
Em 2025, além de assistir a inúmeros lançamentos de séries, filmes e animes, também aproveitei para dar uma chance a algumas séries consagradas e muito elogiadas, todas bem recomendadas por amigos e por leitores desta coluna. Chegando à reta final do ano, decidi trazer uma matéria sobre 7 séries incríveis, dentre lançamentos e obras já consagradas (e renovadas), para você dar uma chance.
Fato é que diante de algoritmos insistentes dos streamings, com listas sem fim e aquela sensação de que “todo mundo já viu tudo”, algumas produções brilhantes acabam passando despercebidas. Dito isso, alguns universos fictícios merecem ser explorados, mesmo que você nunca tenha ouvido falar deles: sejam espiões “rebaixados a pangarés” tentando provar seus valores, detetives navajos setentistas desvendando crimes brutais, ex-samurais numa batalha mortal ambientada no Japão do Século XIX, um dramalhão norte-americano de época com bom orçamento, roteiros amarrados e figurinos impecáveis, e até crianças e militares enfrentando o mal numa cidade do interior dos EUA numa prequela do filme It: A Coisa (2017).
Então, prepare o sofá, o coração e a curiosidade. Aqui estão 7 séries incríveis que merecem o seu play — e que, com um pouco de sorte, podem se tornar suas próximas grandes obsessões.
1. SLOW HORSES (2022- )

Divulgação: Apple TV Press
APPLE TV+
Gêneros: Suspense, Espionagem, Drama, Comédia Sarcástica
5 temporadas com 30 episódios (já renovada para a 6ª temporada)
📊 IMDb: 8.3/10
🍅 Rotten Tomatoes: 97% (Crítica) | 88% (Público)
Sinopse:
Em Slow Horses, uma equipe de agentes renegados do MI5, exilados no infame “Slough House” por falhas graves, é liderada pelo mordaz e genial Jackson Lamb (Gary Oldman). Apesar de relegados a tarefas burocráticas e humilhantes, esses “pangarés” logo se veem envolvidos em conspirações reais. Um deles é River Cartwright (Jack Lowden), um jovem agente ambicioso tentando reconquistar seu lugar, enquanto Lamb manipula todo mundo para sobreviver no perigoso jogo de espionagem.
Criação e roteiro: William James Smith (Showrunner e roteirista), Mwenn Banks (roteirista), Mark Denton (roteirista) e Johnny Stoppwood (roteirista), baseando-se na saga de livros Jackson Lamb, escrita pelo autor britânico Mick Herron.
Direção: James Hawes, Jeremy Lovering, Saul Metzstein, Adam Randall
Elenco principal: Gary Oldman (Jackson Lamb), Jack Lowden (River Cartwright), Kristin Scott Thomas (Diana Taverner), Jonathan Pryce (David Cartwright), Saskia Reeves (Catherine Standish), Aimee-Ffion Edwards (Shirley Dander), Rosalind Eleazar (Louisa Guy), Christopher Chung (Roddy Ho).
💡 Por que assistir?
Esta é uma série de espionagem diferente de todas já existentes. Não há agentes glamourosos e nem todas as tecnologias de um James Bond. Em Slow Horses, temos espiões imperfeitos, cheios de falhas, com egos feridos, relegados à 2ª divisão do MI5, serviço de espionagem londrino, todos envoltos em tramas carregadas de humor inglês ácido e muito inteligente.
Com o astro Gary Oldman encabeçando o elenco, a série tem uma química absurda entre todos os personagens. Com um ritmo tenso e uma escrita muito afiada, cada temporada entrega uma missão imprevisível, com ótimas reviravoltas e com season finales extremamente satisfatórios. O que deixa a série ainda mais interessante é o fato de que nenhum personagem está exatamente seguro, havendo o risco real de mortes inesperadas de personagens cativantes.
O Jackson Lamb de Gary Oldman é um dos melhores personagens já apresentados no meio televisivo. Sarcástico, com um mau-humor extremamente carismático (só assistindo para entender), e com uma presença de tela magnética, o líder dos Slow Horses esconde sob sua aparência detestável muita nobreza e inteligência. Destaco também vários dos “pangarés”, como River Cartwright (Jack Lowden), Catherine Standish (Saskia Reeves) e Roddy Ho (Christopher Chung), além de todo o elenco de apoio.
