O LIMBO DA RECAIDA – NEM DROGADO NEM LIMPO

Por 28/01/2026No Comments5 min de leitura
O LIMBO DA RECAIDA - NEM DROGADO NEM LIMPO

Depois de 2 anos ele(a) está livre(?) e considera-se curado(a) do problema. Mas a recaída acontece. Anos depois, uma pessoa que tem família e que sofreu por ter dado prejuízo emocional, moral e financeiro a seus pares e filhos, tem um sentimento estranho quando acontece uma recaída. Ele(a) é um(a) estranho(a), em seu contexto familiar e um(a) estranho(a), no contexto da drogadição. A ressaca moral é ainda mais sentida.

Por que uma pessoa que tem trabalho, profissão, família e sonhos, se envolve com drogas? Por que é tão difícil deixar esse quadro? Por que depois de tanto sofrimento ela volta para aquela situação? Como ajudar essa pessoa?

Após 2 anos, fica difícil reconectar com as lembranças que o levaram a buscar ajuda e começar um processo de viver sem a droga – maconha, álcool, cocaína, etc. –  Os problemas que no ponto de vista da pessoa justificavam o uso da substancia se repete. Uma voz interior o convence que agora ele já tem maturidade para voltar, usar só um pouco, beber só uma dose, fumar só um cigarro; e ele vai voltar sem problema.

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Tenho tido em minha experiencia de consultório pessoas usando outras drogas mais sutis e entre ela os jogos. Um em cada 8 brasileiros fizeram apostas no ano passado. Os estudos e nossa vivencia com os clientes indicam que você não vai controlar se voltar. Você não vai conseguir usar uma dose só. Se apostar, melhor apostar tudo para tirar todo prejuízo, mas o risco é perder tudo.

 Você precisa conversar de novo com sua família. Eles estão calados mas não estão curados das dores que tiveram quando você estava sob efeito desta substancia. Pergunte a eles como vão se sentir se você, mesmo que consiga controlar, voltar a experimentar alguma coisa que já trouxe tanto prejuízo. Porque naturalmente a gente vai se esquecendo. Quem bate esquece, diz o ditado.

Um estudo fala que no cérebro de um alcoolista, ficam traços de memória daquele processo e que dependendo dos estímulos, vão tira-lo do controle da vida e devolver o volante para o copo e depois para a garrafa. Incrível que durante esse processo de pensar em usar é muito mais “dopaminado” mais eletrizante do que depois que voltar a usar. Em seguida, a culpa, a sensação de que não deu conta vai levar você a entrar no circulo vicioso de usar de novo e de repente, você sai do limbo da recaída para ser usuário de novo. Você não quer isso.

Dois usuários nesse mês de janeiro me falaram a clássica resposta:” uma dose é muito e mil doses é pouco”. É importante então que a terapia seja uma rotina na vida de uma pessoa dependente em remissão seja 2,4, ou 6 anos depois. Os problemas vão surgir. Os motivos serão justos. Se você estiver compartilhando isso, conseguirá dimensionar o risco e passar pelo problema. Se você não compartilha, você acredita que dá conta, que sozinho você consegue e vai acabar se convencendo que o uso é uma boa saída. Compartilhe seu dilema. Existem grupos online. Existem grupos presenciais nos A.A e N.A espalhados pelo Brasil. Existem conselheiros em vários níveis que podem te escultar.  

Talvez seja hora de voltar à uma terapia regular, com a família inclusive. Para perceber que você está de novo se infantilizando – acredito que toda drogadição é um tipo de infantilização que não te permitir tomar decisão para o grupo mas sempre para si – mas esse processo acontece no contexto familiar. Esses pais, esse cônjuge, esses filhos aprendendo uma vida de abandono, porque o que acontece é que o usuário cria um vínculo afetivo com a droga e sente falta disso quando os vínculos familiares não estão atendendo a necessidade desta “criança” que volta querendo o brinquedo que a machucou a um tempo atrás. E acredite, poucos laços são tão profundos quanto o que acontece entre o usuário e a substancia que o dá prazer e tanta dor.

Família, estejam atentos aos sinais. Converse com o seu membro que foi usuário e hoje está em remissão com esse hábito. Você que está com o desejo de testar se já consegue usar “socialmente” não acredite nisso. Converse com sua família. Isso pode te salvar de um período de desequilíbrio emocional e tanto prejuízo para sua casa, seus negócios e seu futuro.  

Cleydemir Santos.

Psicólogo, terapeuta de casais.

Especializado em psicodrama e TCC.

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