
A história de um dos principais gêneros do Cinema, que renasceu das cinzas e tem retornado com solidez nas telonas e, principalmente, nos streamings
Tendo nascido ainda na década de 70, precisamente em 1976, meu fascínio pelo universo Pop televisivo surgiu através dos inúmeros programas que passavam na TV aberta do final dos anos 70, e em especial, dos anos 80. Além dos desenhos animados, de séries nostálgicas, das novelas oitentistas, e dos vários filmes icônicos característicos da época, como Star Wars, Jerry Lewis e Indiana Jones, nunca me esqueci dos grandes filmes de faroeste que tive o prazer de conhecer.
Mesmo que o gênero já tivesse passado pelo seu auge na década de 60, era muito comum assistir a reprises de variados filmes de “bang-bang” nas Sessões da Tarde globais, ou nos Cinemas em Casa da emissora do Silvio Santos. E isso sem contar com os Corujões da madrugada. E por mais que, nas locadoras de filmes em VHS, eu desse preferência a filmes de ação, de terror, de aventura ou de ficção científica, sempre havia espaço para assistir, com meu saudoso Tio Hélcio, a algumas obras clássicas (e algumas bagaceiras) de western clássico e spaghetti.
A boa e nostálgica imagem de um cowboy solitário cruzando paisagens áridas sem fim representava mais do que um gênero de cinema: era um mito que parecia falar sobre coragem, sobre justiça e até sobre solidão. A poeira levantada pelos cavalos, os duelos sob o sol escaldante e a figura imponente de atores como John Wayne, Giuliano Gemma, Clint Eastwood, Terence Hill, Bud Spencer, Lee Van Cleef ou Gary Cooper marcaram um imaginário que parecia eterno. Era o bom, bruto e inóspito universo do Velho Oeste, que tinha toda uma atração mágica para as crianças da época.
O VELHO OESTE: HERÓIS, MITOS E LENDAS
Entre os anos 1930 e 1960, o faroeste clássico construiu o imaginário do “Velho Oeste”. Era a era de cowboys imponentes, xerifes incorruptíveis e duelos sob o sol do meio-dia. Filmes como No Tempo das Diligências (1939), Matar ou Morrer (1952) e Rastros de Ódio (1956) deram vida a personagens quase míticos, sempre em luta contra a barbárie, defendendo valores como honra, justiça e coragem. Surgiram também séries televisivas muito influentes, como Bonanza (1959-1973), James West (1965-1969) e Chaparral (1967-1971).

Jeffrey Hunter e John Wayne em Rastros de Ódio (1956) – Divulgação: Warner Bros. Pictures
Nessas narrativas, com diretores icônicos como John Ford, Don Siegel, Anthony Mann, dentre vários outros, o Oeste era um palco de aventuras grandiosas, onde o homem bom se erguia contra o caos para fundar a civilização. A simplicidade dos conflitos — mocinhos contra bandidos fora-da-lei, civilização contra selvageria — servia como espelho de um ideal americano de progresso e bravura.
Principais características do Faroeste Clássico:
- Ambientação no Velho Oeste: Os cenários eram em cidades pequenas, saloons, desertos, pradarias, fronteiras e fortes militares, retratando o período entre meados do século XIX e início do XX, geralmente após a Guerra Civil Americana.
- O herói arquetípico: Normalmente um homem solitário, justo e habilidoso com armas, muitas vezes como um forasteiro que chega para restabelecer a ordem ou para vingar uma injustiça, como o astro John Wayne em Rastros de Ódio (1956).
- Conflito moral entre civilização e selvageria: Sempre colocava em choque a lei e a ordem contra o caos, os colonos contra os nativos, ou a cidade em crescimento contra os fora da lei. Representavam a “construção da América”.
- Vilões bem definidos: Bandidos, pistoleiros mercenários, salteadores de banco ou índios (retratados de forma estereotipada na época) como antagonistas.
