
Os votos matrimoniais e o medo moderno do amor
Ouvi, esses dias, as estatísticas sobre o número de divórcios que aumentou muito no Brasil, sobre os casamentos civis que diminuíram drasticamente e sobre o crescimento das uniões estáveis. Lembrei-me então de uma amiga muito sábia que disse, com pesar:
“Os votos matrimoniais são um absurdo!”
Fui conversar com ela, curioso, e ela me explicou seu raciocínio:
“Duas pessoas jovens e imaturas fazem um compromisso para que outras duas pessoas — elas mesmas no futuro — o cumpram. Mas no futuro, não seremos mais quem somos hoje.”
Sim, somos seres mutantes!
Mas ela completou, com lucidez:
“Por mais absurdos que sejam os votos matrimoniais, justamente por sermos mutantes, eles são tão importantes e necessários. Funcionam, afinal, como âncoras, para que não saiamos de órbita.”
Recentemente, citei Stephan Kanitz, casado há 52 anos, que defende os votos matrimoniais afirmando com ironia e sabedoria:
“Estatisticamente, o homem ou a mulher ‘ideal’ para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento. O ideal, então, na tentativa de encontrar alguém ideal, seria casar após os 80 anos, porque assim teremos menos chance de errar.”
As pessoas estão com medo de se casar.
Não querem correr riscos.
Os casados, por sua vez, têm medo de se entregar um ao outro — com medo de perder seus direitos ou a própria felicidade.
Na tentativa de lutar por sua liberdade, perdem o direito ao companheirismo.
Na expectativa de encontrar alguém que “mereça”, deixam de conhecer quem já escolheram.
Em busca da grama mais verde, deixam de cuidar do próprio jardim.
E o tempo passa.
E a maternidade (ou paternidade) se torna mais difícil mais tarde.
Ouvi recentemente:
“Não quero ficar sozinha (ou sozinho), mas não quero mais esse casamento.”
Quando olho para o lado, vejo o cônjuge que também não quer ficar só, não quer perder aquela mulher, mas já tomou atitudes impensadas: envolveu-se com alguém, alimentou vícios que minam a segurança do parceiro.
E, juntos, me falam sobre dois filhos para os quais procuram psicólogos.
Essas crianças não têm problemas — elas apenas refletem as inseguranças do casal.
O que está faltando nessas relações?
1. Fundamentos.
Olhar para o relacionamento com a intenção de morrer para si mesmo, para renascer casado.
Nesse processo, o egoísmo precisa morrer.
A expectativa infantil de que o outro fará por mim, perdoará minhas “meninices” e limpará minhas “sujeirinhas” precisa desaparecer.
Fundamento é base — onde enterro o que deve ficar no passado para sustentar o edifício chamado família.
Aquilo que foi enterrado não pode voltar à tona, ou toda a estrutura corre risco.
2. Intencionalidade nos votos.
Perseverar no “até que a morte nos separe”.
Aprender resiliência, pois sempre haverá “saúde e doença, pobreza e riqueza” na caminhada.
3. Coragem para perdoar.
Porque nos casamos com pessoas comuns, que erram como qualquer outra pessoa comum.
Não acredito que o casamento vá acabar.
Acredito que estamos vivendo um momento de medo e resistência, que logo passará — porque o relacionamento é da nossa essência, é questão de sobrevivência.
Esse movimento de afastamento da família é como o de um adolescente rebelde: temporário.
E, entre o “absurdo” dos votos matrimoniais e o “absurdo” da busca frenética que termina em solidão, acredito que o ciclo da história nos levará de volta ao lar.
Enquanto isso, vá para a terapia.
Isso ainda está nas suas mãos.
Cleydemir Santos
Psicólogo • Terapeuta de Casais
(31) 99515-2348
Veja outras matérias como esse no nosso site: https://socialyte.com.br/categorias/noticia/dora-chaves/
Fique por dentro de tudo que acontece na nossa região clique e entre para nosso grupo exclusivo: Clique Aqui

O que está faltando nessas relações?



