
Se você viveu os anos 1990, provavelmente tem uma memória afetiva — ou pelo menos uma fotografia — envolvendo uma “piranha” de cabelo. Aquela presilha com dentes, geralmente de plástico, que prendia o cabelo em poucos segundos e parecia estar presente em praticamente todo banheiro, bolsa ou nécessaire.
Pois pode tirar a sua do fundo da gaveta: a piranha voltou.
Conhecida internacionalmente como claw clip ou hair claw, a presilha ganhou uma nova leitura fashion e reaparece em diferentes tamanhos, materiais, cores e acabamentos. Em 2026, ela faz parte de um movimento maior de retorno aos acessórios de cabelo e à estética dos anos 1990 e início dos anos 2000. A própria Vogue aponta os acessórios de cabelo — incluindo presilhas grandes e marcantes — entre as tendências de beleza de 2026.
De onde ela veio?
Embora hoje seja imediatamente associada aos anos 1990 e 2000, a presilha tipo garra não nasceu nessa época. O que aconteceu foi que ela se tornou um dos grandes símbolos do cabelo cotidiano dessas décadas.
Nos anos 1990, era comum usá-la para prender o cabelo em coques improvisados, torções e penteados meio presos. Celebridades como Gwyneth Paltrow, Julia Roberts e outras figuras da época ajudaram a transformar o acessório em parte da estética daquele período.
E quem assistia a Friends provavelmente também se lembra do visual: Rachel, assim como várias mulheres da época, aparecia usando a presilha em penteados aparentemente despretensiosos.
O acessório, porém, acabou perdendo espaço quando a moda passou a valorizar cabelos com aparência mais “natural”, soltos e cuidadosamente desarrumados. A presilha continuou existindo — mas migrou do território da moda para o da praticidade.
O primeiro retorno já aconteceu
Na verdade, a piranha não está voltando pela primeira vez.
Em 2018, Alexander Wang levou a claw clip para a passarela de seu desfile de outono, utilizando versões metálicas e fazendo questão de deixar o acessório visível. A partir daí, a presilha passou novamente a ser percebida como um elemento de moda, e não apenas como uma ferramenta para prender o cabelo.
Poucos anos depois, a pandemia acelerou ainda mais essa transformação.
Com mais pessoas trabalhando de casa e buscando soluções práticas para os cabelos, a presilha ganhou espaço como uma alternativa rápida aos penteados elaborados. A Vogue chegou a destacar justamente essa combinação entre praticidade, baixa manutenção e estética nostálgica como um dos fatores do seu retorno.
Mas por que ela voltou agora?
Porque a moda está novamente olhando para os anos 1990 e 2000.
A chamada estética Y2K — inspirada no final dos anos 1990 e início dos anos 2000 — trouxe de volta uma série de elementos que pareciam definitivamente ultrapassados: jeans de cintura baixa, bolsas pequenas, óculos coloridos, presilhas, tiaras, scrunchies e outros acessórios de cabelo.
A piranha se encaixa perfeitamente nessa nostalgia, mas ganhou uma atualização.
Em vez de ser apenas aquela presilha de plástico marrom ou preta usada para “dar um jeito” no cabelo, ela aparece agora em versões grandes, minimalistas, transparentes, metálicas, coloridas, com acabamento marmorizado, pérolas e outros detalhes.
Ou seja: o que mudou não foi necessariamente a presilha. Mudou a maneira como a moda passou a enxergá-la.
Da necessidade ao styling
Talvez esse seja o ponto mais interessante desse retorno.
Durante muito tempo, prender o cabelo com uma piranha significava simplesmente: “preciso tirar o cabelo do rosto”. Hoje, ela pode fazer parte da composição do visual.
Um coque baixo preso por uma piranha grande pode acompanhar uma produção sofisticada. Uma versão metálica pode funcionar quase como uma joia. Uma presilha colorida pode trazer informação de moda para uma produção básica.
E essa mudança acompanha uma tendência maior da beleza contemporânea: menos cabelo excessivamente produzido e mais atenção aos detalhes que personalizam o visual.
A Vogue observa justamente essa direção na beleza de 2026: cabelos mais polidos, mas sem aparência rígida, valorizando movimento, textura natural e detalhes individuais. Entre esses detalhes, aparecem novamente os acessórios de cabelo, incluindo as presilhas grandes.
O interessante é que ela continua sendo extremamente prática.
Talvez seja justamente essa combinação que explique sua longevidade. A piranha não exige habilidade para fazer um penteado elaborado, não precisa de calor, pode ser colocada em poucos segundos e funciona em diferentes comprimentos e texturas de cabelo.
É o tipo de tendência que não depende apenas da passarela: ela resolve uma necessidade real. E quando a moda consegue juntar estética e funcionalidade, a chance de o acessório permanecer por mais tempo no guarda-roupa aumenta.
No fim das contas, a piranha não voltou apenas porque os anos 1990 estão na moda. Ela voltou porque descobrimos que aquele acessório que um dia parecia simples demais pode, dependendo da maneira como é usado, ser justamente o detalhe que deixa o visual mais atual.
A piranha de cabelo, definitivamente, deixou de ser apenas uma piranha. Virou styling.
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