
Entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, a atenção do setor de turismo brasileiro e latino-americano esteve voltada para a capital paulista, que recebeu mais uma edição da ABAV Expo.
Promovida pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV Nacional) — entidade representativa do segmento no país —, a ABAV Expo é considerada a maior feira de turismo da América Latina. O evento reúne profissionais e empresas de diferentes elos da cadeia produtiva, como agentes de viagens, operadoras, redes hoteleiras, companhias aéreas, destinos e fornecedores de produtos e serviços.
Com foco na geração de negócios e no fortalecimento de relacionamentos, a programação também contemplou palestras, painéis e debates sobre tendências, inovação, tecnologia e sustentabilidade.
Além de se consolidar como um espaço privilegiado para negócios e troca de conhecimentos, a feira firmou-se como uma importante vitrine para destinos turísticos nacionais e internacionais, possibilitando a apresentação de produtos e experiências diretamente aos profissionais responsáveis por sua comercialização e promoção.
É nessa perspectiva que Minas Gerais — ou, melhor dizendo, “Minas” — esteve presente no evento, reforçando seu posicionamento como um destino competitivo, diversificado e capaz de oferecer experiências que dialogam com diferentes perfis de viajantes, tanto no mercado nacional quanto no latino-americano.
Com o mote “Minas Essencial”, o Estado apresentou na ABAV Expo a diversidade de seus territórios e a riqueza de seus produtos turísticos, valorizando aquilo que o torna singular: sua cultura, gastronomia, hospitalidade, natureza, história e a capacidade de transformar cada viagem em uma experiência marcada por autenticidade e conexão.
Mais do que apresentar destinos, a participação de Minas Gerais representou uma oportunidade de aproximar os territórios do mercado, gerar conexões e ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos turísticos mineiros. Nesse movimento, diferentes regiões do Estado estiveram presentes para mostrar que Minas é feita de múltiplos caminhos, paisagens, sabores e histórias.
Afinal, como já dizia o escritor mineiro Guimarães Rosa, “Minas são muitas” — uma frase que traduz perfeitamente a pluralidade de um território que não se resume a uma única realidade, mas se revela em diferentes identidades, culturas e experiências. É justamente nessa diversidade que reside uma de suas maiores riquezas: cada uma dessas “Minas” tem algo singular e essencial a oferecer ao visitante.
Percorrendo o espaço “Minas Essencial”, entre rotas, roteiros, Instâncias de Governança Regional (IGRs) e a Cozinha Viva, foi possível perceber essa diversidade ganhando forma. Diferentes identidades mineiras estiveram lado a lado, apresentando seus produtos e particularidades, evidenciando que a pluralidade é a grande força do turismo em nosso Estado.

E foi nesse cenário de múltiplas identidades e experiências que os territórios da IGR Mata Atlântica de Minas (CTMAM), em especial o Vale do Aço, se apresentaram ao mercado, levando seus produtos, experiências e possibilidades e mostrando que, entre as muitas Minas, há também um vale além do aço, com histórias para contar, experiências para oferecer e caminhos para serem descobertos.
A presença dos produtos turísticos do Vale do Aço no espaço “Minas Essencial” também está relacionada a uma importante estratégia de promoção e comercialização do turismo mineiro. Para os anos de 2026 e 2027, produtos turísticos da região foram contemplados entre os produtos prioritários do Estado de Minas Gerais, em uma iniciativa desenvolvida por meio da cooperação entre a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT) e o Sebrae Minas.
A inserção nesse movimento amplia a visibilidade dos produtos do Vale do Aço diante de agentes de viagens, operadores e demais profissionais do mercado turístico, criando oportunidades de relacionamento e comercialização. Ao mesmo tempo, representa o reconhecimento do potencial dos produtos estruturados no território e de sua capacidade de integrar a oferta turística de Minas Gerais.
Mas essa presença não aconteceu por acaso. A participação dos produtos turísticos do Vale do Aço na ABAV EXPO é também resultado de um trabalho coletivo iniciado em 2011, com a estruturação do que hoje se consolidou como a Rede Turismo no Vale. Uma iniciativa que reúne diferentes atores da cadeia produtiva do turismo em um espaço de construção colaborativa, voltado à cocriação e à promoção de produtos integrados e, sobretudo, ao fortalecimento da identidade turística do Vale do Aço.
A IGR Mata Atlântica de Minas também faz parte dessa caminhada desde o início e, neste momento, vem contribuindo para promover e divulgar seus territórios, ampliando sua visibilidade e criando novas possibilidades de atração de turistas. Para o presidente da IGR, Hélio Anício, estar na ABAV foi uma oportunidade de dar visibilidade ao trabalho que vem sendo realizado pelos municípios, criar conexões e abrir novas possibilidades:
Foi uma oportunidade de dar visibilidade aos municípios que estão trabalhando para o fortalecimento do turismo local, mostrar nossa região para profissionais do turismo, criar conexões e ampliar as possibilidades de colocar nossos territórios no roteiro de quem busca novas experiências.