- Duelos e tiroteios: O “clímax” quase sempre incluía um duelo em ruas empoeiradas ou tiroteios em saloons. Esse momento representava a vitória da lei ou da moralidade sobre o caos.
- Figuras femininas: As mulheres eram geralmente relegadas a papéis secundários, como a professora, a dona de saloon, ou a esposa que sonha com estabilidade. Serviam de contraponto entre o lar/civilização e o espírito livre do herói.
- Trilhas sonoras épicas: Composições orquestrais que sublinhavam a grandiosidade da paisagem e o heroísmo, como nas obras de Dimitri Tiomkin (Rio Bravo) ou de Elmer Bernstein (Os Bravos Morrem de Pé).
- Estética visual: Filmagens em Technicolor e Cinemascope, que exploravam o horizonte amplo, desertos e cânions, com planos abertos que destacavam a solidão do herói frente à vastidão da natureza.
- Temática da fronteira: A fronteira era vista como símbolo da expansão dos Estados Unidos, mas também como território de conflito e perigo.
- Final geralmente moralizante: Ao final destes filmes, o herói restabelece a ordem, muitas vezes partindo sozinho rumo ao horizonte por não pertencer à “vida civilizada” que defendeu (ou vingou).

Sete Homens e um Destino (1960) – Divulgação: United Arts
Na segunda metade dos anos 1960, os filmes clássicos ganharam também um tom Crepuscular, com elementos de melancolia e de fim de ciclo, mostrando o declínio de um Velho Oeste que refletia sobre a passagem de gerações: o velho herói que simbolizava o faroeste clássico passou a ser substituído por pistoleiros mais jovens e irreverentes, muitas vezes anti-heróis, representando uma nova era. Estas mudanças deram também origem ao chamado Faroeste Spaguetti.
O FAROESTE SPAGHETTI
Junto ao Faroeste Crepuscular, na segunda metade dos anos 1960 surgiu uma vertente que se tornou lendária: o Faroeste Spaghetti. Produzido majoritariamente na Itália, os longas do Faroeste Spaghetti tiveram diretores como Sergio Leone (Era uma Vez no Oeste – 1968; Trilogia dos Dólares – 1964, 1965 e 1966), Sergio Corbucci (Django – 1966) e Enzo Barboni (Chamam-me Trinity – 1970, Trinity ainda é o meu nome – 1971), com compositores magistrais como Ennio Morricone, Marcello Giombini e Luis L. Bacalov. Esses filmes tinham uma abordagem mais estilizada e violenta do Oeste, muitas vezes ambientados em paisagens áridas da Espanha, que lembravam o Velho Oeste americano.

Clint Eastwood como o anti-heroi Blondie, em Três Homens em Conflito (1966) – Divulgação: Paramount Pictures
Principais características do Spaghetti Western:
- Anti-heróis: Os protagonistas são moralmente ambíguos, muitas vezes solitários e com motivações pessoais.
- Estilo visual: Closes extremos nos olhos e mãos, duelos tensos e com várias cenas panorâmicas do deserto.
- Violência explícita: Diferente dos faroestes clássicos americanos, os confrontos são mais sangrentos e realistas.
- Trilha sonora icônica: Morricone redefiniu o som do faroeste com composições que se tornaram eternas, bem mais emblemáticas que as dos faroestes clássicos.
O Faroeste Spaghetti influenciou profundamente o Western Contemporâneo (Neo-Western), que após um longo hiato entre os anos 80 e início dos 90, ressurgiu tanto nos cinemas quanto nos Streamings, mostrando que o Oeste podia ser sombrio, violento e estilizado, abrindo caminho para histórias mais complexas e personagens ambíguos.
MEUS 7 FAROESTES CLÁSSICOS E SPAGUETTI FAVORITOS
🎬 ERA UMA VEZ NO OESTE (Once Upon a Time in the West, 1968)
Meu filme favorito do gênero, Era uma Vez no Oeste é uma obra-prima sem igual! Com uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, este é um filme para ser apreciado nos mínimos detalhes, deste sua introdução sem trilha sonora ao desenvolvimento de todos os incríveis personagens apresentados, cada um com sua trilha composta pelo genial Morricone. O plot de vingança com final apoteótico e melancólico é um dos melhores de todos os tempos!
