O FIM É APENAS O COMEÇO!

Por 15/10/2025No Comments5 min de leitura
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Terminamos uma viagem em família e a primeira pergunta que surge é: qual será o destino da próxima viagem? Essa pergunta mostra o quanto foi bom esse tempo com minha esposa e nossos filhos.

O fim de uma etapa é apenas o começo de outra. O fim da infância é o início da adolescência. Terminados os estudos secundários, é hora de buscar uma profissão universitária. Encerrada a época de viajar apenas o casal, vamos esperar o tempo de ter recursos e tranquilidade para viajar com os filhos.

Pelo menos deveria ser assim. Um ciclo que termina — que deixa saudade, que faz pensar, que traz a conta, que gera avaliação — é apenas uma porta que se abre para outra etapa, que não será melhor ou pior, pois não tem a ver com essa dicotomia, mas com o que plantei e com o que vou colher.

Gastei mais do que podia na viagem? Escolhi um destino muito caro? Deixei de avaliar o clima e, por isso, não estava preparado para o frio na Europa ou o calor no Egito? Me envolvi com companhias equivocadas que fazem qualquer destino ou estação se transformar em tempestades frias e noites longas? Fiquei mais tempo do que deveria e, por isso, perdi prazos e oportunidades?

As respostas a essas perguntas já estavam claras e deveriam ser percebidas e enfrentadas antes de viajar. Às vezes é tão óbvio que fugimos delas por falta de coragem de encarar as consequências. Mas, de todo jeito, elas virão — seja porque viajei, seja porque adiei.

De fato, qualquer coisa em família deveria ser assim. Jesus alertou sobre o risco de começar uma torre sem contar os tijolos e depois passar vergonha por não conseguir terminar. A família precisa de projeto.

O que vocês querem para a próxima etapa? Querem mesmo porque é prioridade de vocês ou porque está na moda? É continuidade de um plano com a bênção de Deus e muito trabalho ou uma compulsão de fazer coisas para melhorar o relacionamento, ou ainda para encher um vazio que está entre vocês?

Quando as coisas estão ruins, temos que parar, reavaliar essa etapa e planejar, juntos, uma saída. Temos que parar — e perder.

Perder? Sim. Quem deseja viver em família precisa conjugar com expertise esse verbo. Importa perder, no sentido de investir sem esperar retorno, de dar o seu melhor acreditando que o fruto dessa doação pode ser muito bom — ou não. De fato, não há garantia.

Plantar não é o ato de pegar a melhor semente e “perdê-la” em uma terra na qual você já havia perdido/investido tempo limpando e regando? O nome disso é amor — e amar é um investimento de fé, não de garantias.

Rubem Alves, dialogando sobre amar sem esperar retribuição, argumenta sobre algo que acontece com frequência:

“Um dos parceiros, inundado pelo sentimento amoroso, transforma-o numa cachoeira de gestos amorosos que inunda o outro com ameaça de afogamento”.

Um sentimento amoroso não pode ser confundido com uma relação amorosa. Esta, sim, sustenta o casamento e o prazer nele. Portanto, planejem juntos sem afogar o outro, sem inundar a terra onde você colocou a semente — senão ela pode apodrecer, em vez de produzir qualquer coisa boa. Isso vale para o casal e para a relação com os filhos.

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O que desejamos para eles não virá de graça; deve ser planejado, e um preço será pago. Perder a vida e o nosso tempo investindo neles o nosso melhor — e o nosso melhor nunca será dinheiro ou coisas — pode ser muito gratificante na hora da colheita. Nosso sentimento amoroso, por si só, também não será suficiente. Precisamos trazê-los para a relação amorosa, onde aprenderão desde cedo a arte de perder para ter sempre o que perder, ou seja, o que plantar, porque colheram.

Então, faça as perguntas antes. Não por desconfiança, mas por planejamento. Não por medo, mas para aproveitar o melhor dessa viagem que é a vida em suas várias etapas; para desfrutar desse prazer que é estar com alguém em um projeto que vai durar a vida toda, com diferentes roteiros.

Case-se e tenha filhos. Tenha mais de um. Afinal, entre ganhar um presente caro para brincar sozinho ou um presente simples que permita brincar com alguém, qualquer criança vai preferir ter companhia a estar sozinha com coisas caras. Sonhe e planeje um futuro abençoado, que acontece a partir de um presente no qual você abençoa, doa, perde. Um futuro em que você acredita porque tem um presente que você curte, que você investe.

Que o preparo seja tão prazeroso quanto o desenrolar do projeto, mesmo que nenhuma etapa seja fácil. Que o sonhar, o realizar e o lembrar sejam estimulantes e agradáveis.

Boas viagens!

Cleydemir Santos

Psicólogo Clinico, terapeuta de casais.

Especialista em Terapia Sistêmica, Psicodrama e TCC.

31.99515-2348

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