OS 5 MELHORES FILMES QUE ASSISTI NESTE 1º SEMESTRE

Por 24/07/2026No Comments16 min de leitura
OS 5 MELHORES

Há quem diga que o cinema vive uma crise de criatividade. Outros afirmam que as grandes histórias ficaram no passado e que os estúdios estão cada vez mais dependentes de franquias, remakes e continuações. Fato é que são mesmo poucos filmes que conseguem se destacar da quantidade absurda de produções lançadas, principalmente após a propagação dos canais de streaming. E o primeiro semestre de 2026 salienta esta percepção com uma quantidade limitada de obras que realmente me chamaram a atenção.

Em meio a produções gigantescas, adaptações de outras mídias, dramas intimistas e filmes capazes de emocionar espectadores dos mais diferentes perfis, encontrei obras que me fizeram lembrar por que continuo apaixonado pela experiência de sentar diante de uma tela e simplesmente me deixar levar por uma boa história.

Esta lista reúne, portanto, os cinco filmes que mais me marcaram entre janeiro e junho de 2026. São longas bem diferentes entre si, mas que têm algo em comum: todos conseguiram me envolver por razões distintas, seja pela força de seus personagens, pela qualidade técnica, pela emoção ou pela capacidade de permanecer na memória muito tempo depois dos créditos finais.

Cabe aqui também salientar que só elenquei os filmes que efetivamente assisti até junho, deixando de fora da lista longas como Boa Sorte, Divirta-se, não Morra, Backrooms: Um Não-Lugar e O Convite.

Se você ainda não assistiu a algum deles, considere esta uma excelente oportunidade para colocá-los na sua lista.

DAVI – NASCE UM REI (David, 2026)

Davi Nasce um Rei Divulgacao Heaven Content e 360 WayUp 2

Divulgação: Heaven Content / 360 WayUp

Onde assistir: Netflix

Gênero: Animação | Épico bíblico

📊 IMDb: 7,5/10
🍅 Rotten Tomatoes: 76% (Crítica) | 98% (Público)

Sinopse: A animação acompanha o jovem pastor Davi (vozes de Brandon Engman Phil Wickham), um garoto improvável escolhido para enfrentar desafios gigantescos — literalmente. Enquanto foge da sombra de seus irmãos e do temido rei Saul (voz de Adam Michael Gold), Davi descobre que coragem, fé e liderança nascem muito antes da coroa, em uma jornada que o conduzirá ao seu destino como rei de Israel.

Roteiro: Malcolm Spellman, Dalan Musson

Direção: Julius Onah

Elenco principal: Brandon Engman (jovem Davi), Phil Wickham (Davi adulto), Adam Michael Gold (Rei Saul), Brian Stivale (Profeta Samuel), Mark Jacobson (Jônatas), Kamran Nikhad (Golias)

💡 POR QUE ESTE FILME ENTROU NA MINHA LISTA?

Esta ótima animação, produzida pela Angel Studios (a mesma da série The Chosen), aposta numa abordagem mais humana e intimista da figura bíblica do Rei Davi, concentrando-se em seu processo de formação durante a infância e a juventude. A narrativa acompanha a transição de um jovem improvável ao centro do poder, explorando conflitos internos, dilemas morais e o peso da responsabilidade antes mesmo da coroa. O filme encontra força ao tratar a ascensão de Davi como uma jornada marcada por escolhas difíceis, fé, medo e amadurecimento, evitando transformá-lo em um herói idealizado desde o início.

O elenco sustenta bem essa proposta, com destaque para Brandon Engman e Phil Wickham, que dublam Davi em suas versões criança e jovem, e também para o dublador brasileiro João Vítor Mafra, entregando atuações sensíveis e progressivas, muito alinhadas à evolução emocional do personagem. As figuras ao redor — profetas, líderes e rivais — enriquecem o drama ao representar diferentes visões de poder, fé e ambição. Visualmente sóbrio e narrativamente focado nos personagens, Davi – Nasce um Rei se destaca como um épico contido e reflexivo, mais interessado na construção do homem por trás do rei do que em simplesmente enaltecer o famoso governante de Israel.

A animação é uma das mais belas dos últimos anos, e os traços dos personagens se encaixam muito bem na trama e no tom épico, ainda que intimista, da história contada. Os cenários, os figurinos e até as músicas são encantadores, tornando o longa animado uma das mais gratas surpresas deste ano.

