SEM ICT NA REGIÃO? HORA DE CONSTRUIR

Por 13/08/2026No Comments8 min de leitura
SEM ICT NA REGIÃO? HORA DE CONSTRUIR

Descubra o papel transformador das Instituições Científicas e Tecnológicas e por que essa estrutura é o caminho mais rápido para tirar sua região da estagnação, seja você um CPF inconformado ou o próprio Poder Público.

O que você vai encontrar aqui hoje:

  • O Cenário Sem ICT
  • O Protagonismo da Pessoa Física: O Case Rafael Becho
  • O Protagonismo Público: A Secretaria que Virou ICT
  • Vozes do Ecossistema
  • Passo a Passo e Materiais de Apoio
  • Próximos Passos

O Cenário Sem ICT

No meu dia a dia no ecossistema de inovação, vejo com frequência a mesma cena: regiões repletas de talentos, boas ideias nascendo na prática e pessoas com vontade genuína de fazer acontecer. No entanto, estar sem ICT na região para sustentar esse movimento faz o entusiasmo esbarrar na burocracia, os projetos morrerem no papel e os recursos de fomento nem chegarem.

O problema das nossas regiões não é a falta de capacidade ou boas intenções. A verdadeira barreira é a ausência de articulação para conectar o conhecimento técnico, os empreendedores e o setor público. A grande mensagem que quero trazer nesta coluna é direta: qualquer um pode fazer acontecer. Seja você um “CPF” inconformado com a estagnação local ou o próprio Poder Público buscando modernizar a gestão municipal.

O Protagonismo da Pessoa Física: O Case Rafael Becho

Para ilustrar a força de uma pessoa física na construção de um ecossistema, não há exemplo melhor do que a trajetória do meu amigo Rafael Becho. Hoje, ele é presidente do ICT Saint Lake Valley, diretor estratégico e CFO do Vetor Norte Summit, além de professor e pesquisador na UFMG. Mas essa história não começou com títulos institucionais.

No pós-pandemia, tomado por um inquietante sentimento de que podia fazer mais, o Rafael decidiu dar ouvidos a esse chamado. Ele começou do zero, como um “CPF”, organizando meetups locais, conversando com pessoas e articulando, tijolo por tijolo, a base de inovação de Lagoa Santa. A grande virada veio quando essa articulação permitiu acessar um edital de fomento a eventos de inovação. Nascia ali o Vetor Norte Summit.

O evento alavancou o movimento, impulsionou a comunidade Saint Lake Valley e culminou na fundação do próprio ICT Saint Lake Valley. A jornada do Rafael nos prova que uma transformação regional não exige grandes estruturas no início — exige coragem para dar o primeiro passo, capacidade de aglutinar pessoas e visão para transformar movimentos comunitários em instituições sólidas.

O Protagonismo Público: A Secretaria que Virou ICT

Se um indivíduo pode acender a faísca, o Poder Público tem o poder de institucionalizar e potencializar esse ecossistema. E a maior prova disso vem da Prefeitura de Uberlândia, que tomou uma decisão pioneira e histórica: transformou uma de suas próprias secretarias em uma ICT Pública.

Esse movimento muda completamente o jogo na gestão municipal. Demonstra que a prefeitura não precisa se limitar ao papel de agente reguladora ou mera espectadora; ela pode se estruturar internamente para liderar a inovação aberta, captar recursos específicos de fomento e testar soluções reais diretamente na vida da população.

Quando uma região viabiliza sua própria ICT — seja por iniciativa da comunidade, seja do município —, ela conquista fomento e autonomia. Por outro lado, a ausência de uma ICT limita a captação de recursos e trava o desenvolvimento de ecossistemas inovadores. Afinal, a presença dessa estrutura garante:

• Retenção de talentos e startups: Criação de oportunidades reais para quem quer empreender e transformar o seu próprio território;
• Acesso direto a fomento: Habilitação para captação de recursos via editais estaduais, federais e fundos de inovação;
• Resolução de dores da gestão e da sociedade: Conexão direta entre demandas públicas e soluções tecnológicas locais.

