
O Luxo do Respiro
Quando a Pantone anunciou a cor do ano, ela dividiu opiniões. Houve quem a achasse “sem graça”. Outros sentiram que, finalmente, algo fazia sentido. Mas talvez o ponto não seja gostar ou não da cor; talvez o ponto seja entender o porquê de ela ter causado tanto desconforto.
Nos últimos dias, uma nova trend tomou conta da internet: pessoas resgatando fotos de 2016. E o que essas imagens revelam não é apenas nostalgia, mas algo muito mais profundo: o quanto estamos exaustos do excesso.
Excesso de informação. Excesso de estímulo. Excesso de tendências e de consumo. Um ruído constante — visual, emocional e mental.
A estética de 2016 parece mais “leve” hoje porque, comparada ao agora, ela tinha menos ruído. Havia menos urgência em performar, menos necessidade de provar algo a todo instante. A cor da Pantone não pede aplausos; ela pede pausa. Ela não grita tendência; ela sussurra intenção.
Como consultora de estilo, confesso: eu também estou cansada. Cansada de ver o vestir tratado apenas como vitrine. Cansada da lógica do “compre isso porque está na moda”. Cansada de um mercado que estimula o excesso quando o que nos falta é sentido.
Estilo nunca foi sobre quantidade. Sempre foi sobre coerência. É sobre vestir quem você é hoje, e não quem o algoritmo ordena que você seja. Talvez essa cor não seja sem graça; talvez ela seja apenas honesta.
O incômodo que ela causou é o reflexo de uma geração saturada, que implora por mais silêncio, mais verdade e mais essência — inclusive no armário. Porque, no fim, o verdadeiro luxo atual não é o excesso.
É o respiro.
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