- Sinopse:
Jill McBain (Claudia Cardinale), uma mulher viúva, chega ao Oeste americano para se casar com o homem que ama, mas encontra sua família assassinada por Frank (Henry Fonda), um pistoleiro implacável. Harmonica (Charles Bronson), um misterioso homem com uma dívida de sangue, se une a Cheyenne (Jason Robards), um fora da lei carismático, para enfrentar Frank e seus capangas.
- Direção: Sergio Leone
- Roteiro: Sergio Leone e Sergio Donati
- Elenco Principal: Claudia Cardinale (Jill McBain), Henry Fonda (Frank), Charles Bronson (Harmonica), Jason Robards (Cheyenne)
- Notas: IMDb: 8,5 – Rotten Tomatoes: Críticos: 98% – Público: 95%
- Onde Assistir: Amazon Prime Video e Apple TV (aluguel) – Disponibilidade na data desta matéria
🎬 TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, the Bad and the Ugly, 1966)
O último filme da Trilogia dos Dólares de Sergio Leone nos apresenta uma história coesa, profunda e com a Guerra Civil Americana como pano de fundo. O trio de personagens de moral ambígua nos guiam por uma jornada cruel e muito satisfatória até o embate final, tudo embalado por uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Impossível não sair assoviando ao final deste longa!
- Sinopse:
Durante a Guerra Civil Americana, três pistoleiros – Blondie (Clint Eastwood), Tuco (Eli Wallach) e Angel Eyes (Lee Van Cleef) – competem para encontrar um tesouro enterrado. Em meio a traições e alianças temporárias, eles enfrentam perigos e desafios em uma corrida mortal.
- Direção: Sergio Leone
- Roteiro: Sergio Leone, Age & Scarpelli, Luciano Vincenzoni
- Elenco Principal: Clint Eastwood (Blondie), Eli Wallach (Tuco), Lee Van Cleef (Angel Eyes)
- Notas: IMDb: 8,8 – Rotten Tomatoes: Críticos: 97% – Público: 94%
- Onde Assistir: Amazon Prime Vídeo e Apple TV (aluguel) – Disponibilidade na data desta matéria
🎬 POR UM PUNHADO DE DÓLARES (A Fistful of Dollars, 1964)
Este é o primeiro filme da Trilogia dos Dólares de Sergio Leone, um clássico do Faroeste Spaghetti que apresentou a figura do pistoleiro solitário, sem nome e com moral ambígua ao mundo, magistralmente interpretado por Clint Eastwood.
- Sinopse:
Um pistoleiro sem nome (Clint Eastwood) chega a uma cidade dividida entre duas famílias rivais. Ele joga ambos os lados contra si mesmos, buscando lucro e vingança em uma terra sem lei. Sua astúcia e coragem o tornam uma figura temida e respeitada.
- Direção: Sergio Leone
- Roteiro: Sergio Leone, Víctor Andrés Catena, Jaime Comas Gil
- Elenco Principal: Clint Eastwood (O Estranho sem nome), Gian Maria Volonté (Ramón Rojo), Marianne Koch (Marisol)
- Notas: IMDb: 8,0 – Rotten Tomatoes: Críticos: 95% – Público: 91%
- Onde Assistir: Amazon Prime Video e Apple TV (aluguel) – Disponibilidade na data desta matéria
🎬 ONDE COMEÇA O INFERNO (Rio Bravo, 1959)
Um faroeste clássico de Howard Hawks com John Wayne e Dean Martin que desenvolve temas como dever, honra, amizade e redenção.