Vozes do Ecossistema

Tenho a convicção de que a inovação só se consolida quando temos ao nosso lado pessoas que estão na linha de frente fazendo o movimento acontecer. Estar conectado a essa rede e acompanhar de perto quem lidera essas transformações é o que me dá a certeza de que é possível replicar esses modelos em qualquer região.

Bianca Neves, que acompanha de perto toda essa estruturação em Uberlândia, expressa com precisão o sentimento de quem constrói essa conquista por dentro:

“Ver a Prefeitura de Uberlândia ser reconhecida como uma ICT Pública é muito mais do que acompanhar a conquista de um novo marco institucional. Para mim, é a materialização de um trabalho que vem sendo construído todos os dias: conectar a inovação às necessidades reais da cidade, criar caminhos para que o Poder Público possa experimentar novas soluções e transformar boas ideias em políticas que permanecem.

Os CPSIs, a agenda de cidades inteligentes, a ISO 37120 e agora a ICT fazem parte de uma mesma visão: construir uma Prefeitura que não tenha medo de inovar, que aprenda com seus desafios e que esteja cada vez mais preparada para transformar conhecimento em qualidade de vida para as pessoas.

Não estamos apenas executando projetos de inovação. Estamos ajudando a construir uma nova forma de pensar e fazer o Poder Público em Uberlândia.”

Bianca Neves, Coordenadora Estratégica de Cidades Inteligentes na Prefeitura de Uberlândia, mentora de startups pela ABStartups e voluntária do UberHub.


Passo a Passo e Materiais de Apoio

Se você quer movimentar sua região e a sua cidade hoje está sem ICT, o primeiro passo é a articulação entre atores locais e a comunidade:
• Comece simples (Estágio CPF): Reúna pessoas interessadas, organize meetups e mapeie os talentos locais, exatamente como o Rafael Becho fez.

• Fique atento aos editais: Editais de fomento a eventos e comunidades são a porta de entrada para capitalizar e dar visibilidade ao projeto.

• Provoque o setor público: Apresente o case da Prefeitura de Uberlândia aos gestores municipais para mostrar a viabilidade jurídica e o impacto de uma ICT pública.

• Estruture a governança: Evolua o movimento para uma associação ou ICT, garantindo segurança jurídica para firmar parcerias e captar verbas de longo prazo.


Guia de Leitura E Onde Buscar Fomento

Para quem quer se aprofundar e entender a dinâmica de criação de ecossistemas e captação de recursos, recomendo as seguintes leituras e fontes de consulta:
E-book Técnico Recomendado: E-book Centros de Inovação (Estação Estação VIA UFSC) — Leitura essencial e gratuita sobre o planejamento, operação e governança de ambientes e centros de inovação regionais.

Livro Recomendado: “Startup Communities: Building an Entrepreneurial Ecosystem in Your City” (Brad Feld) — A bíblia para entender como lideranças locais (“CPFs”) e empreendedores devem liderar o ecossistema.

Cartilha & Guia Prático: Marco Legal da Inovação / Guia Prático de ICTs (Sebrae & MCTI) — Excelente material para compreender os modelos jurídicos de ICTs e os Contratos Públicos de Soluções Inovadoras (CPSI).


Plataformas de Editais e Fomento:

• FINEP (finep.gov.br): Editais nacionais para estruturação de ecossistemas, parques tecnológicos e ICTs.

• CONFAP & FAPs Estaduais (confap.org.br / FAPEMIG em MG): Editais de apoio a eventos de inovação, fixação de pesquisadores e ecossistemas locais.

• Plataforma Sebrae: Programas de apoio ao fortalecimento de comunidades de startups locais.


Próximos Passos

Construir um ecossistema de inovação forte não é sobre esperar condições perfeitas, mas sobre ter a coragem de dar o primeiro passo e criar as conexões certas. Seja começando do zero com encontros informais, seja reestruturando uma secretaria municipal, o caminho existe e já foi testado. Estar em contato direto com quem está fazendo essa engrenagem girar reforça em mim essa certeza diariamente: se Lagoa Santa e Uberlândia conseguiram, a sua região também pode. A hora de construir a sua ICT é agora!

Para outras matérias como essa, clique no link https://socialyte.com.br/categorias/noticia/inovacao-e-startups/

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