
Antigamente, o mês de janeiro não era conhecido por grandes estreias nos cinemas. Como os cinemas no Brasil sempre foram muito atrelados ao cinema norte-americano, o foco dos estúdios de Hollywood, para lançamento das grandes produções, era sempre no verão americano, em meados de junho e julho. Com o passar dos anos, vieram os canais de streaming e uma distribuição mais assertiva de filmes nos cinemas, o que mudou este panorama, trazendo um portfólio cada vez mais atraente para nosso verão nacional, como as 7 ótimas dicas para assistir neste início de ano desta matéria.
Dentre as 7 ótimas dicas, listo quatro filmes lançados nos cinemas recentemente, além de duas séries estreantes e uma em sua 2ª temporada, todos com grande potencial. E tem para todos os gostos, transitando em gêneros como suspense, drama, animação épica e até terror, todas com histórias fortes, personagens marcantes e que valem muito o seu tempo.
A EMPREGADA (The Housemaid, 2025) – Filme

Divulgação: Paris Filmes
NOS CINEMAS – Estreia em 01/01/26
Gêneros: Suspense | Drama
📊 IMDb: 7,0/10
🍅 Rotten Tomatoes: 72% (Crítica) | 92% (Público)
Sinopse
O filme, adaptado do best-seller homônimo de Freida McFadden, conta a história de Millie (Sydney Sweeney), uma jovem com passado complicado que aceita um emprego como empregada doméstica para o rico casal Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar), mas o que parece um recomeço se torna um jogo perigoso de segredos, manipulação e sedução, pois tanto a família quanto Millie escondem mistérios sombrios, com a rotina perfeita da mansão se desfazendo em um suspense psicológico e mortal.
Roteiro: Rebecca Sonnenshine (adaptado da obra de Freida McFadden)
Direção: Paul Feig
Elenco principal: Sydney Sweeney (Millie Calloway), Amanda Seyfried (Nina Winchester), Brandon Sklenar (Andrew Winchester), Michele Morrone (Enzo), Indiana Elle (Cece Winchester).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
O filme se destaca como um thriller psicológico eficiente justamente por apostar menos em reviravoltas extravagantes e mais na construção gradual do desconforto. A história avança em ritmo controlado, explorando relações de poder, segredos e manipulações dentro de um ambiente doméstico que, pouco a pouco, se revela tudo menos seguro. O roteiro sabe nos provocar ao brincar com nossas expectativas e ambiguidades morais, criando uma sensação constante de que algo está prestes a desmoronar.
O elenco é um dos grandes trunfos do filme, sustentando a tensão com atuações contidas e cheias de subtexto. A protagonista, interpretada por Sydney Sweeney, entrega uma performance marcada por silêncios e olhares calculados, enquanto os demais personagens, em especial o casal vivido por Amanda Seyfried e Brandon Sklenar, contribuem para a atmosfera opressiva com interpretações que transitam entre cordialidade e ameaça velada. O resultado é um suspense elegante e incômodo, que se apoia mais na força dramática e psicológica de seus personagens do que em soluções fáceis, deixando uma impressão duradoura após o desfecho.
O sucesso já garantiu sua continuação, anunciada na semana passada pelo estúdio.
DAVI – NASCE UM REI (David, 2026) – Filme