- Sinopse:
Quando o pistoleiro Joe Burdette (Claude Akins) comete um assassinato no saloon e é preso pelo xerife John T. Chance (John Wayne), este se prepara para um verdadeiro cerco: o irmão do criminoso, Nathan Burdette (John Russell), ameaça invadir a cadeia a qualquer custo. Determinado a manter a lei, o xerife recusa ajuda superficial e forma um grupo improvável de resistência com o ex-bebum Dude (Dean Martin), o velho manco Stumpy (Walter Brennan) e o jovem pistoleiro Colorado Ryan (Ricky Nelson). Enquanto esperam reforços, surge Feathers (Angie Dickinson), uma mulher misteriosa cuja atração por Chance complexifica ainda mais a situação — uma trama tensa, cheia de humor contido e lealdade em um cenário clássico do faroeste.
- Direção: Howard Hawks
- Roteiro: Jules Furthman e Leigh Brackett (baseado no conto de B. H. McCampbell)
- Elenco Principal: John Wayne (John T. Chance), Dean Martin (Dude), Angie Dickinson (Feathers), Ricky Nelson (Colorado Ryan), Walter Brennan (Stumpy), Claude Akins (Joe Burdette), John Russell (Nathan Burdette)
- Notas: IMDb: 8,0 – Rotten Tomatoes: Críticos: 96% – Público: 90%
- Onde Assistir: Amazon Prime Vídeo(aluguel), Apple TV (aluguel) e YouTube (aluguel) – Disponibilidade na data desta matéria
🎬 TOMBSTONE: A JUSTIÇA ESTÁ CHEGANDO (Tombstone, 1993)
Apesar de outras obras inspiradas na história de Wyatt Earp, esta é para mim a mais icônica, com uma versão da história que empolga do início ao fim. O duelo do vídeo acima é somente um dos incríveis confrontos revelados no filme, que tem seu coração centrado na relação entre os irmãos Earp e na amizade entre Wyatt (Kurt Russel) e Doc Holliday (Val Kilmer).
- Sinopse:
Wyatt Earp (Kurt Russell) chega à cidade de Tombstone com seus irmãos, buscando uma vida tranquila. No entanto, a cidade é dominada pela gangue dos Cowboys, liderada por Curly Bill Brocius (Powers Boothe) e Johnny Ringo (Michael Biehn). Com a ajuda de seu amigo Doc Holliday (Val Kilmer), Wyatt assume a posição de xerife e enfrenta a gangue em uma série de confrontos, culminando no famoso tiroteio no O.K. Corral.
- Direção: George P. Cosmatos
- Roteiro: Kevin Jarre
- Elenco Principal: Kurt Russell (Wyatt Earp), Val Kilmer (Doc Holliday), Sam Elliott (Virgil Earp), Bill Paxton (Morgan Earp), Powers Boothe (Curly Bill Brocius), Michael Biehn (Johnny Ringo), Dana Delany (Josephine Marcus), Stephen Lang (Ike Clanton), Thomas Haden Church (Billy Clanton), Billy Zane ( Fabian)
- Notas: IMDb: 7,8 – Rotten Tomatoes: Críticos: 74% – Público: 76%
- Onde Assistir: Disney+– Disponibilidade na data desta matéria
🎬 MEU NOME É NINGUÉM (My Name Is Nobody, 1973)
Não podia faltar um filme com o icônico Terence Hill nesta lista, e escolhi o fantástico longa Meu Nome é Ninguém, que reúne a irreverência e o humor de Terence Hill (aqui sem seu parceiro de longa data Bud Spencer) à magistral atuação e presença em tela de Henry Fonda num faroeste irresistível, cheio de humor mas com aquele tom crepuscular do fim do velho oeste!
- Sinopse:
No faroeste em tom de farsa e homenagem, acompanhamos a improvável amizade entre o jovem e astuto pistoleiro Ninguém (Terence Hill), que idolatra o lendário fora da lei Jack Beauregard (Henry Fonda), já cansado da vida de armas e prestes a se aposentar. Determinado a garantir ao seu herói uma despedida digna, Ninguém o manipula para enfrentar, sozinho, os temidos “150 Bandidos”, transformando a derradeira jornada de Beauregard em um épico confronto entre mito e realidade, enquanto a fronteira e o próprio faroeste dão seus últimos suspiros.