Assisti em novembro a todas as 4 temporadas disponíveis em sequência e afirmo: é impossível parar de assistir.
📚 Curiosidades:
- A série é baseada na série de romances Slough House, do autor Mick Herron. Cada temporada adapta um livro diferente da saga.
- A série sempre foi muito bem recebida pela crítica e pelo público. No Rotten Tomatoes, a 1ª temporada recebeu aprovação de 95% dos críticos, a 3ª, 98%, e a 2ª e a 4ª, impressionantes 100%.
- Gary Oldman afirmou que toparia continuar no papel de Jackson Lamb por bastante tempo.
- Mesmo sendo considerada uma “série de servidores secundários do MI5”, cada temporada adapta um livro diferente da saga Slough House.
- Cada temporada costuma ter 6 episódios, com cada episódio com estrutura de “filme de 1 hora”, o que dá à narrativa um ritmo mais focado e condensado.
2. ATÉ O ÚLTIMO SAMURAI (Ikusagami, 2025- )

Divulgação: Netflix
NETFLIX
Gêneros: Drama de época japonês, Artes marciais, Ação, Suspense
1 temporada com 6 episódios (já renovada para a 2ª temporada)
📊 IMDb: 7,5/10
🍅 Rotten Tomatoes: 100% (Crítica) | 85% (Público)
Sinopse:
No fim da era samurai, em 1878, 292 guerreiros — muitos ex-samurais — são recrutados para competir num brutal “jogo de sobrevivência” chamado Kodoku, onde o último de pé leva a fortuna de 100 bilhões de ienes. O ex-samurai Shujiro Saga (Jun´ichi Okada), agora caído em desgraça, aceita o desafio para salvar sua família e sua honra, travando embates mortais enquanto alianças improváveis se formam em um Japão em transição.
Criação e roteiro: Michihito Fujii (Showrunner) e Shogo Imamura, Inspirada no mangá Ikusagami de Shogo Imamura.
Direção: Michihito Fujii
Elenco principal: Jun’ichi Okada (Shujiro Saga), Kaya Kiyohara (Iroha Kinugasa), Taichi Saotome (Shikura Adashino), Yumia Fujisaki (Futaba Katsuki), Masahiro Higashide (Kyojin Tsuge).
💡 Por que assistir?
Esta série é uma mistura audaciosa entre samurais clássicos, competição letal e muito drama ambientado num Japão do início da Era Meiji (1878). Com muita ação, lutas impecavelmente coreografadas, e uma ambientação histórica rica e brutal, Até o Último Samurai é um Battle Royale (2000) que se aproxima muito das temáticas do anime Samurai X, com toques realistas e embates cheios de catarse e adrenalina.
Com o sucesso estrondoso de Xógum: A Gloriosa Saga do Japão (2024-), da Hulu/Disney+, que também tem uma história ambientada no Japão medieval, a Netflix investiu pesado nesta incrível saga de ex-samurais que lutam entre si numa competição mortal e fictícia, mas embasada num contexto histórico real.
O protagonista interpretado por Shujiro Saga, que também participa como coreógrafo dos duelos, é muito carismático e consegue sustentar muito bem toda a carga dramática que o papel exige. Com a 2ª temporada já garantida, é uma série que vale muito a pena assistir se o gênero te atrai.
📚 Curiosidades:
- A série adapta um mangá popular, que por sua vez é inspirado no livro Ikusagami, de Shogo Imamura, vencedor do Prêmio Naoki, uma das premiações literárias mais importantes do Japão. O livro ficou conhecido pela construção detalhada do período histórico e pela forma como subverte o arquétipo tradicional do samurai.
- O torneio mortal entre samurais é inspirado em jogos fictícios, mas incorpora valores tradicionais do bushidô.
- A produção investe fortemente em figurino e coreografias de batalha para tornar os duelos realistas e emocionantes.