Divulgação: Heaven Content / 360 WayUp
NOS CINEMAS – Estreia em 15/01/26
Gêneros: Animação | Épico bíblico
📊 IMDb: 7,5/10
🍅 Rotten Tomatoes: 76% (Crítica) | 98% (Público)
Sinopse
A animação acompanha o jovem pastor Davi (vozes de Brandon Engman e Phil Wickham), um garoto improvável escolhido para enfrentar desafios gigantescos — literalmente. Enquanto foge da sombra de seus irmãos e do temido rei Saul (voz de Adam Michael Gold), Davi descobre que coragem, fé e liderança nascem muito antes da coroa, em uma jornada que o conduzirá ao seu destino como rei de Israel.
Roteiro: Malcolm Spellman, Dalan Musson
Direção: Julius Onah
Elenco principal: Brandon Engman (jovem Davi), Phil Wickham (Davi adulto), Adam Michael Gold (Rei Saul), Brian Stivale (Profeta Samuel), Mark Jacobson (Jônatas), Asim Chaudhry (Golias).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Esta ótima animação, produzida pela Angel Studios (a mesma de The Chosen), aposta numa abordagem mais humana e intimista da figura bíblica do Rei Davi, concentrando-se em seu processo de formação durante a infância e a juventude. A narrativa acompanha a transição de um jovem improvável ao centro do poder, explorando conflitos internos, dilemas morais e o peso da responsabilidade antes mesmo da coroa. O filme encontra força ao tratar a ascensão de Davi como uma jornada marcada por escolhas difíceis, fé, medo e amadurecimento, evitando transformá-lo em um herói idealizado desde o início.
O elenco sustenta bem essa proposta, com destaque para Brandon Engman e Phil Wickham, que dublam Davi em suas versões criança e jovem, e também para o dublador brasileiro João Vítor Mafra, entregando atuações sensíveis e progressivas, muito alinhadas à evolução emocional do personagem. As figuras ao redor — profetas, líderes e rivais — enriquecem o drama ao representar diferentes visões de poder, fé e ambição. Visualmente sóbrio e narrativamente focado nos personagens, Davi – Nasce um Rei se destaca como um épico contido e reflexivo, mais interessado na construção do homem por trás do rei do que em simplesmente enaltecer o famoso governante de Israel.
É, enfim, uma ótima animação para crianças que não ignora a atenção dos adultos com uma belíssima história.
EXTERMÍNIO: O TEMPLO DOS OSSOS (28 Years Later: The Bone Temple, 2026) – Filme

Divulgação: Sony Pictures Releasing
NOS CINEMAS – Estreia em 15/01/26
Gêneros: Terror | Sobrevivência
📊 IMDb: 7,8/10
🍅 Rotten Tomatoes: 94% (Crítica) | -% (Público)
Sinopse
Continua a saga pós-apocalíptica, focando em Dr. Kelson (Ralph Fiennes) numa relação que pode mudar o mundo, enquanto o jovem Spike (Alfie Williams) enfrenta um pesadelo com o líder de uma seita, Jimmy Crystal (Jack O’Connell), mostrando que a desumanidade dos sobreviventes se tornou a maior ameaça, superando até mesmo os infectados.
Roteiro: Alex Garland
Direção: Nia DaCosta
Elenco principal: Ralph Fiennes (Dr. Kelson), Alfie Williams (Spike), Jack O’Connell (Jimmy Crystal), Chi Lewis-Parry (Sansão), Emma Laird (Jimmima).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Esta continuação direta do filme Extermínio: A Evolução (2025) retoma o universo criado por Danny Boyle com uma abordagem mais sombria e reflexiva, interessada menos no impacto imediato do horror e mais nas cicatrizes deixadas pelo tempo. Ambientado quase trinta anos após o surto inicial, o filme desloca o foco da simples sobrevivência para as consequências morais e sociais de um mundo que aprendeu a conviver com a violência como norma.
A narrativa acompanha personagens moldados pelo trauma, inseridos em comunidades que transformaram ruínas em dogmas e a morte em ritual. O “Templo dos Ossos” surge como símbolo perturbador dessa nova ordem, onde o verdadeiro terror não está apenas nos infectados, mas nas escolhas humanas. Com atmosfera opressiva, ritmo contido e forte carga psicológica, De acordo com críticos, Extermínio: O Templo dos Ossos tem se destacado como um capítulo mais maduro da franquia, interessado em questionar o que resta da humanidade quando o apocalipse já se tornou cotidiano. Depois do final de gosto duvidoso do filme de 2025, aparentemente conseguiram entregar uma narrativa bem superior e instigante.
Trata-se, portanto, de uma boa opção para quem gosta do gênero terror de sobrevivência.
HAMNET: A VIDA ANTES DE HAMLET (Hamnet, 2025) – Filme