É, enfim, uma ótima animação para crianças que não ignora a atenção dos adultos com uma belíssima história.

DEVORADORES DE ESTRELAS (Project Hail Mary, 2026)

Divulgação: Sony Pictures

Divulgação: Sony Pictures

Onde assistir: Prime Video e MGM+

Gênero: Ficção Científica | Aventura | Drama

📊 IMDb: 8,2/10
🍅 Rotten Tomatoes: 95% (Crítica) | 95% (Público)

Sinopse: Em uma missão considerada a última esperança da humanidade, o brilhante professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) desperta sozinho a bordo de uma nave interestelar, sem qualquer lembrança de quem é ou de como foi parar ali. À medida que suas memórias retornam, ele descobre que recebeu uma tarefa praticamente impossível: encontrar a origem de um fenômeno cósmico capaz de extinguir a vida na Terra. Enquanto revive os acontecimentos que o colocaram sob o comando da implacável cientista Eva Stratt (Sandra Hüller), Grace precisa confiar em sua inteligência, criatividade e coragem para enfrentar o desconhecido.

Roteiro: Drew Goddard, baseado no romance de Andy Weir

Direção: Phil Lord e Christopher Miller

Elenco principal: Ryan Gosling (Ryland Grace), Sandra Hüller (Eva Stratt), Milana Vayntrub (Olesya), Lionel Boyce (Carl), Ken Leung (Yao)

💡 POR QUE ESTE FILME ENTROU NA MINHA LISTA?

Costumo dizer que a melhor ficção científica não é aquela que impressiona apenas pelos efeitos especiais, mas a que desperta nossa curiosidade e nos faz imaginar como agiríamos diante do desconhecido. Assim como os recentes filmaços Interestelar (2014) e Perdido em Marte (2015), Devoradores de Estrelas faz exatamente isso. E digo mais: até o momento, este é, em minha humilde opinião, o melhor filme do ano.

Mesmo apresentando conceitos científicos complexos, o roteiro baseado no livro homônimo de Andy Weir (também autor do livro que inspirou Perdido em Marte) nunca se torna excessivamente técnico. Pelo contrário: tudo é explicado de maneira orgânica, acompanhando as descobertas do protagonista e permitindo que o espectador participe daquela gigantesca quebra-cabeça espacial.

Ryan Gosling entrega uma das atuações mais carismáticas de sua carreira. Seu personagem é inteligente, bem-humorado e profundamente humano. Em vários momentos, o filme alterna tensão, humor e emoção com uma naturalidade impressionante.

Mas existe um elemento que eleva este filme a outro patamar e que prefiro não revelar para preservar a experiência de quem ainda não assistiu. É justamente essa surpresa que transforma uma excelente aventura espacial em uma história sobre amizade, confiança e cooperação que dificilmente será esquecida.

Visualmente, o filme também impressiona. As sequências no espaço transmitem uma constante sensação de isolamento, enquanto os efeitos especiais servem à narrativa, sem jamais ofuscar os personagens.

Quando os créditos começaram a subir, tive a mesma sensação que experimentei ao assistir a outros clássicos modernos como os já citados mais acima: a de ter acompanhado uma ficção científica inteligente, emocionante e extremamente humana.

HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET (Hamnet, 2025)

Hamnet Divulgacao Universal Pictures

Divulgação: Universal Pictures

Onde assistir: Prime Video

Gênero: Drama histórico

📊 IMDb: 8,1/10
🍅 Rotten Tomatoes: 86% (Crítica) | 93% (Público)

Sinopse: O filme conta a história da esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), Agnes (Jessie Buckley), e sua luta contra a dor da perda do filho de 11 anos, Hamnet, para a peste, explorando como essa tragédia pessoal inspirou a criação da obra-prima Hamlet e aprofundando a figura do dramaturgo através do olhar de sua família, em especial de sua esposa.

Roteiro: Chloé Zhao, baseado no romance de Maggie O´Farrell

Direção: Chloé Zhao

Elenco principal: Jessie Buckley (Agnes), Paul Mescal (William Shakespeare), Joe Alwyn (Bartholomew), Justine Mitchell (Joan), Emily Watson (Mary), David Wilmot (John)

💡 POR QUE ESTE FILME ENTROU NA MINHA LISTA?

