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ADULTOS EM CRIANÇAS – CRIANÇAS EM ADULTOS

Por 16/04/2026No Comments4 min de leitura
bebes inteligentes

Que coisa fantástica é a cabeça do ser humano. Alguns, ainda na infância, precisam assumir atitudes de adultos e tomar decisões — e o fazem com louvor. Mesmo que cometam muitos equívocos (afinal, não tinham experiência por serem crianças), eles sobrevivem. O problema é que, quando uma criança começa a ter comportamentos de adulto, quer seja por um hábito sexual devido a um abuso ou por uma obrigação de servir exageradamente, essa pessoa terá dificuldade em ser um adulto saudável.

Um “esquema de fracasso” se instala em quem teve tanto sucesso e se doou tanto, fora de hora e sem experiência; por fim, acaba fracassando e levando isso para a vida adulta. Adultos com a mentalidade de fracasso tendem a desistir enquanto estão em vantagem — ou seja, podem concluir uma tarefa até certo ponto, mas desistem quando ela se torna muito difícil. Também podem escolher uma carreira para a qual são superqualificados ou apresentar pouca progressão no trabalho, por medo de se candidatarem a uma promoção e não obterem sucesso.

Adultos com esse esquema frequentemente se sentem estúpidos e incompetentes. Eles também tendem a reagir de forma extremamente sensível ao receberem feedbacks, ignorando os pontos positivos e focando nos negativos. Além disso, podem se comparar com os outros e perceber constantemente que são inferiores, devido à crença de que “não são bons o suficiente”.

E esses adultos se casam? Sim! Ao pensar nessa realidade tão comum para um adulto em um relacionamento, vejo o motivo de muitas relações ruírem. Meus esquemas infantis são inadequados. Foram necessários para a minha infância difícil, mas, como adulto, esses esquemas têm que ser silenciados, pois são naturalmente desajustados hoje. A sensação de que “tudo o que eu ofereço é pouco”, como sempre ouço, tem mais a ver com a minha visão de fracasso de mim mesmo do que com o outro, que mal agradeceu pelo que fiz.

Lembro-me de um poema em que uma criança trazia para a mãe um desenho, mas a mãe, ocupada, dizia não gostar do que fora desenhado. A criança voltava para trocar o desenho, que seria de novo desprezado. Depois de um tempo, a criança pensou que sua mão é que não sabia desenhar e a cortou. Exagero da poetisa, mas é assim que o fracasso é instalado. Como adulto, eu sei que estou dando o meu melhor, mesmo que a reação das pessoas em volta não seja de aplausos. A criança precisava deles; o adulto não deveria precisar.

bebes

Certamente, é importante que cada um de nós aprenda a agradecer pelo que recebe de seu cônjuge ou de seus pais, mas, ao mesmo tempo, não podemos oferecer algo esperando o aplauso. Principalmente nas questões de rotina, precisamos ter prazer no ato de doar, e não na gratidão, que muitas vezes se perde no dia a dia. A serenidade na relação deveria nos satisfazer mais do que os sonidos exagerados do reconhecimento, que a pessoa que acolhemos teria que declarar apenas para que eu não me sentisse um fracassado.

Dito isso, termino lembrando que todos nós desenvolvemos esquemas inadequados para sobreviver, por mais saudável que tenha sido nossa infância e nossa família. No entanto, hoje eles não são mais adequados. Temos que ter consciência disso e lembrar que nos relacionamos com pessoas que também vêm de esquemas desadaptativos. Portanto, tenha paciência com você e acolha a si mesmo, mas tenha paciência também com o outro. Acolha o próximo. E assim, acolhidos, criaremos um ambiente para que nossas crianças sigam em frente e se tornem adultos saudáveis — como nós estamos nos tornando.

Cleydemir Santos é psicólogo sistêmico, terapeuta de casais. Especialista em Psicodrama e TCC – Terapia Cognitvo-comportamental.

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