“QUE MEXE COM A MINHA CABEÇA E ME DEIXA ASSIM…”

Por 06/08/2026No Comments5 min de leitura
amor

”QUE MEXE COM MINHA CABEÇA E ME DEIXA ASSIM”.

É o amor? Pelo menos é isso que prega o imaginário coletivo gerado pelas canções de quem está com dor de cotovelo. Mas Scott Peck (1978) já dizia que “o amor é o que o amor faz. Amar é um ato de vontade, isto é, tanto uma intenção quanto uma ação”. O que é que o seu amor anda fazendo? Quais são as suas intenções e ações em relação ao seu amor? Você tem gerado, no objeto do seu amor, segurança ou confusão?

De fato, para amar, deveríamos ser mais bem preparados. Menos reativos, menos apaixonados. O amor não pode durar apenas “enquanto o sentimento durar”, mas sim enquanto viverem as pessoas que decidiram amar. Logo, o verdadeiro amor tem mais a ver com o que eu decido do que com o que eu sinto — principalmente com o que sinto na hora da crise.

Para amar verdadeiramente, devemos aprender a misturar vários ingredientes que fazem o amor durar e evitar elementos com os quais convivemos e aprendemos a chamar de amor, mas que simplesmente não são! Quais ingredientes devemos aprender a cultivar? Cuidado, afeição, reconhecimento do outro, respeito, compromisso e confiança, além de honestidade e comunicação aberta. Mas, em nossa pedagogia familiar, costumamos ver alguns desses itens misturados a fatores muito negativos e que nos feriram profundamente. São exatamente esses itens que vão pesar mais na hora das nossas escolhas e, por isso, podemos acabar repetindo padrões indesejáveis. Os jovens precisam ler pelo menos este parágrafo antes de bater o martelo em suas escolhas.

Se não aprendemos o cuidado, por exemplo, porque não o recebemos, crescemos com uma enorme necessidade dele e com uma capacidade ampliada de encontrar alguém que não cuida. Quem foi muito desrespeitado em sua infância raramente desenvolverá um relacionamento de respeito ou acabará escolhendo alguém que perpetue esse padrão.

Esse é “o amor que mexe com a minha cabeça e me deixa assim”. Que amor é esse? O amor repetido; um amor infantil, como aquela brincadeira em que as crianças pedem: “de novo, de novo!”. O amor visto como puro sentimento. “Me deixa assim” como? Inseguro, frustrado, imaginando que o outro é o responsável pela minha infelicidade.

Esse amor nos leva, inclusive, a permanecer em relacionamentos que desde o início são descompromissados, agressivos e desonestos. Via de regra, pessoas que traíram a vida toda já traíam antes do casamento, ou foram, ainda no namoro, muito obsessivas, possessivas e desconfiadas. Afinal, elas têm a si mesmas e à sua própria história como referências para essas ações. E o que esse “amor” faz hoje, continuará fazendo. Ele não tem a intenção de mudar; vai continuar sustentando seu egoísmo e usando a pessoa que escolheu — muitas vezes de forma unilateral. O outro foi escolhido mais como uma presa desse padrão do que como um parceiro para a troca saudável que os adultos deveriam ter.

Se a vítima consegue, por acaso, libertar-se — seja por viuvez ou porque o outro foi em busca de uma nova presa —, ela muitas vezes fica improdutiva e com medo de sair da “toca emocional” à qual foi submetida. Fica inábil não apenas para a vida amorosa, mas também para a rotina comum e atividades diárias simples, como ir ao banco ou visitar a família.

O que o seu amor faz pelo seu par? Qual é a sua intenção e como são as suas ações nesse relacionamento? Meu alerta é para que você atente para a forma como tem amado: se tem favorecido o crescimento do seu par ou se o está sufocando com a sua maneira de amar; se você o fortalece e o faz sentir-se confortável e seguro, ou se o faz se sentir desmerecido e isolado do mundo.

Aos que estão em busca de alguém: vocês têm a chance de mudar tudo o que aprenderam e receberam na sua história de vida, ou de perpetuar toda a confusão que viveram. Fiquem atentos! É muito fácil repetir padrões.

Cleydemir Santos é psicólogo sistêmico e terapeuta de casais, com especialização em Psicodrama e Terapia do Esquema.

Contato: (31) 99515-2348

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