Este filmaço é um drama histórico de rara delicadeza, interessado menos em biografar Shakespeare e mais em investigar a origem íntima da criação artística do clássico Hamlet. Sua força é construída a partir de uma encenação contida, de um ritmo contemplativo e da atenção rigorosa aos gestos mínimos, tratando o luto como experiência sensorial e transformadora. Ao evitar o melodrama e o didatismo, o longa convida o espectador a observar como a dor se converte em memória, e a memória, em arte — uma proposta que dialoga diretamente com o cinema autoral contemporâneo.

As atuações do elenco principal, Jessie Buckley (Agnes) e Paul Mescal (William Shakespeare) são também dignas de aplausos, realmente tocantes e impressionantes. Buckley oferece uma atuação extraordinária, transmitindo uma gama impressionante de emoções sem recorrer a grandes discursos. Seu trabalho é complementado por um Paul Mescal contido e igualmente brilhante, compondo um Shakespeare distante da imagem quase mítica que a História consagrou. Aqui, ele é apenas um homem tentando lidar com uma perda impossível de reparar. Não por acaso Buckley foi agraciada com o Oscar de Melhor Atriz.

A direção belíssima de Chloé Zhao, assim como a incrível direção de arte, os figurinos e o excelente roteiro adaptado escrito por Chloé Zhao e Maggie O’Farrell fazem desta obra um dos dramas mais inesquecíveis do ano.

OBSESSÃO (Obsession, 2025)

Obsessao Divulgacao Universal Pictures Brasil

Divulgação: Universal Pictures Brasil

Onde assistir: Prime Video (para aluguel ou compra)

Gênero: Terror | Drama Psicológico | Suspense

📊 IMDb: 7,9/10
🍅 Rotten Tomatoes: 94% (Crítica) | 94% (Público)

Sinopse: Depois de encontrar um misterioso artefato capaz de realizar um único desejo, Bear (MichaelJohnston) acredita finalmente ter encontrado a chance de conquistar Nikki (Inde Navarrette), a melhor amiga por quem nutre uma paixão silenciosa há anos. Mas o que parecia ser o início de um romance dos sonhos rapidamente se transforma em um pesadelo sufocante, quando o amor se converte em uma obsessão sobrenatural, apagando os limites entre afeto, possessão e horror. À medida que a realidade se distorce e cada escolha cobra um preço devastador, Bear precisa enfrentar as consequências de seu egoísmo antes que a força maligna destrua a vida de todos ao seu redor, incluindo seu melhor amigo Ian (Cooper Tomlinson), Sarah (Megan Lawless) e Carter (Andy Richter). Misturando terror psicológico, suspense sobrenatural e romance sombrio, Obsessão é uma inquietante reflexão sobre o perigo de tentar controlar os sentimentos de outra pessoa e prova que alguns desejos jamais deveriam ser realizados.

Roteiro: Curry Barker

Direção: Curry Barker

Elenco principal: Michael Johnston (Bear), Inde Navarrette (Nikki), Cooper Tomlinson (Ian), Megan Lawless (Sarah), Andy Richter (Carter)

💡 POR QUE ESTE FILME ENTROU NA MINHA LISTA?

Obsessão é a prova definitiva de que o horror original e autoral não precisa de orçamentos exorbitantes para funcionar — apenas de uma premissa afiada e execução cirúrgica. Curry Barker usa a metáfora clássica do “cuidado com o que você deseja” para construir um comentário ácido e aterrorizante sobre a masculinidade carente, a cultura da posse e o pavor de lidar com as consequências de nossas próprias fantasias. Com um orçamento pífio (para os padrões de Hollywood) de 750 mil dólares, este longa arrecadou absurdos 440 Milhões de dólares, quase 500 vezes o valor investido.

Com uma mistura impecável de momentos angustiantes de body horror e um humor sombrio quase desconfortável, o filme equilibra a tensão do início ao fim sem soar repetitivo.

Um dos grandes destaques vai para as atuações centrais, que transitam entre a vulnerabilidade patética e a insanidade desmedida à medida que a trama perde o controle. A atriz Inde Navarrette consegue transformar sua Nikki numa das personagens mais deslumbrantes do cenário atual de horror, apresentando a transição organicamente assertiva de uma jovem gentil e simpática para uma mulher ensandecida e obsessiva. Há, inclusive, rumores de que ela passou a ser cotada para assumir uma personagem dos X-Men na versão live-action da equipe da Marvel devido a sua performance impressionante neste filme.

