
Uma das perguntas que mais escuto no consultório é: “Doutora, eu não sinto mais vontade.”
E quase sempre essa pergunta vem acompanhada de culpa, preocupação ou da sensação de estar falhando consigo mesma ou com o relacionamento. Mas existe algo muito importante que toda mulher precisa saber: a libido não é fixa!
O desejo sexual feminino muda ao longo da vida, e isso é normal. Diferentemente do que muitas vezes vemos nas redes sociais ou em discursos simplificados sobre sexualidade, a libido não depende apenas dos hormônios. Ela é influenciada por uma combinação complexa de fatores físicos, emocionais, relacionais e até sociais.
Uma mulher pode ter exames hormonais normais e, ainda assim, apresentar diminuição do desejo. Da mesma forma, é claro que alterações hormonais importantes também podem impactar significativamente a libido. O desejo feminino conversa com o corpo, mas também conversa com a mente…
Estresse, sobrecarga mental, preocupações financeiras, conflitos no relacionamento, baixa autoestima, privação de sono, maternidade, ansiedade e até o excesso de responsabilidades do dia a dia podem interferir na forma como a mulher se conecta com sua sexualidade. Então, muitas vezes, o problema não está na falta de desejo, mas no excesso de cansaço.
Existem momentos da vida em que mudanças hormonais são esperadas. O ciclo menstrual, o pós-parto, a amamentação, o uso de alguns contraceptivos, a perimenopausa e a menopausa podem provocar oscilações naturais na libido, mas isso não significa que a sexualidade desapareça. Significa apenas que ela pode se manifestar de maneiras diferentes em cada fase da vida, e é preciso reconhecer essas manifestações e adaptar-se a elas.
Outro ponto importante é compreender que o desejo feminino não surge sempre de forma espontânea. Em uma boa parcela das mulheres, ele é responsivo, ou seja, aparece a partir da conexão emocional, da intimidade, do carinho e da sensação de segurança no relacionamento. Por isso, comparar-se com outras pessoas ou acreditar que existe um padrão universal de libido costuma gerar mais sofrimento do que soluções.
Perceber quando essa mudança começa a causar desconforto, sofrimento emocional ou impacto na qualidade de vida ajuda na busca por avaliação profissional para investigar possíveis causas físicas, hormonais ou emocionais.
A sexualidade feminina é muito mais ampla do que frequência sexual ou níveis hormonais. Ela envolve afeto, autoestima, saúde física, bem-estar emocional e a forma como cada mulher se relaciona consigo mesma. Seu desejo não precisa ser motivo de culpa; ele pode ser um convite para olhar com mais atenção para aquilo que seu corpo e sua mente estão tentando comunicar.
Portanto, eu sempre falo às minhas pacientes: ouvir o próprio corpo é primordial para um bom relacionamento e para estar bem consigo mesma!
“O autoconhecimento é um ato de amor e cuidado.”
Dra. Laís Renho (Ginecologista- Mastologista)
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