VISÃO ALÉM DO OLHAR: O ACOLHIMENTO E OS DIREITOS DO ALUNO CEGO OU COM BAIXA VISÃO NA ESCOLA.

Por 04/05/2026No Comments5 min de leitura
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No dia 7 de maio, celebraremos o Dia do Oftalmologista, uma data que nos convida a refletir não apenas sobre a saúde ocular e a prevenção à cegueira, mas também sobre como nossa sociedade acolhe aqueles que vivenciam o mundo com deficiência visual ou baixa visão. No ambiente escolar, essa reflexão deve se transformar em ação, garantindo que a inclusão seja uma prática diária e um direito inegociável.

Quando falamos da inclusão de alunos com deficiência visual, o primeiro passo é compreender que a condição não define a capacidade de aprendizado de uma criança. O que dita o sucesso escolar desse aluno é o ambiente: ele precisa ser acessível, acolhedor e preparado para oferecer os estímulos adequados.”

O acolhimento e a linguagem das bengalas.

Receber um aluno cego ou com baixa visão exige adaptações físicas e, acima de tudo, atitudinais. O aluno precisa de tempo para mapear a escola, e a comunidade deve adquirir o hábito de se identificar ao falar, substituindo expressões como “aqui” ou “ali” por direções precisas (“à sua direita”, “em frente”).

Para além dos muros da escola, o acolhimento passa pela informação. Você sabia que as bengalas utilizadas possuem cores específicas para orientar quem está ao redor?

  • Bengala Branca: indica cegueira (ausência total de visão);

  • Bengala Verde: sinaliza baixa visão (presença de algum resíduo visual);

  • Bengala Branca e Vermelha: identifica a pessoa com surdocegueira (perdas visuais e auditivas concomitantes).

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O direito ao profissional de apoio escolar.

No cotidiano escolar, uma dúvida frequente é se o aluno cego tem direito a um assistente exclusivo. A Lei Brasileira de Inclusão garante o profissional de apoio escolar, cuja função é auxiliar na alimentação, higiene e locomoção.

Entretanto, esse profissional não substitui o professor regente. A responsabilidade pela aprendizagem é do professor da sala, em parceria com o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que garante a adaptação de materiais (em relevo, fontes ampliadas, áudio ou Braille) e fomenta a autonomia do estudante.

A força da rede de apoio em Ipatinga: O papel do CENAM.

Para que a inclusão aconteça na prática, é fundamental contar com equipamentos públicos estruturados. Em nossa rede municipal de Ipatinga, temos um grande aliado: o CENAM (Centro de Atendimento Multidisciplinar Hebert de Souza).

Localizado no bairro Novo Cruzeiro, o CENAM é um polo de apoio pedagógico complementar essencial. Muito além de atender alunos com dificuldades de aprendizagem, TDAH ou dislexia, a instituição oferece oficinas especializadas indispensáveis para a inclusão da pessoa cega ou com baixa visão. O centro disponibiliza o ensino do Sistema Braille, o acesso contínuo à Tecnologia Assistiva, oficinas de Psicomotricidade e cultura digital, além do ensino fundamental de Matemática com o uso do Soroban. Esse conjunto de ações assegura que o estudante desenvolva sua leitura, raciocínio lógico e, principalmente, a sua independência.

Um alerta aos pais: A prevenção é o melhor cuidado.

Muitas famílias têm dúvidas sobre quando levar a criança ao oftalmologista. O que poucos sabem é que muitos problemas de visão (que impactam diretamente na aprendizagem) começam cedo e sem sintomas. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a de Oftalmologia Pediátrica recomendam:

  • Ao nascer (até 72h): O teste do Olhinho na maternidade é obrigatório para detectar doenças graves;

  • Até os 3 anos: o pediatra deve avaliar a visão nas consultas de rotina. Um exame oftalmológico completo entre os 6 e 12 meses já é altamente recomendado;

  • Aos 3 anos de idade: todas as crianças devem fazer um exame oftalmológico completo. É nesta fase que prevenimos e tratamos problemas como o estrabismo, a necessidade de óculos e a ambliopia (o “olho preguiçoso”, que pode causar perda visual permanente se não tratado).

A verdadeira inclusão e o sucesso escolar começam na prevenção e no olhar atento. E quando compreendemos que o sistema deve estar pronto para abraçar a diversidade humana, transformamos a realidade.

Nossa jornada de reflexões sobre educação e inclusão não para por aqui. Deixo um abraço afetuoso a cada um de vocês que acompanha a nossa coluna e constrói, no dia a dia, um ambiente mais empático. Nos encontramos na nossa próxima edição para darmos continuidade a temas relevantes, que tanto transformam a nossa sociedade. Até lá!

Ligiane Santos/ Psicopedagoga

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