GRAÇAS A DEUS POR MINHA SERTRALINA

Por 11/02/2026No Comments5 min de leitura
cloridrato de sertralina

Ouvi de um cliente essa frase em tom de brincadeira, mas me fez pensar: sertralina, rivotril, pregabalina,  lithium,  quetiapina e outros nomes tão comuns hoje em dia em nossas casas principalmente com a idade chegando. Fora os usos indevidos  – nem quero me reportar a eles hoje – gostaria de conversar com você que usa ou que está em volta de quem faz uso de medicação, seja ela qual for, porque isso afeta em muito os relacionamentos.

Primeira observação: só o médico pode receitar um remédio para você. Não é um hobby, é o trabalho dele. Por favor não mexa no trabalho dos outros, ou seja, se o médico incluiu um remédio deixa para ele tirar o remédio; nós não devemos nem incluir nem tirar, nem manipular a orientação do médico. Devemos com certeza falar com o profissional tudo o que estamos sentindo e desde quando, para que ele tenha uma boa leitura do caso e subsídio para fazer uma boa prescrição para nós. Obviamente, se você não confia no profissional, deve buscar outra leitura do quadro que está vivendo.

Segunda observação: tenha paciência, principalmente referindo-se a remédios psiquiátricos. Raramente em uma primeira consulta vão acertar qual tipo de substância vai ser bom para seu organismo. Haverá tentativa e erro até encontrar a dose certa da droga indicada para você. No retorno, fale tudo o que sentiu, toda mudança no seu organismo, positiva ou negativa, para troca da substância ativa ou atualização da dose.

sertralina

Terceira observação: devemos respeitar a limitação que a vida nos impõe, quer seja por causa de uma enfermidade ou por causa de uma medicação. Se não pode dirigir, não dirija. Se a pessoa perto de você está se adaptando a uma medicação, tenha paciência. Com o tempo, nosso reflexo, nossa rapidez, nossa libido, nossa visão, tudo sofre alteração e na maioria das vezes é diminuindo. Me lembro de minha mãe com 85 anos dizendo que “quando ficar velha” não terá esse ou aquele comportamento. Ela mesma tem dificuldade para reconhecer a idade que tem e os limites que já lhe foram impostos. 

Quarta observação:  quando temos um problema bem diagnosticado, não ficamos necessariamente “viciados no remédio” como muitas vezes ouvimos. Às vezes, descobriu-se o que nos faltava e o remédio completa isso. Por exemplo, uma pessoa diagnosticada com diabetes tipo 1 vai ter que tomar insulina porque o seu pâncreas já não funciona. Essa pessoa não está “viciada” em insulina. Essa é a substância que lhe falta. Tomar todo dia na dose prescrita vai gerar equilíbrio em todo o funcionamento daquela pessoa. Ficar sem a medicação vai gerar exatamente o contrário. Isso não é síndrome de abstinência. É a exposição a um quadro de ausência do que é básico para um bom funcionamento físico. Imagine uma substância que falta para o bom funcionamento cerebral. Se pudermos incluir na nossa rotina teremos mais equilíbrio do que tentar viver sem isso. 

 Por último, nenhuma medicação por si só te ajuda se não houver mudança radical na sua vida.  Cada vez que você inclui algo significativo e sério na sua vida, por uma questão homeostática, deve ser excluído da mesma vida, alguma coisa significante e séria. Quando você se casa, por exemplo, você inclui uma pessoa em uma aliança profunda em sua vida. Você deve abrir mão da aliança que tinha com sua família de origem. Não o cuidado e respeito, mas a aliança deve ser quebrada lá para gerar um laço forte aqui.  com a medicação é assim também. Talvez esteja na hora de parar de beber. Dormir com mais regularidade. Mudar sua forma de se relacionar com o alimento. Trabalhar menos. Se exercitar com responsabilidade. fazer terapia, por que não?

E se você está perto de alguém que vai tomar uma medicação para a vida, como é o caso de muitos, você precisa ajudar. Sem preconceito com medicação, sem facilitar o boicote que muitas vezes o paciente vai tentar fazer e passa por sua anuência, aceitar as limitações durante a adaptação e a nova rotina que virá em seguida. O nome dessa atitude é amor. Amar é cuidar, é doar seu tempo, é fazer com que a transição que a pessoa amada enfrenta não seja recebida como um peso mas como parte da caminhada que decidiram fazer juntos.

Vida longa e saudável para sua família! 

 

Cley

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demir Santos 

Psicólogo sistêmico, terapeuta de casais.

Especialista em Psicodrama e TCC – Terapia Cognitivo Comportamental. 

31.99515-2348

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