Divulgação: Universal Pictures
NOS CINEMAS – Estreia em 15/01/26
Gênero: Drama histórico
📊 IMDb: 8,1/10
🍅 Rotten Tomatoes: 86% (Crítica) | 93% (Público)
Sinopse
O filme conta a história da esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), Agnes (Jessie Buckley), e sua luta contra a dor da perda do filho de 11 anos, Hamnet, para a peste, explorando como essa tragédia pessoal inspirou a criação da obra-prima Hamlet e aprofundando a figura do dramaturgo através do olhar de sua família, em especial de sua esposa.
Roteiro: Chloé Zhao e Maggie O’Farrell (baseado no romance de Maggie O´Farrell)
Direção: Chloé Zhao
Elenco principal: Jessie Buckley (Agnes), Paul Mescal (William Shakespeare), Joe Alwyn (Bartholomew), Justine Mitchell (Joan), Emily Watson (Mary), David Wilmot (John).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Este é um drama histórico de rara delicadeza, interessado menos em biografar Shakespeare e mais em investigar a origem íntima da criação artística do clássico Hamlet. O filme constrói sua força a partir de uma encenação contida, de um ritmo contemplativo e da atenção rigorosa aos gestos mínimos, tratando o luto como experiência sensorial e transformadora. Ao evitar o melodrama e o didatismo, o longa convida o espectador a observar como a dor se converte em memória, e a memória, em arte — uma proposta que dialoga diretamente com o cinema autoral contemporâneo.
Para o público cinéfilo, o filme vale especialmente pela sofisticação formal e pelo reconhecimento crítico que recebeu na temporada de prêmios, com destaque para suas vitórias no Globo de Ouro (Melhor filme de Drama e Melhor Atriz em filme de Drama para Jessie Buckley), que reforçam o impacto de sua abordagem intimista. Mais do que um drama de época, Hamnet se impõe como uma obra sobre ausência, criação e permanência, daquelas que permanecem no imaginário não pelo impacto imediato, mas pela sensibilidade com que transforma sentimentos em imagem, tempo e silêncio.
ALL HER FAULT (2026) – Minissérie

Divulgação: Prime Video
PRIME VÍDEO
Gêneros: Suspense | Drama psicológico
📊 IMDb: 7,5/10
🍅 Rotten Tomatoes: 80% (Crítica) | 73% (Público)
Sinopse
Marissa Irvine (Sarah Snook) acredita estar fazendo apenas mais uma tarefa rotineira quando deixa seu filho Milo (Duke McCloud) na casa de um colega de escola. Minutos depois, ao retornar, descobre que aquela residência nunca pertenceu à família indicada — e que ninguém ali conhece seu filho. A partir desse momento, Marissa mergulha em uma busca desesperada que a obriga a confrontar segredos do passado, desconfianças crescentes e a possibilidade de que nem todas as verdades sobre sua própria vida sejam reais.
Roteiro: Andrea Mara, Megan Gallager, Phoebe Eclair-Powell, Kam Odedra, James Smythe (baseado no livro homônimo de Andrea Mara).
Direção: Kate Dennis e Minkie Spiro.
Elenco principal: Sarah Snook (Marissa Irvine), Dakota Fanning (Janny Kaminski), Duke McCloud (Milo Irvine), Michael Peña (Detetive Alcaras), Sophia Lillis (Carrie Finch), Jake Lacy (Peter Irvine), Johnny Carr (Detetive Greco).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Esta ótima minissérie de suspense psicológico tem se destacado muito pela maneira como transforma um ponto de partida simples em uma investigação profunda sobre culpa, maternidade e percepção. A trama acompanha uma mãe que, ao buscar o filho na casa de um colega, descobre que ninguém reconhece a criança que ela afirma ter deixado ali horas antes. A partir desse evento perturbador, a série constrói uma narrativa tensa e progressiva, interessada menos em reviravoltas fáceis e mais na erosão emocional de sua protagonista, explorando a fragilidade da memória, da confiança e da identidade.
O principal atrativo está na condução precisa do suspense e no trabalho psicológico dos personagens, sustentado por atuações intensas (destaques especiais para Sarah Snook, Dakota Fanning e Michael Peña) e uma direção que privilegia atmosfera, silêncio e ambiguidade. A minissérie evita respostas imediatas e convida o espectador a compartilhar da insegurança da protagonista, criando um desconforto constante sobre o que é verdade, manipulação ou trauma. É uma minissérie que vale a pena justamente por tratar o suspense como experiência emocional, e não apenas como quebra-cabeça narrativo — daquelas que prendem não pelo choque, mas pela inquietação persistente que deixam após cada episódio.
DELE & DELA (His & Hers, 2026) – Minissérie