- É uma das poucas séries modernas que traz samurais em um contexto pós-era feudal, com lutas por relevância social.
- Para garantir precisão na representação de armas, trajes e comportamentos sociais, a Netflix trabalhou com historiadores japoneses especializados na transição do Japão feudal para a era Meiji, garantindo fidelidade cultural em cenários e rituais.
3. DARK WINDS (2022- )

Divulgação: AMC Networks
NETFLIX
Gêneros: Drama policial, Drama de época, Crime, Suspense, Investigação
3 temporadas com 20 episódios (já renovada para a 4ª temporada)
📊 IMDb: 7.7/10
🍅 Rotten Tomatoes: 100% (Crítica) | 75% (Público)
Sinopse:
Ambientada nos anos 70 na Nação Navajo, Dark Winds acompanha dois policiais indígenas: o experiente Joe Leaphorn (Zahn McClarnon) e o jovem Jim Chee (Kiowa Gordon), que investigam uma série de crimes misteriosos com raízes tanto no mundo moderno quanto nas tradições espirituais Navajo. Enquanto a tensão entre o dever policial e os rituais ancestrais cresce, eles precisam desvendar segredos sombrios que ameaçam suas comunidades.
Criação e roteiro: Graham Roland (criador), com Robert Redford e George R.R. Martin como produtores, e Tony Hillerman e Graham Roland como roteiristas. A série é baseada nos romances policiais de Tony Hillerman.
Direção: Chris Eyre, Michael Nankin, Sanford Bookstaver, Billy Luther, Steven Paul Judd, Erica Tremblay.
Elenco principal: Zahn McClarnon (Joe Leaphorn), Kiowa Gordon (Jim Chee), Jessica Matten (Bernadette Manuelito), Deanna Allison (Emma Leaphorn), A Martinez (Xerife Gordo Sena).
💡 Por que assistir?
Esta série vai muito além das típicas policiais procedurais. Dark Winds introduz uma profundidade cultural e espiritual raramente vista em séries do gênero, com o ponto de vista de policiais navajos na década de 1970.
Com uma ambientação impecável, todo o mistério é muito bem construído, e os personagens trazem suas dores e crenças para o centro da investigação. Com uma trama envolvente, embasada nos romances policiais de Tony Hillerman, nota-se desde os primeiros episódios como o envolvimento do saudoso ator Robert Redford e do consagrado escritor George R.R. Martin (Game of Thrones) traz uma precisão satisfatória e respeitosa do ponto de vista dos navajos sem soar pedante ou unidimensional.
Com tramas instigantes, atuações excelentes e personagens com traumas realistas e profundos, incluindo os protagonistas, a série consegue se colocar em destaque num gênero já tão combalido e cheio de obras similares.
📚 Curiosidades:
- A série tem um elenco majoritariamente composto por atores nativos — o que é incomum em produções de holofote — e retrata a cultura Navajo com mais autenticidade.
- Todas as 3 temporadas já exibidas tiveram aprovação de 100% da crítica no Rotten Tomatoes, sinalizando uma incrível consistência na qualidade.
- A série se passa nos anos 1970, em territórios da Nação Navajo — o que implica retratos de comunidades, tradições, tensões sociais e culturais da época, gerando uma imersão realista.
- As locações próximas ao Monument Valley ajudam a dar autenticidade à ambientação.
- O ator principal Zahn McClarnon — que interpreta o detetive Joe Leaphorn — fará sua estreia como diretor em ao menos um episódio da 4ª temporada.
4. A IDADE DOURADA (The Gilded Age, 2022-

Divulgação: Warner Bros. Discovery
HBO MAX
Gêneros: Drama de época, Romance
3 temporadas com 26 episódios (já renovada para a 4ª temporada)
📊 IMDb: 8.1/10
🍅 Rotten Tomatoes: 89% (Crítica) | 69% (Público)
Sinopse:
Em A Idade Dourada, a jovem órfã Marian Brook (Louisa Jacobson) vai morar com suas tias ricas em uma Nova York em rápida transformação, dividida entre tradição e progresso. Lá, sob os olhares conservadores de Agnes (Christine Baranski) e os ideais modernos de Ada (Cynthia Nixon), Marian conhece Peggy Scott (Denee Benton), e juntas mergulham no glamuroso universo dos novatos milionários, questionando quais valores seguir enquanto lutam para definir seu lugar.
