
Já sabemos que o vinho tinto tem um protagonismo maior nos dias em que recorremos aos agasalhos e cobertinhas. No Brasil, por termos dias tropicais e quentes na maior parte do ano, cria-se no mercado vitivinícola uma alta expectativa de consumo per capita com a chegada do inverno.
Este ano, o consumo de vinhos no Brasil atingiu um número histórico: quase 2,5 litros por pessoa, o que representa um crescimento de 40% em relação aos anos anteriores.
Crescimento do Consumo: O Clima
Embora nos anos anteriores houvesse dias frios com mais constância, este ano, devido a instabilidades climáticas, o frio está mais agressivo — essa condição se deve a dois fatores:
- Entrada de massas polares: Uma entrada sequencial de massas polares vindas diretamente da Antártida, que se deslocam pelo Centro-Sul causando alta pressão. Isso gera quedas de temperatura nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
- Transição climática (La Niña para El Niño) Iniciamos o ano sob a influência final do fenômeno La Niña e transitamos, no outono, para o início do fenômeno El Niño. Nele, as águas do Pacífico Equatorial sofrem um aquecimento anormal, gerando uma alteração na circulação dos ventos e na distribuição de calor e umidade por todo o planeta, bagunçando os padrões climáticos em várias regiões.
Conforto térmico
Na Europa Antiga e Medieval, com os invernos sendo mais rigorosos e os recursos escassos, o vinho tinto tinha uma função crucial para a sobrevivência da população. Uma vez que a bebida é um alimento líquido de alta caloria, ela ajudava as pessoas a suportarem longas jornadas no frio, dando-lhes mais energia e uma sensação física de aquecimento provocada pelo efeito vasodilatador do álcool.
COMIDAS CONSUMIDAS NO INVERNO
A alimentação do período medieval era baseada nas condições climáticas da época. Como não havia recursos tecnológicos para preservar os alimentos, eles eram submetidos à conservação por métodos que utilizavam muito sal e gordura.
Para amenizar a intensidade do sal e da gordura, o vinho tinto era essencial, uma vez que contém taninos que ajudam a limpar o paladar e a facilitar a digestão de refeições mais pesadas.
Nos dias atuais, continuamos com a mesma linha de raciocínio quanto à harmonização de comidas para o inverno: os vinhos tintos combinam perfeitamente com pratos mais pesados e quentes, sendo até hoje a melhor aposta para esse período frio.
Dicas: carnes de longa cocção, caldos mais gordurosos ou massas com ragu encorpado. Uma opção que nunca falha nesse friozinho é o clássico fondue.
O VINHO QUENTE: QUENTÃO
Se você for um brasileiro raiz, provavelmente já consumiu um quentão neste frio para se aquecer. O curioso sobre a bebida é que no Império Romano já existiam versões de vinhos quentes.
Ali se desenvolveu o hábito de aquecer o vinho com especiarias — cravo, canela e mel —, fazendo o uso da bebida de forma medicinal para ajudar os soldados a aguentarem o frio congelante das fronteiras. Essa tradição sobrevive nos dias atuais no mundo todo: na Alemanha como Glühwein, e no Brasil como o famoso quentão.
ATENÇÃO AOS SENTIDOS
A ideia de “vinho em temperatura ambiente” é muito repetida no Brasil, mas, mesmo na estação mais fria, precisamos estar atentos à temperatura de serviço correta para não prejudicar a experiência com a bebida.
Sirva o vinho tinto levemente fresco, entre 16 °C e 18 °C, para valorizar os aromas e melhorar a percepção do álcool. Dependendo da sua região, essa temperatura ideal ainda costuma ser bem menor do que a real “temperatura ambiente”.
Com a chegada do inverno, o ato de beber se transforma em um verdadeiro ritual de pausa, aconchego e satisfação. O clima frio da estação pede taças com vinhos mais encorpados e aromáticos, que provoquem um prazer lento capaz de desacelerar o tempo.
Me conta nos comentários: qual tem sido a sua escolha para aquecer estes dias?
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