Este é dos thrillers psicológicos mais originais, viscerais e perturbadores do ano, e merece seu lugar no ranking de melhores.

AS OVELHAS DETETIVES (Three Bags Full, 2026)

As Ovelhas Detetives Divulgacao Sony Pictures Releasing Brasil

Divulgação: Sony Pictures Releasing Brasil

Onde assistir: Prime Video

Gênero: Comédia | Mistério | Aventura

📊 IMDb: 7,4/10
🍅 Rotten Tomatoes: 95% (Crítica) | 96% (Público)

Sinopse: Quando o excêntrico pastor George Hardy (Hugh Jackman) é encontrado morto em circunstâncias misteriosas, ninguém imagina que as únicas testemunhas do crime são justamente seu rebanho. Lideradas pela curiosa e determinada ovelha Lily (voz de Julia Louis-Dreyfus), as inteligentes habitantes da fazenda decidem investigar o assassinato por conta própria, seguindo pistas, desvendando segredos e enfrentando situações tão perigosas quanto divertidas. Enquanto o atrapalhado policial Tim Derry (Nicholas Braun) tenta solucionar o caso pelos métodos convencionais, o improvável grupo de investigadoras lanosas descobre que, por trás da pacata vida no campo, escondem-se mentiras, interesses e revelações capazes de surpreender até mesmo os mais experientes investigadores.

Roteiro: Craig Mazin, baseado no romance de Leonie Swann

Direção: Kyle Balda

Elenco principal: Hugh Jackman (George Hardy), Julia Louis-Dreyfus (Lilly – voz), Bryan Cranston (Tião – voz), Chris O’Dowd (Mimoso – voz), Emma Thompson (Lydia Harbottle), Nicholas Galitzine (Elliot Matthews), Nicholas Braun (Tim Derry), Hong Chau (Beth Pennock), Regina Hall (Nuvem – voz), Patrick Stewart (Sr. Ranheta – voz), Molly Gordon (Rebecca Hampstead)

💡 POR QUE ESTE FILME ENTROU NA MINHA LISTA?

Se alguém me dissesse, há alguns meses atrás, que um dos filmes de que eu mais gostaria em 2026 teria um grupo de ovelhas como protagonistas de uma investigação policial, provavelmente eu duvidaria. Felizmente, As Ovelhas Detetives provou que boas histórias continuam surgindo das ideias mais improváveis.

O grande mérito do longa está justamente em nunca tratar seu conceito como uma simples piada. As ovelhas possuem personalidades próprias, enxergam o mundo de maneira completamente diferente dos humanos e utilizam sua lógica peculiar para montar um quebra-cabeça policial surpreendentemente envolvente. O resultado é uma narrativa que diverte crianças, conquista os adultos e ainda presta uma carinhosa homenagem aos romances clássicos de Agatha Christie.

O humor britânico funciona muito bem, mas o filme não depende exclusivamente dele. Existe uma delicadeza admirável na forma como aborda amizade, lealdade, envelhecimento e o sentimento de pertencimento. São temas apresentados com leveza, sem interromper o ritmo da investigação, tornando a experiência ainda mais rica.

Visualmente, a animação (com forte integração de computação gráfica e personagens digitais) é um espetáculo. As paisagens do interior britânico possuem um charme irresistível, enquanto a direção encontra soluções criativas para mostrar os acontecimentos sempre do ponto de vista do rebanho. Pequenos obstáculos para um ser humano tornam-se verdadeiros desafios para uma ovelha, e essa mudança de perspectiva rende algumas das melhores sequências do filme.

Outro aspecto que merece elogios é o elenco de vozes. Cada personagem ganha identidade própria, reforçando o excelente trabalho de caracterização realizado pelo roteiro.

Ao final da experiência, me vi com um sorriso no rosto e aquela agradável sensação de ter assistido a uma história inteligente, divertida e cheia de coração. Em uma época em que tantos filmes parecem seguir fórmulas prontas, somente para completar catálogos de streaming, As Ovelhas Detetives demonstra que criatividade ainda é um dos maiores ingredientes do bom cinema.

 

E você? Já assistiu a algum destes filmes? Quais constam na sua lista de melhores filmes deste 1º semestre do ano? Comente abaixo e compartilhe a matéria com seus amigos em suas redes sociais. Nos vemos na próxima matéria!

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