Criação e roteiro: Julian Fellowes (mesmo criador de Downton Abbey) e Sonja Warfield.
Direção: Michael Engler, Salli Richardson–Whitfield, Deborah Kampmeier, Crystle Roberson Dorsey.
Elenco principal: Louisa Jacobson (Marian Brook), Carrie Coon (Bertha Russell), Morgan Spector (George Russell), Christine Baranski (Agnes Van Rhijn), Denée Benton (Peggy Scott), Cynthia Nixon (Ada Brook).
💡 Por que assistir?
Para quem é apaixonado com dramas de época com figurinos e ambientações impecáveis, com intrigas sociais, muito luxo e personagens complexos, a Idade Dourada é uma ótima opção.
A série explora a tensão entre tradição e modernidade, mudanças no status social com a elevação de uma nova categoria de milionários no início do século 18, e o preço do status social — tudo isso com figurinos de tirar o fôlego e conflitos emocionais intensos.
Espécie de precursora de Downtown Abbey (2010-2015) numa versão nova-iorquina, A Idade Dourada é um “novelão” no bom sentido do termo, com tramas bem amarradas, personagens complexos, romances inspiradores e histórias de superação revigorantes, tudo regado a emoção, dramalhão e season finales que geram ansiedade pela próxima temporada.
📚 Curiosidades:
- A série retrata os Estados Unidos no final do século XIX, um período chamado “Gilded Age” (de 1870 a 1900), marcado por crescimento econômico acelerado, desigualdades gritantes e transformações sociais profundas.
- Grande parte da trama gira em torno do conflito social e cultural entre famílias aristocráticas tradicionais e novos bilionários que buscam ascensão social — mostrando desigualdade, preconceito e mudanças de valores.
- Desde sua estreia em 2022, a série já teve várias temporadas confirmadas. Em 2025, foi renovada para sua 4ª temporada após alcançar grande audiência e manter popularidade.
- A série também retrata o rápido avanço tecnológico da época, como a invenção do telefone e a eletrificação das cidades, e o impacto dessas mudanças na sociedade.
- A série não glamoriza apenas o luxo; também expõe as desigualdades sociais, o papel dos empregados, tensões de classe, o novo papel da mulher, os preconceitos emergentes — uma combinação de história, crítica social e drama.
5. INDOMÁVEL (Untamed, 2025-

Divulgação: Netflix
NETFLIX
Gêneros: Crime, Drama, Mistério, Suspense
1 temporada com 6 episódios (já renovada para a 2ª temporada)
📊 IMDb: 7.1/10
🍅 Rotten Tomatoes: 83% (Crítica) | 70% (Público)
Sinopse:
No coração agreste do Parque Nacional de Yosemite, o agente especial Kyle Turner (Eric Bana) é convocado após a queda misteriosa de uma mulher no El Capitan. Junto da guarda-florestal Naya Vasquez (Lily Santiago), ele descobre que o acidente pode ser algo muito mais sinistro — e que a beleza selvagem da natureza esconde segredos que desafiam toda lei humana.
Criação e roteiro: Mark L. Smith (mesmo roteirista do filme O Regresso, de 2015) e sua filha Elle Smith.
Direção: Thomas Bezucha, Neasa Hardiman, Nick Murphy.
Elenco principal: Eric Bana (Kyle Turner), Sam Neill (Ray Keaton), Rosemarie DeWitt (Laura Turner), Lily Santiago (Nora Vasquez).
💡 Por que assistir?
Indomável é aquele tipo de suspense que prende pela atmosfera antes mesmo de revelar o mistério. A natureza selvagem do Parque Nacional de Yosemite (nas montanhas da Serra Nevada, na Califórnia, EUA) — imensa, silenciosa e imprevisível — funciona quase como um personagem, amplificando tensão, perigo e isolamento psicológico.
