
DESPEDIDA(S)
Depois de 12 dias de viagem em família, começaram as despedidas. Ele ficou no aeroporto em Zurique. Ela veio conosco e a deixamos em sua casa, em Belo Horizonte. Terminamos como começamos a viagem: nós dois. Não “só nós dois”.
Um assunto recorrente quando falamos a casais é o famoso “ninho vazio”. Quando os filhos ficam adultos e partem. Quando usam as próprias asas e as próprias bússolas. Não controlamos mais, nem o destino nem a velocidade, até porque, de fato, a vida pertence a Deus do início ao fim e, se a gente não atrapalhar muito, as coisas se ajeitam.
Criar filhos não é difícil, mas não é brincadeira. Leve a sério. Pague o preço. Confie. Na ordem inversa de preferência.
Mas a síndrome do ninho vazio não trata sobre os que voam, e sim sobre quem fica; sobre o que construíram para si; do patrimônio emocional que o casal multiplica ou deteriora ao longo da vida. A rotina, os desafios de cada etapa, a natural imaturidade dos primeiros anos, dinheiro faltando ou sobrando — não sei o que é mais arriscado —, as frustrações de perceber a diferença entre o nosso cônjuge e a nossa fantasia sobre ele!
O número de “divórcios prateados” aumenta. Pessoas de cabelos branqueados pela idade não enriqueceram a relação. Quebraram. De fato, o divórcio e o novo casamento são inevitáveis. Mas não no cartório, não do pai ou da mãe de seus filhos, e sim da fantasia. Esta é infantil e egoísta. Nenhuma pessoa real caberia nela. Essa despedida é necessária.
Divorcie-se. E isso exige coragem e maturidade. Em seguida, case-se de novo com a pessoa que você escolheu para amar algumas décadas atrás. Com quem você já caminhou uma vida. Abra o coração para conhecê-la. Deixe-se conhecer sem medo. Isso é amor!
Se isso acontecer, nunca haverá ninho vazio. Usando essa viagem como exemplo: saímos os dois de casa, nos encontramos com eles em aeroportos, nos despedimos no final em aeroportos e voltamos juntos para casa. Éramos dois no início. Somos dois no final.
Parafraseando Kahlil Gibran, “Deus ama a flecha que voa e o arco que fica”. Enriqueça sua relação. Deixe-os ir e curta cada oportunidade que tiverem nas encruzilhadas da vida.
Cleydemir Santos é psicólogo sistêmico, terapeuta de casais especializado em Psicodrama e Terapia do Esquema. (31) 99515-2348
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