- Direção: Tonino Valerii
- Roteiro: Ernesto Gastaldi
- Elenco Principal: Terence Hill (Ninguém), Henry Fonda (Jack Beauregard), Jean Martin (Sullivan)
- Notas: IMDb: 7,6 – Rotten Tomatoes: Críticos: 100% – Público: 83%
- Onde Assistir: Pluto TV– Disponibilidade na data desta matéria
🎬 MATAR OU MORRER (High Noon, 1952)
A primeira vez que assisti a este filme, em preto e branco, fiquei muito impressionado com a carga dramática e a tensão. Tendo reassistido anos depois, já adulto, o filme continua a me impressionar pela alta carga de tensão num faroeste clássico que exalta a coragem de um homem diante da covardia de praticamente todos os habitantes de uma cidade. Sua história é base para vários filmes e séries das décadas seguintes, de vários gêneros, e ainda vale muito a pena ser revisitada.
- Sinopse:
O xerife Will Kane (Gary Cooper), recém-casado, recebe a notícia de que Frank Miller (Ian MacDonald), um criminoso que ele prendeu, está chegando para se vingar. Kane deve decidir entre fugir com sua esposa ou enfrentar Miller e sua gangue sozinho.
- Direção: Fred Zinnemann
- Roteiro: Carl Foreman
- Elenco Principal: Gary Cooper (Will Kane), Grace Kelly (Amy Fowler), Ian MacDonald (Frank Miller), Lloyd Bridges (Harvey Pell)
- Notas: IMDb: 8,0 – Rotten Tomatoes: Críticos: 97% – Público: 91%
- Onde Assistir: Telecine ou Apple TV (aluguel) – Disponibilidade na data desta matéria
MENÇÕES HONROSAS

Bud Spencer e Terence Hill em Trinity é o meu Nome (1970) – Divulgação: West Films
Há, claro, muitas outras obras que merecem destaque neste período clássico, incluindo alguns remakes que são tão bons ou melhores que os originais. Dentre elas, cito os 14 longas abaixo em ordem cronológica:
O Tesouro da Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre, 1948)
Um tenso drama de ganância e sobrevivência com Humphrey Bogart em uma de suas atuações mais intensas.
Os Brutos também Amam (Shane, 1953)
Filmaço de faroeste clássico que traz a velha e gratificante história de um cowboy desconhecido que chega para trazer dignidade para um povo que luta pelo direito à terra. Alan Ladd brilha no papel do protagonista Shane, com um personagem que até nos dias de hoje serve de inspiração para herois clássicos de todos os gêneros.
Rastros de Ódio (The Searchers, 1956)
A busca implacável de um ex-soldado da Guerra Civil Americana (Ethan Edwards, interpretado por John Wayne) para resgatar suas sobrinhas de índios comanches, que massacraram a casa de seu irmão no Texas. É uma jornada marcada por sua obsessão e ódio, desafiando seu companheiro Martin Pawley (Jeffrey Hunter), um mestiço que busca impedir que Ethan se perca em sua vingança.
Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960)
Um épico de ação e honra com Yul Brynner e Steve McQueen liderando pistoleiros em defesa dos oprimidos, muito inspirado no clássico japonês Os Sete Samurais (1954), de Akira Kurosawa. Teve um remake em 2016, protagonizado por Denzel Washington e Chris Pratt, que também merece destaque.
O Homem que matou o Facínora (The Man Who Shot Liberty Valance, 1962)
Um faroeste reflexivo com James Stewart e John Wayne sobre mito, verdade e a construção da lenda. Um dos melhores filmes da lenda John Wayne que consolidou o astro como o eterno cowboy.