Kyle Turner, o protagonista interpretado por Eric Bana, é um personagem complexo, falho, amargo e muito perspicaz, com cicatrizes emocionais profundas que tornam cada decisão tomada mais urgente e com desdobramentos caóticos. E sua relação com os demais personagens funciona muito bem, em especial com a guarda-florestal novata Naya Vasquez (Lily Santiago), com o chefe dos guardas-florestais Ray Keaton (Sam Neill) e com sua ex-esposa Jill Bodwin (Rosemarie DeWitt).
A narrativa combina drama, investigação e thriller psicológico, sempre com um olhar introspectivo sobre culpa, redenção e os segredos que tentamos empurrar para o fundo da mente. Com apenas seis episódios na primeira temporada, a série tem ritmo afiado, qualidade cinematográfica (a fotografia é impressionante) e atuações muito sólidas. A recepção calorosa rendeu uma segunda temporada já confirmada pela Netflix.
📚 Curiosidades:
- A série ganhou 2ª temporada poucas semanas após a estreia, devido à ótima audiência e repercussão positiva.
- Embora o Parque Nacional de Yosemite não seja o cenário de todas as filmagens, a produção usou locações reais para transmitir a sensação crua e perigosa da vida nas montanhas.
- O passado de Kyle Turner envolve a perda de um filho, o que molda sua personalidade e influencia cada decisão na investigação.
- Eventos como o assassinato de 1999 no Parque Nacional de Yosemite e a morte de pelo menos 16 escaladores na formação rochosa El Capitan serviram de inspiração para a história.
- O enredo evita respostas fáceis e aposta em um suspense maduro, focado na natureza humana tanto quanto na investigação policial.
6. PLURIBUS (Pluribus, 2025- )

Divulgação: Apple TV Press
APPLE TV+
Gêneros: Ficção científica, Distopia, Drama, Comédia sarcástica
1 temporada com 9 episódios (já renovada para a 2ª temporada)
📊 IMDb: 8.6/10
🍅 Rotten Tomatoes: 99% (Crítica) | 79% (Público)
Sinopse:
Em um mundo pós-apocalíptico, a autora Carol Sturka (Rhea Seehorn) é uma das poucas pessoas imunes a um misterioso “vírus da felicidade” que transformou a humanidade em uma mente coletiva. Ela se torna uma figura-chave enquanto a consciência coletiva tenta assimilá-la — e ela precisa decidir o que quer da própria identidade e de sua liberdade.
Criação e roteiro: Criada por Vince Gilligan, famoso pelas séries Breaking Bad e Better Call Saul. Além de Vince Gilligan, a série tem como roteiristas Gordon Smith, Alison Tatlock, Diane Mercer, Allyce Ozarski e Ariel Levine.
Direção: Vince Gilligan. Gordon Smith, Adam Bernstein, Melissa Bernstein, Zetna Fuentes, Gandja Monteiro.
Elenco principal: Rhea Seehorn (Carol Sturka), Karolina Wydra (Zosia), Miriam Shor (Helen), Carlos Manuel Vesga (Manousos).
💡 Por que assistir?
A Apple TV+ tem investido muito em Ficção Científica nos últimos anos, entregando séries de muita qualidade como as excelentes Ruptura (2022- ), Silo (2023- ), Matéria Escura (2024- ), For All Mankind (2019- ), See (2019-2022), e as interessantes Fundação (2021- ), Diários de um Robô-Assassino (2025- ) e Invasão (2021- ). Pretendo, inclusive, abordar este tema numa matéria futura.
Pluribus, criada por Vince Gilligan, famoso pelas séries Breaking Bad (2008-2013) e Better Call Saul (2015-2022), é a mais recente das obras de SciFi do canal de streaming, e consegue ser mais ousada e original do que todas as já citadas acima, misturando distopia com humor negro, questionamentos existenciais e muita crítica à coletividade e ao politicamente correto.
A protagonista Carol Sturka, interpretada pela ótima Rhea Seehorn, representa nossos olhos num mundo distópico onde todos passam a ser felizes numa coletividade insossa e politicamente correta, e sua atuação sarcástica como uma escritora mal-humorada e constantemente incomodada com o mundo ao redor torna a experiência lúdica ainda mais impressionante.