Ao longo dessa trajetória, diferentes pessoas, instituições, empresas, empreendedores e representantes do poder público contribuíram para transformar ideias em iniciativas, produtos e experiências. É um movimento organizado, coletivo e feito de muitas mãos, que demonstra que o desenvolvimento turístico não acontece de forma isolada, mas é construído com planejamento, conhecimento, articulação e participação.
Estar presente na ABAV EXPO 2026 é, portanto, mais do que participar de uma feira. É uma das conquistas de um trabalho sério, técnico e coletivo, construído ao longo dos anos e que agora coloca os produtos e experiências do Vale do Aço diante de profissionais de um dos principais mercados de turismo do país e da América Latina.
Durante a feira, quem circulava pelo balcão da IGR Mata Atlântica de Minas (CTMAM) era convidado a conhecer os 23 municípios associados e a diversidade de seus territórios, atrativos e possibilidades turísticas. A partir dessa primeira aproximação, o visitante era direcionado a conhecer, com mais detalhes, os produtos turísticos do Vale do Aço.
Nos balcões do Ipatinga Rural Roteiro Turístico, Serra dos Cocais Roteiro Turístico e Rota Vales dos Tropeiros, a abordagem começava pela narrativa “Vale do Aço – Vale viver tudo isso”, apresentando o território como uma unidade e reforçando seu posicionamento como destino turístico.
A partir dessa identidade comum, anfitriões e representantes dos receptivos locais aprofundavam a conversa, apresentando as características, experiências e possibilidades de cada produto. O interessado podia, assim, conhecer diferentes formas de viver o Vale: pela ruralidade, pela cultura, pela natureza, pelo cicloturismo, pela gastronomia e pelas histórias que atravessam seus territórios.

Por falar em conhecer o Vale pela gastronomia, um dos momentos de destaque foi a participação na Cozinha Viva, espaço em que o destino apresentou a “Trilogia do Vale”, uma criação que traduziu o Vale do Aço em sabores, unindo tradição, território e inovação.
O prato foi pensado para contar essa história também por meio de seus ingredientes. O fubá suado mineiro ganhou uma releitura autoral, forjado sob pressão, em referência à força da siderurgia que marca a identidade da região. A ele se juntaram produtos artesanais do destino: o ragu de carne de lata, do Serra dos Cocais Roteiro Turístico, resgatando a memória tropeira; o queijo artesanal e premiado, do Ipatinga Rural Roteiro Turístico; e, para abrir o apetite, como o mineiro gosta, uma dose de cachaça da Rota Vales dos Tropeiros.

