto na hora da celebração quanto na hora da dificuldade. Manter amizades assim é uma arte. Pelo menos as boas. Aqueles que só aparecem se houver cerveja, não contam. Aqueles que só vêm quando há pessoas ‘importantes’ para garantir a selfie, também não. Esses não vieram por você.

Falo dos amigos que mantêm seus casamentos e servem de modelo para os mais novos. Que cuidam dos seus filhos e cujos filhos serão amigos dos nossos. Amigos que amam seus cônjuges e nos servem de espelho para enxergarmos onde estamos errando ou acertando. É desse tipo de amizade que estou falando.”

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Lembrei-me de um texto de Tim Keller onde ele afirma que “um bom casamento é algo mais difícil e doloroso do que a excelência artística. Talento nato não capacita ninguém a jogar futebol como craque, nem a escrever literatura de alta qualidade. Para que isso aconteça, é necessária disciplina e muito trabalho”.

Você compreende isso? Estar casado, ter filhos e pagar as contas — mesmo amando nossa casa — não garante que tudo ficará bem ou que seremos felizes automaticamente. Ninguém nasce “craque” na vida familiar. E até os craques, se não treinarem, viram chacota. Isso vale tanto para o lar quanto para as amizades. Existem elementos naturais que embaçam esse processo, e quero citar alguns:

1. O Egoísmo  Quando o encontro é na casa dos outros, eu topo; mas receber pessoas na minha casa não é fácil, então eu não quero. Muitos dizem que é preguiça, mas no fundo, é egoísmo.

2. O Comodismo  Receber alguém exige esforço. Muitas vezes, as mulheres trabalham excessivamente quando há visitas. Nós, homens, precisamos nos mexer mais, nos apresentar para o serviço. Salvo raras exceções onde o desequilíbrio é inverso, a regra é clara: a casa é dos dois, o trabalho também deve ser.

3. A “Instagramização” Outro obstáculo é o exagero. Ou fazemos uma recepção impecável, digna de foto, ou não fazemos nada. As coisas tornam-se mais importantes que as pessoas, e um encontro que deveria ser de troca vira um peso financeiro. Sou daqueles que acredita que não devemos dar à visita o que não damos ao cônjuge e aos filhos no dia a dia. Quem vem à nossa casa deve experimentar um pouco (do melhor) da nossa vida real.

4. A Seleção das Amizades Um assunto que recém-casados precisam conversar — e que deveriam ter alinhado ainda no namoro — é sobre os amigos de solteiro. Todos devem permanecer? O bom senso diz que não, mas muitos podem e devem, inclusive parentes. Aqui entra novamente o egocentrismo: “Os meus amigos eu quero aqui; os do meu cônjuge, não faço questão”.

O egoísmo está no cerne da nossa natureza humana e influencia todas as nossas decisões. Por isso, viver um casamento e manter amizades reais torna-se tão difícil. Precisamos combater a preguiça, o comodismo, a falta de companheirismo e a busca por performance. É apenas mais um aprendizado para a família, mas o esforço vale a pena: ainda dá para ser muito feliz!

Cleydemir Santos

Psicólogo Sistêmico e terapeuta de Casais. Especialista em Psicodrama e TCC.

31.99515-2348

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