MIOMAS: QUANDO TRATAR E QUANDO APENAS ACOMPANHAR?

Por 17/08/2026No Comments4 min de leitura
MIOMAS

Olá, leitores! Vocês já ouviram falar em miomas ou em pessoas que tiraram o útero por causa deles? Pois é… receber o diagnóstico de um mioma costuma despertar muitas dúvidas e preocupações. Não é raro que a primeira pergunta seja: “Vou precisar operar?”. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a resposta é não!

Os miomas uterinos são tumores benignos que se desenvolvem a partir da musculatura do útero e estão entre as alterações ginecológicas mais comuns na vida da mulher, principalmente entre os 30 e 50 anos. Muitas mulheres convivem com um ou mais miomas sem sequer saber, já que eles frequentemente não causam sintomas e são descobertos durante exames de rotina.

Quando os miomas não provocam desconforto e não interferem na qualidade de vida, a melhor conduta é apenas o acompanhamento periódico. Consultas regulares e exames de imagem, como a ultrassonografia, permitem avaliar se houve crescimento da lesão ou surgimento de alterações que justifiquem uma mudança no tratamento.

Entre os principais sinais de alerta estão o aumento do fluxo menstrual, sangramentos prolongados, anemia, dores pélvicas persistentes, sensação de pressão na bexiga ou no intestino, aumento do volume abdominal e dificuldades para engravidar ou manter uma gestação. O tratamento será instituído de acordo com a localização, o tamanho e os sintomas provocados por cada mioma.

Quero ressaltar que nem sempre o tamanho do mioma é o fator mais importante. Um mioma pequeno, localizado na parte interna do útero, pode causar sangramentos intensos e prejudicar a fertilidade, enquanto um mioma maior, localizado no meio ou na parte externa da parede uterina, pode permanecer silencioso por muitos anos. Por isso, a decisão sobre o tratamento deve ser individualizada e levar em consideração os sintomas, a idade da paciente, o desejo reprodutivo e o impacto na qualidade de vida.

As opções terapêuticas variam desde medicamentos até procedimentos minimamente invasivos ou cirurgias. Sempre que possível, procura-se preservar o útero, especialmente em mulheres em idade reprodutiva que desejam engravidar. A retirada do útero, conhecida como histerectomia, é reservada para situações específicas e não deve ser encarada como a única alternativa. E aqui faço um alerta: a histerectomia é uma cirurgia que, como qualquer outra, apresenta riscos — desde a anestesia até o pós-operatório. Portanto, gente, não é tão simples quanto parece. Não é apenas “tirar o útero e está resolvido”. Não é bem assim!

Outro ponto importante é desfazer alguns mitos. Embora o mioma possa crescer ao longo da vida reprodutiva devido à influência dos hormônios femininos, ele não vira câncer. Além disso, muitas mulheres com miomas conseguem engravidar e ter uma gestação perfeitamente saudável.

Após a menopausa, é comum que os miomas diminuam de tamanho devido à redução dos níveis hormonais. Por isso, dependendo da idade e dos sintomas, o acompanhamento conservador pode ser a estratégia mais adequada.

O mais importante é lembrar que o diagnóstico de mioma não deve ser motivo para desespero. Hoje dispomos de diferentes formas de acompanhamento e tratamento, o que nos permite escolher a abordagem mais segura para cada caso.

Se você recebeu esse diagnóstico ou apresenta sintomas como sangramento menstrual intenso, dor pélvica ou aumento do volume abdominal, procure um ginecologista. O acompanhamento regular permite esclarecer dúvidas, definir a melhor conduta e garantir um cuidado individualizado.

Cada mulher tem uma história, um corpo e um momento de vida diferentes. Por isso, quando falamos em miomas, não existe uma resposta única para todas. Existe, sim, a importância de uma avaliação cuidadosa, baseada em evidências e, acima de tudo, no respeito às necessidades e objetivos de cada paciente.

Afinal, acompanhar também é uma forma de cuidar. Autoconhecimento é um ato de amor e cuidado.

Autoconhecimento é um ato de amor e cuidado.

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