Por uns Dólares a Mais (Per Qualche Dollaro in Più, 1965)
Um spaghetti western estiloso com Clint Eastwood e Lee Van Cleef em duelo de caçadores de recompensas. Compõe, junto aos excelentes Por um Punhado de Dólares (1964) e Três Homens em Conflito (1966), a Trilogia dos Dólares de Sergio Leone.
Django (1966)
Clássico e divertido faroeste spaghetti com o icônico pistoleiro Django (Franco Nero) arrastando um caixão com uma metralhadora. Outro filmaço com uma trilha sonora inesquecível (e replicada em Django Livre, de 2012, dirigido por Quentin Tarantino).
Meu Ódio será sua Herança (The Wild Bunch, 1969)
Um faroeste violento e revolucionário de Sam Peckinpah sobre o fim de uma era e a lealdade entre fora da lei. Há boatos de um remake pelas mãos de Clint Eastwood, mas nada ainda confirmado.
Butch Cassidy (Butch Cassidy and the Sundance Kid, 1969)
Um faroeste charmoso e melancólico com Paul Newman e Robert Redford como ladrões carismáticos perseguidos até o fim.
Trinity é o meu Nome (Lo chiamavano Trinità…, 1970)
Uma comédia divertidíssima de faroeste com Terence Hill e Bud Spencer, misturando pancadaria, humor e irreverência. Apesar dos astros já terem trabalhado juntos antes deste longa, este foi o filme que marcou o início da longeva parceria da dupla.
Trinity ainda é meu Nome (Continuavano a chiamarlo Trinità, 1971)
Esta é a continuação ainda mais divertida e carismática da dupla Hill & Spencer. Seu sucesso foi tão grande que consolidou o trabalho incrível da dupla de atores e influenciou diretamente vários artistas, incluindo o brasileiríssimo Os Trapalhões.
Banzé no Oeste (Blazing Saddles, 1974)
Uma irreverente paródia de Mel Brooks, com Gene Wilder e Cleavon Little no elenco, que desconstrói o faroeste com humor ácido, sátira social e quebra de tabus.
Os Indomáveis (3:10 to Yuma, 2007)
Remake (com qualidade similar) do clássico Galante e Sanguinário (1957), este filmaço dirigido por James Mangold (Logan, 2017) e estrelado por Christian Bale e Russell Crowe nos apresenta uma história sobre honra, dever e respeito com muita ação e suspense.
Bravura Indômita (True Grit, 2010)
Neste filmaço recheado de estrelas como Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin e Hailee Steinfeld e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen (Fargo: Uma Comédia de Erros, 1996), acompanhamos a saga de adolescente que contrata um marechal aposentado para encontrar o assassino de seu pai. Trata-se do remake (muito melhor) do filme homônimo de 1969, que tinha o astro John Wayne como protagonista e que lhe rendeu o único Oscar de sua carreira.
O RENASCIMENTO DO GÊNERO
É importante lembrar que no hiato do gênero, da década de 70 até meados dos anos 90, ainda que poucos filmes de faroeste fossem produzidos, muitas das características dos longas e séries clássicos de faroeste foram incorporados em outros gêneros, como a jornada do heroi solitário e vingativo (Comando para Matar ou Rambo 2: A Missão, ambos de 1985), o forasteiro que chega à cidade para “salvar a mocinha” (Ruas de Fogo, de 1984) ou o clímax com duelos armados, de armas de fogo a armas brancas (Os Infiltrados, de 2006, ou a quadrilogia de John Wick, de 2014 a 2023). Alguns diretores, como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, não só utilizam os Westens clássicos como referências, como também fazem questão de homenagear vários ícones deste gênero inesquecível em praticamente todas as suas obras. E até jogos, como os excelentes Red Dead Redemption e Fallout, usam o faroeste como tema principal ou como inspiração de alguns de seus personagens.
Na próxima semana, trarei a 2ª e última parte desta matéria, explicando um pouco sobre o renascimento deste gênero através do Faroeste Contemporâneo (Neo-Western), com mais uma lista de ótimas indicações deste gênero revivido.





