
Já estamos no meio do famoso janeiro branco. Todas as expectativas para o ano que já é 15 dias menor e a conta que está 15 metros maior, mostram que muitos desejos não serão alcançados. Sem falar da condição política de nosso país! Isto aumenta a ansiedade, adianta a frustração, atrapalha o sono, quebra a produtividade que é tão necessária para fazer a maquina funcionar e o que é mais afetado são os relacionamentos. Janeiro Branco? Tá tudo meio cinza já!
Janeiro branco. “Trata-se de movimento social e cultural que ocorre em janeiro para promover a saúde mental e emocional, incentivando a reflexão, o diálogo e o cuidado com o bem-estar psicológico, quebrando tabus sobre ansiedade, depressão e outros transtornos, com ações que buscam sensibilizar a sociedade e influenciar políticas públicas para criar ambientes mais saudáveis”.
Vou revelar um truque magico contra a ansiedade: falar! Você vai pensar assim: então algumas pessoas faladeiras nunca seriam ansiosas? Não. Na maioria das vezes, Só falar como um louco resolve? Não, o mesmo canal que traz vida pode trazer morte. “A vida e a morte estão no poder da língua”, já abordava os provérbios de Salomão e entre a cura e o envenenamento, a dose certa faz a diferença.
Então, vá buscar um psicólogo, um profissional competente para falar de sua saúde emocional. Vá buscar um médico se sua saúde mental já está debilitada. Vá buscar uma assessoria jurídica se você tem questões financeiras ou jurídicas pendentes, busque um advogado se está se sentindo injustiçado de alguma maneira. Falar e falar e falar, aqui e acolá com qualquer um vai aumentar seus problemas. Falar com a pessoa certa, na dose certa de confiança vai te ajudar.
É muito importante nos conscientizarmos sobre a importância da saúde mental. É imprescindível refletir sobre a vida, as emoções e os relacionamentos. Vale a pena fazer diálogos profundos sobre o sofrimento psíquico e bem-estar. Tudo isso é promoção e cuidado da mente, como parte da sua saúde integral.
Às vezes a questão é mais séria, pois temos uma série de transtornos mentais que nos acompanham, de geração em geração e eles geram mais frustração para os cônjuges e filhos. É preciso que a pessoa que detém o transtorno e as pessoas em volta consigam nomeá-lo para bem lidar com ele. Precisamos saber definir para nunca confundir a condição cognitiva da saúde mental.
Tem pessoas de condição cognitiva bem limitada e saúde mental equilibrada e vice-versa. Precisamos conhecer nossa condição cognitiva para termos boa saúde mental. Precisamos respeitar a condição cognitiva de nossos pares e filhos, para não gerar uma expectativa que sempre traz consigo a frustração. Se estivermos conscientes disso, não vamos gerar uma cobrança exagerada causando peso na vida do outro a quem amamos. Amor mata sabia? E a boa comunicação define a dose para que o amor seja amor e não veneno.
Uma condição cognitiva é uma condição permanente da identidade do indivíduo e vai demandar ambiente e estimulo específico de acordo com cada situação. Detectar um espectro autista na primeira infância é mais fácil do que em um adulto. Estimular na criança autonomia é muito mais tranquilo do que cobrar do adulto dentro do mesmo espectro a iniciativa, a independência e organização. As vezes você está casado(a) com alguém e depois de um filho com uma determinada condição cognitiva, você descobre que seu cônjuge tem a mesma característica. Você respeita e estimula seu filho mas se frustra e aumenta a expectativa em cima do cônjuge. A saúde mental dos três vai se desequilibrar.
Devemos então aproveitar o janeiro branco, antes que ele acabe, e começar a nomear nossa ansiedade, respeitar nossos limites e buscar a ajuda que temos disponível para nós. Pode não ter tudo o que precisa por ai, mas temos boas iniciativas em alguns órgãos públicos e religiosos para começar. Se pode pagar, melhor ainda, mas não perca tempo. A ansiedade é um sofrimento que não se mede, mas que pesa muito para quem carrega. Viaje leve, pois a vida já traz consigo muitos desafios.
Cleydemir Santos
Psicólogo Sistêmico – Terapeuta de casais
Especialista em Psicodrama e TCC.
31.99515-2348
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