ACORDO MERCOSUL E UE PELA PERSPECTIVA DO PRODUTOR DE VINHO MINEIRO

Por 22/01/2026janeiro 26th, 2026No Comments6 min de leitura
ACORDO MERCOSUL E UE PELA PERSPECTIVA DO PRODUTOR DE VINHO MINEIRO

Os dias de glória chegaram: O que o acordo Mercosul – União Europeia muda na sua taça

No último dia 17 de janeiro, selamos o que podemos chamar de um marco histórico. Após longos 26 anos de negociações, foi finalmente oficializada a parceria entre o Mercosul e a União Europeia. Estamos falando da criação da maior área de livre de comércio do planeta, envolvendo mais de 700 milhões de pessoas e um PIB que ultrapassa os US$ 22 trilhões. É, sem dúvida, o maior acordo bilateral da história.

Para o consumidor brasileiro, a expectativa é alta: as tarifas de importação de vinhos, que hoje oscilam entre 17% e 35%, devem cair gradativamente até chegarem a 0% nos próximos 12 anos. Mas, se por um lado o mercado comemora a queda nos preços, por outro, surgem incertezas. Como ficam os nossos pequenos produtores diante dessa concorrência, enquanto ainda enfrentam altas cargas tributárias internas e a falta de políticas de incentivo?

Para trazer um ponto de vista contundente e necessário sobre esse cenário, convidei um grande amigo e parceiro, Júnior Porto, produtor de vinhos aqui em Minas Gerais, que compartilha conosco sua visão sobre os desafios e o futuro da nossa indústria.

ACORDO MERCOSUL E UE PELA PERSPECTIVA DO PRODUTOR DE VINHO MINEIRO

Júnior Porto

Como o acordo impacta diretamente a produção de mineira ?

“Na minha visão, o acordo com o Mercosul é extremamente positivo. Ele promove uma acessibilidade inédita aos rótulos importados, o que gera uma pressão saudável para que nós, produtores mineiros, busquemos excelência tanto em preço quanto em qualidade. Esse movimento fortalece a cultura do vinho no Brasil, um país onde o consumo per capita ainda é tímido se comparado às nações tradicionais. O impacto é positivo para Minas Gerais: a competitividade nos obriga a moldar novos modelos de negócio, otimizando custos, logística e atendimento para suprir uma demanda que, naturalmente, tende a crescer.”

Qual o posicionamento da marca Luiz Porto com a eventualidade ?

Sobre a implementação do acordo: “Embora o acordo deva ser implementado de forma gradual ao longo dos próximos dez anos, e ainda existam detalhes técnicos e resistências políticas na Europa a serem superados, o posicionamento da nossa marca é de total otimismo. Acreditamos que esse movimento será um reforço vital para a cultura do vinho no Brasil, que ainda é jovem.

É uma oportunidade única para o brasileiro enxergar o vinho além da bebida, entendendo seus benefícios sensoriais e sua riqueza cultural. Vejo um potencial enorme para amadurecermos nossas Denominações de Origem, fortalecendo o regionalismo e o orgulho pelo produto nacional. Assim como na Europa, onde se valoriza a história das famílias e os projetos locais, teremos a chance de consolidar nossa identidade enquanto o mercado se expande com a entrada dos vinhos europeus com impostos zerados.”

A estratégia para a indústria nacional: Como enfrentar a concorrência? “Muitos se preocupam com a competitividade de preços, mas acredito que a nossa principal defesa será a valorização da nossa identidade. O preço é combatido com regionalismo; com as características únicas que só as nossas montanhas oferecem e com a integração perfeita com a nossa gastronomia. O valor do nosso vinho está atrelado às nossas raízes, e é isso que o consumidor precisa perceber.

Claro que o produtor nacional, especialmente o mineiro, precisa fazer o ‘dever de casa’: olhar para dentro e enxugar custos para ganhar eficiência e competitividade. No entanto, a força motriz será o uso do regionalismo para criar conexões reais. O segredo está em incentivar o enoturismo, transformando regiões ainda pouco exploradas em destinos tradicionais que o mundo todo queira visitar, exatamente como os países europeus fizeram com maestria ao longo dos séculos.”

Para Luiz Porto, qual a relevância no comportamento do consumidor final, especialmente diante das mudanças trazidas pelo acordo Mercosul – UE?

“No que tange ao comportamento do consumidor, acredito que o regionalismo e a valorização do que vem de perto serão os grandes pilares de valorização. Minas Gerais vive hoje uma vanguarda: estamos, finalmente, quebrando aquele antigo complexo de acreditar que tudo o que vem de fora é superior.

Veja o exemplo dos nossos cafés especiais, que hoje são celebrados pelo público; nossos queijos, que conquistam premiações mundiais; nossos azeites, quitandas e doces. O vinho mineiro chega para consolidar esse movimento. Para o consumidor, poder conhecer quem faz o produto, visitar a vinícola e entender a história por trás da garrafa cria um fortalecimento que o consumo local proporciona. Claro, mantemos sempre o foco na acessibilidade e na competitividade, mas o nosso diferencial é a conexão humana.”

O Equilíbrio entre Preço e Identidade

Durante nossa conversa, Júnior enfatizou que, para além de preços mais justos, o acordo traz uma contrapartida vital: a proteção dos produtos brasileiros na Europa. Com a criação e o reconhecimento de novas Indicações Geográficas (IGs), o enoturismo e a valorização regional ganham fôlego para alavancar a indústria e disseminar a nossa cultura no mundo.

Atualmente, existem 224 produtos protegidos no Mercosul, e Minas Gerais brilha nessa lista com ícones como a Cachaça, o Queijo Canastra, o Café e nossos Vinhos regionais. Esse reconhecimento internacional é o que permite ao nosso estado — e ao Brasil — deixar de ser apenas um mercado consumidor para se tornar uma referência global de qualidade e autenticidade.

Pra quem quiser conhecer mais sobre o trabalho de Júnior Porto e dos vinhos Finos Luiz Porto, acesse o link abaixo https://vinicola-luiz-porto-ltda.mymento.site

 

Para outras matérias como essa, clique no link https://socialyte.com.br/noticia/vinhos-e-brasilidades/

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