Divulgação: Netflix
NETFLIX
Gêneros: Drama | Mistério
📊 IMDb: 7,3/10
🍅 Rotten Tomatoes: 71% (Crítica) | 67% (Público)
Sinopse
Ao retornar à sua cidade natal para investigar um crime aparentemente banal, a jornalista Anna Andrews (Tessa Thompson) se vê envolvida em uma trama que conecta sua vida pessoal a segredos enterrados há anos. Paralelamente, o detetive Jack Harper (Jon Bernthal) conduz a investigação por caminhos que revelam versões conflitantes da verdade. Conforme os pontos de vista se alternam, a série constrói um quebra-cabeça narrativo sobre memória, culpa e até onde estamos dispostos a ir para proteger quem amamos.
Roteiro: Alice Feeney, William Oldroyd, William Oldroyd, Tori Sampson, Bill Dubuque, Dee Johnson.
Direção: Anja Marquardt e William Oldroyd.
Elenco principal: Tessa Thompson (Anna Andrews), Jon Bernthal (Jack Harper), Pablo Schreiber (Richard Jones), Marin Ireland (Zoe Harper).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Este suspense dramático se constrói a partir do choque entre versões conflitantes de uma mesma história. A trama acompanha dois pontos de vista sobre um relacionamento marcado por segredos, ressentimentos e narrativas cuidadosamente moldadas, transformando a intimidade do casal, interpretado de forma incrível porTessa Thompson e Jon Bernthal, em um campo de batalha psicológico. Em vez de buscar respostas rápidas, a série aposta na ambiguidade e na desconstrução da verdade, revelando como memória, afeto e poder influenciam aquilo que cada personagem escolhe contar — ou esconder.
O grande mérito da minissérie está na sofisticação estrutural e no uso consciente da narrativa em espelho, que nos convida a todo instante a questionar constantemente nossas próprias percepções dos fatos. Sustentada por atuações intensas e direção contida, Dele & Dela trata o suspense menos como mistério a ser solucionado e mais como experiência emocional, onde a tensão nasce do não dito e da instabilidade dos pontos de vista. É uma obra que vale a pena justamente por transformar o drama conjugal em reflexão sobre verdade, manipulação e identidade, mantendo o desconforto psicológico como força motriz até o fim.
THE PITT (2025- ) – Série – 2ª temporada

Divulgação: HBO Max
HBO MAX
Gêneros: Drama médico
📊 IMDb: 8,9 /10
🍅 Rotten Tomatoes: 95% (Crítica) | 87% (Público)
Sinopse
A série médica The Pitt (da HBO Max/Max) acompanha um turno caótico de 15 horas no pronto-socorro de um hospital fictício em Pittsburgh, focando na rotina intensa, nos dilemas pessoais dos profissionais e nos desafios de um sistema de saúde sobrecarregado, com o médico veterano Dr. Michael Robinavitch (Noah Wyle), marcado por perdas pessoais e pelo desgaste emocional da profissão, liderando a equipe que luta contra a falta de recursos para salvar vidas e lidar com seus próprios traumas, especialmente os da pandemia de COVID-19, tudo contado em tempo real para criar imersão.
Roteiro: R. Scott Gemmill, Noah Wyle, Valerie Chu, Elyssa Gershman, Joe Sachs, Simran Baidwan e Cynthia Adarkwa
Direção: Damian Marcano, Amanda Marsalis, John Cameron, John Wells, Quyen Tran, Uta Briesewitz, Silver Tree e Shawn Hatosy.
Elenco principal: Noah Wyle (Dr. Michael Robinavitch), Sepideh Moafi (Drª. Baran Al-Hashimi), Katherine LaNasa (Dana Evans), Shawn Hatosy (Dr. Jack Abbot), Taylor Cranston (Drª. Melissa “Mel” King), Isa Briones (Drª. Santos), Fiona Dourif (Drª. Cassie McKay), Gerran Howell (Dr. Whitaker), Supriya Ganesh (Drª. Samira Mohan), Patrick Ball (Dr. Frank Langdon).
💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?
Este drama médico surpreendente nos leva a uma imersão assustadora e, ao mesmo tempo, instigante, de um pronto-socorro de um hospital fictício de Pittsburgh, e seu formato dividido em 15 episódios nos permite acompanhar a liderança do talentoso e traumatizado Dr. Michael “Robb” Robinavitch (Noah Wyle) durante 15 horas de um plantão. A trama densa e incrivelmente realista apresenta também vários outros profissionais, incluindo alguns residentes em suas primeiras experiências de trabalho, vivenciando situações inusitadas e angustiantes. Com um elenco afiadíssimo e com um roteiro perfeito, The Pitt (cuja 2ª temporada estreiou no dia 08/01/26) é uma daquelas séries imperdíveis que já entrou para a história. Sua 1ª temporada, inclusive, está no 2º lugar do meu Ranking das 12 Melhores Séries que assisti em 2025.
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