Sentimos na pele seu incômodo, e apesar de ficamos indignados com algumas de suas decisões, nunca deixamos de reprovar seu sentimento de insatisfação e perplexidade, pois a trama sempre nos deixa com “uma pulga atrás da orelha”.
Com roteiros de enorme qualidade, já característicos das já citadas obras de Gilligan, e uma história que nos surpreende a cada episódio, Pluribus já figura como uma das mais significativas séries de Ficção Científica distópicas criadas, e só por isso já merece a sua atenção.
📚 Curiosidades:
- O título Pluribus vem do latim e significa “de muitos”. Ela é mais conhecida por fazer parte da expressão “E pluribus unum“, o lema dos Estados Unidos que significa “de muitos, um”.
- Ao contrário de Breaking Bad, a série não foca em crimes, mas sim em questões existencialistas e críticas sociais, lembrando o estilo de Ruptura (2022- ) e Black Mirror (2011- ). Gilligan a descreveu como “mais otimista, mas igualmente perturbadora”, explorando o que significa ser humano em um mundo de felicidade artificial.
- A produção teve dois anos encomendados desde o começo pela Apple TV+.
- A série é considerada o maior lançamento da Apple TV+ nos EUA em horas assistidas na estreia.
- Ao pesquisar a palavra Pluribus no Google, um easter egg é acionado com a pergunta “What are you searching for, Carol?” (Tradução: O que você está procurando, Carol?), em referência direta ao primeiro episódio da série.
7. IT: BEM-VINDOS A DERRY (It: Welcome to Derry, 2025- )

Divulgação: Warner Bros. Discovery
HBO MAX
Gêneros: Terror, Drama de época, Ficção científica
1 temporada com 8 episódios (já renovada para 2ª e 3ª temporadas)
📊 IMDb: 7.7/10
🍅 Rotten Tomatoes: 80% (Crítica) | 76% (Público)
Sinopse:
Passada em 1962, It: Bem-Vindos a Derry mergulha nos primórdios do mal que assombra a cidade de Derry, quando um grupo de crianças — Lilly (Clara Stack), Ronnie (Amanda Christine), Phil (Jack Molloy Legault), Teddy (Mikkal Karim-Fidler) e Susie (Matilda Legault) — se une para investigar o desaparecimento do amigo Matty (Miles Ekhardt). Eles logo enfrentam aparições sobrenaturais, enquanto a presença maligna de Pennywise (Bill Skarsgård) começa a emergir, tecendo um terror geminado entre inocência e pesadelo.
Criação e roteiro: Andy Muschietti e Barbara Muschietti como criadores, tendo como base o universo de Stephen King (livro It: A Coisa). Jason Fuchs, Guadalís Del Carmen, Gabe Hobson e Austin Guzman como roteiristas.
Direção: Andy Muschietti e Barbara Muschietti dentre outros.
Elenco principal: Taylour Paige (Charlotte Hanlon), Jovan Adepo (Leroy Hanlon), James Remar (General Francis Shaw), Stephen Rider (Hank Grogan), Chris Chalk (Dick Hallorann), Bill Skarsgård (Pennywise).
💡 Por que assistir?
As obras de Stephen King têm sido adaptadas para o cinema desde a década de 1970, iniciando com Carrie, a Estranha (1976) e O Iluminado (1980). Conhecido como mestre do terror, suas obras vão muito além do gênero, abordando histórias de ficção científica, ficção sobrenatural, suspense, drama e fantasia. Seus romances, novelas e contos mudaram o mainstream, com mais de 75 adaptações entre filmes e séries.
E dentre vários sucessos e fracassos retumbantes, se destacou uma 2ª adaptação em live-action de uma de suas obras mais icônicas, o livro It: A Coisa, lançado em 1986. Em 1990, estreou a minissérie It: uma Obra Prima do Medo, com Tim Curry como o assustador palhaço Pennywise, e em 2017, o diretor Andy Muschietti apresentou ao mundo sua versão muito bem-sucedida do livro com It: A Coisa e com a controversa (e lucrativa) sequência It: Capítulo Dois (2019).
