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DESACERTOS DO AMOR – E NÃO É NOME DE FILME!

Por 01/07/2026No Comments5 min de leitura
amor a dois

Três semanas depois do Dia dos Namorados, em plena Copa do Mundo de Futebol, ainda escuto no consultório algumas reflexões fruto de frustrações sobre a data. Presentes comprados com carinho foram recebidos com desdém. Presentes desejados com ansiedade foram esquecidos. As 168 horas que aquela semana teve não foram suficientes para investir 15 minutos em um supermercado para comprar uma caixa de bombons ou um desodorante em um pacote legal.

Ela comprou o presente dele e ficou na expectativa. Ele chegaria e a presentearia com algo significativo; afinal, não era só um Dia dos Namorados, era o primeiro depois de um retorno que levou meses para acontecer. Guardou o presente dele com cuidado… e ele chegou! Sem presente. Com uma boa desculpa, afinal, “tinha sido uma semana cheia no trabalho”. Com certeza compraria um presente para ela depois. Só que já não teria valor nenhum.

Vamos separar as coisas. Todos nós sabemos que essa data tem uma super exploração do comercio, as vendas são agressivas e se paga mais caro. Ninguém é obrigado a estar na agenda do comercio para ser um bom parceiro. Tenho uma família de amigos onde eles criaram uma agenda alternativa. Ao invés dessa agenda comercial, eles geraram entre si motivos para comemorar ao longo do ano. Mas quando alguém sair desse sistema vai ter que combinar de novo com o cônjuge como vai ser a agenda da nova família. As coisas velhas tem que ficar para trás, mesmo o que é bom, pois, agora, tudo se faz novo e tem que ser construído do zero.

Inesquecível nosso tempo no Canadá – foram 8 anos – em que tínhamos o Valentine’s Day em fevereiro, quando a cultura local e o comercio caiam em cima, e o dia dos namorados em junho, em que a saudade e a cultura interna pegavam ainda mais pesado!

Enquanto isso, fica a expectativa. Namorados ainda não tem agenda e ficam à mercê do comercio mesmo. Uns levam tão a sério esperando uma prova de amor, outros nem tanto. Mas entre casados, o problema é maior. A rotina quebrou a expectativa entre alguns casais, o cansaço quebrou o investimento romântico em outros e ambos e perdem mais uma oportunidade de declarar a importância que um tem para o outro.

Alguns trazem presentes para consertar falta de presença. Adianto que não resolve. Outros acham que a convivência substitui presença e passam juntos todo o dia, no mesmo espaço, na casa dos pais, no bar com amigos e não entende como o outro que ganhou presente, que passou o dia todo no mesmo espaço, reclama de “tempo de qualidade”. Medo de encarar ou de ser encarado. Autoestima que ainda sustenta um olhar nos olhos do cônjuge. Presente não substitui presença. Convivência não substitui presença, que se consolida em tempo de qualidade.

 Outros não trouxeram nada por vingança. “Fulano não foi legal comigo essa semana”. “Ela não tinha o direito da postar aquela foto”. “Ele não mereceu”. Ora, uma relação saudável não é um relacionamento perfeito, mas o resultado de um bom “combinado”. Que seja claro. Que seja realizável. que seja leve. que seja prazeroso. Tenho visto pessoas disseram “hum, hum”, só para acabar a discussão porque a régua às vezes é tão elevada e vai ter B.O. novo na primeira dificuldade que surgir porque, o combinado não atendeu aos dois, mas apenas ao que estava mais exaltado na última conversa. 

Dito isso, fica a dica. Combinem. O combinado não é caro. Não definam ao sabor do comercio mas também não deixem a mesquinhes – maldita mão de vaca – afetar a relação de vocês. Vou encerrar alterando o título deste texto, afinal, não são desacertos do amor, mas desacertos no amor. Nossos desacertos. Ainda bem que em cada desacerto tem um acerto no final da palavra!

Cleydemir Santos é Psicólogo Sistêmico. Terapeuta de casais, é especialista em Psicodrama e TCC – Terapia Cognitivo-comportamental 

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