Mais do que reunir sabores, a Trilogia do Vale colocou à mesa produtos artesanais do Vale do Aço, transformando cada ingrediente em uma forma de revelar o território. Cada um carregou consigo uma história, um saber e uma referência territorial, mostrando que a gastronomia também pode ser uma forma de valorizar, promover e despertar o interesse por um destino.
No prato, a tradição mineira encontrou a identidade do Vale do Aço. E, em cada sabor, estavam presentes os caminhos, as pessoas e as experiências que ajudam a construir o turismo da região.
Toda essa presença e todo esse movimento só foram possíveis porque há pessoas envolvidas, comprometidas e dispostas a fazer acontecer. Nos balcões, para dar vida a tudo o que foi apresentado, anfitriãs dos roteiros e da rota, juntamente com representantes dos receptivos locais, estiveram à frente dando voz e forma ao que o Vale do Aço tinha para apresentar ao mercado.
Foram elas que receberam agentes e operadores de turismo, estabeleceram os primeiros contatos, contaram histórias, apresentaram produtos, compartilharam experiências, esclareceram dúvidas e despertaram o interesse por conhecer e, sobretudo, comercializar os produtos turísticos da região. Mais do que representar um produto, representaram um território.
E estar ali também foi uma oportunidade de perceber como o mercado enxerga o território. Para Rosângela, anfitriã do Serra dos Cocais Roteiro Turístico, as pessoas ficaram encantadas ao descobrir que, além da indústria, existe um Vale do Aço cheio de natureza, gastronomia, cultura e experiências.
Maria José, anfitriã do Ipatinga Rural Roteiro Turístico, também percebeu esse desejo por descobrir novos lugares. Segundo ela, agentes e operadores estavam em busca de “novidades”, de novos roteiros e rotas para oferecer aos seus grupos. Entre tantas possibilidades apresentadas, um detalhe despertou atenção especial: a possibilidade de chegar ao destino pela via férrea, mostrando que até mesmo o caminho para chegar ao Vale pode fazer parte da experiência.
Nas conversas, também foi possível perceber que diferentes públicos encontram diferentes motivos para se interessar pelo território. Gabriela, receptivo local, observou a procura de agentes e operadores que trabalham especialmente com grupos e com o público da terceira idade, além do interesse de guias que atuam com excursões. Para ela, havia uma percepção clara entre os profissionais: o Vale do Aço era um destino interessante, com vontade de ser conhecido e vendido.
Ildeniza, também receptivo turístico, por sua vez, percebeu um interesse especial pela Rota Vales dos Tropeiros Cicloturismo. A combinação entre natureza, paisagens, cultura, desafios e novas experiências despertou a curiosidade de quem buscava destinos diferentes para ciclistas e também para caminhantes. O Parque Estadual do Rio Doce também chamou atenção e, segundo ela, foi possível perceber o encantamento dos agentes diante das possibilidades de experiências com a natureza e a vida silvestre.
E, entre tantas conversas, a gastronomia apareceu novamente como uma das grandes portas de entrada para o território. Ana Cleide, enquanto receptivo local, percebeu o interesse pelas experiências, especialmente pelas vivências na queijaria, pela rapadura e pelas experiências culturais e de natureza. Para ela, a combinação entre gastronomia, turismo rural, natureza e projetos ambientais despertava curiosidade justamente por apresentar uma experiência diferente daquilo que muitos profissionais já conheciam em Minas Gerais.

Mas as conversas também mostraram que, para transformar curiosidade em venda, é preciso conhecer os detalhes. Os agentes perguntavam sobre datas, logística, número de visitantes, valores, comissionamento e sobre como apresentar cada experiência ao cliente. Era o mercado querendo entender não apenas o que existe no Vale, mas como pode levar esse Vale para seus próprios viajantes.
Talvez esse tenha sido um dos maiores aprendizados da feira: despertar o interesse é apenas o começo. Depois do primeiro encantamento, vem a vontade de conhecer, experimentar e, finalmente, recomendar e comercializar.
É por isso que, para Ana Cleide, a participação na ABAV não termina quando a feira acaba. Um próximo passo importante seria proporcionar aos agentes e operadores a oportunidade de vivenciar os roteiros de perto. Afinal, depois de conhecer uma experiência, sentir seus sabores, percorrer seus caminhos e ouvir suas histórias, fica muito mais fácil falar sobre ela para outra pessoa.
E essa talvez seja a melhor tradução do que aconteceu naqueles dias: o Vale do Aço deixou de ser apenas uma informação em um mapa ou um nome conhecido pela indústria e passou a ocupar um espaço nas conversas de quem procura novos destinos, novas histórias e novas experiências.
O agente que chegou perguntando sobre um roteiro saiu levando uma possibilidade. Aquele que se encantou com uma paisagem levou uma história para contar. Quem descobriu a gastronomia levou um sabor na memória. E quem conheceu a rota e os roteiros passou a enxergar novos caminhos.
No fim, o que se apresentou na ABAV EXPO foi muito mais do que um conjunto de produtos turísticos. Foi um território, suas histórias e sua gente; um movimento construído por muitas mãos e sustentado por pessoas que acreditam que o turismo pode revelar novas possibilidades para a região.
Entre as muitas Minas apresentadas na feira, o Vale do Aço mostrou que também tem seu lugar, e que há muito além do aço para descobrir.
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