E qual não foi a surpresa de King e de todos os fãs de suas obras, dentre os quais me incluo, quando Muschietti resolveu expandir a mitologia de It com esta série, que aborda várias histórias do livro de King que nunca foram abordadas nas adaptações. O livro sobre A Coisa é o mais extenso do autor, só sendo superado pela edição completa e sem cortes da fantasia sombria pós-apocalíptica A Dança da Morte, lançado inicialmente em 1978 e relançado em 1990.
Dito isso, faz todo o sentido expandir o universo da cidade fictícia de Derry contando histórias do assustador personagem que aparece de 27 em 27 anos, após seus períodos de hibernação, para se alimentar do medo dos habitantes locais e de turistas desavisados.
A série estreou mundialmente em 26/10/25, na HBO Max, com um 1º episódio tenso e com um dos cliffhangers (ganchos) mais impressionantes dos últimos anos. Com uma proposta diferente dos filmes, os protagonistas não são somente crianças, como as do Clube dos Perdedores da obra original, mas também militares que tentam encontrar e controlar A Coisa como uma arma norte-americana no período de Guerra Fria.
A ideia é adaptar três períodos distintos, sempre retrocedendo 27 anos a partir do 1º filme, cujos eventos ocorrem em 1989. Portanto, nesta 1ª temporada temos eventos de 1962, e nas próximas 2 temporadas já confirmadas teremos eventos de 1935 e de 1908.
O elenco consegue ser eficaz e a presença sombria da Coisa se faz sentir em cada minuto dos episódios, com uma tensão crescente em todos os núcleos da obra. Destaque especial para Chris Chalk como o militar Dick Hallorann, que liga o universo de Derry às tramas de O Iluminado e Doutor Sono, outras obras icônicas de King, Jovan Adepo como o Major da força aérea dos EUA, Leroy Hanlon, sua esposa Charlotte Hanlon interpretada de forma convincente por Taylour Paige, e praticamente todo o elenco infantil da trama, encabeçado pela traumatizada Lilly Bainbridge (Clara Stack).
Sem querer dar spoillers, cada revelação sobre o passado da Coisa, como a história de origem recontada por indígenas de Derry e a origem real do palhaço dançarino que inspirou o monstro, torna esta série uma obrigatoriedade para qualquer fã do gênero de terror ou de Stephen King. Com a estreia da última temporada de Stranger Things, inclusive, é impressionante perceber o quanto a excelente série dos Irmãos Duffer bebe da fonte do livro do “Estevão Rei“.
📚 Curiosidades:
- A série foi planejada como uma antologia com mais duas temporadas, ambientadas em 1935 e 1908, para cobrir diferentes momentos do despertar da Coisa.
- Stephen King revelou que não escreveu mais livros sobre Pennywise porque, para ele, o personagem era “assustador demais”. Mesmo assim, a cidade fictícia de Derry e referências à Coisa aparecem em outras de suas obras, como Os Estranhos e O Apanhador de Sonhos.
- A série tem potencial para conectar vários pontos do universo de Stephen King, incluindo personagens como Dick Hallorann (Chris Chalk), que anos depois apareceria em O Iluminado (1980) como mentor do pequeno Danny, filho de Jack Torrance (Jack Nicholson), no assustador Hotel Overlook.
- O ator Bill Skarsgård estava hesitante em retornar como Pennywise por causa do impacto psicológico que o personagem teve sobre ele. Porém, Skarsgård aceitou voltar ao papel pela curiosidade em explocar o passado de Pennywise, o Palhaço Dançarino, conhecido como Bob Gray. Skarsgård também é um dos Produtores Executivos da série.
- É uma das adaptações mais esperadas por fãs de terror clássico por oferece uma construção de mundo no universo literário de Stephen King. Porém, outra série também teve este objetivo – Castle Rock (2018-2019) entrelaçou vários personagens do universo de King, com Annie Wilkes (Lizzi Caplan), personagem central do livro e filme Louca Obsessão (Misery, 1990), como protagonista. Castle Rock também tinha o ator Bill Skarsgård em seu elenco.
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