
FRUSTAÇÃO OU CRESCIMENTO?
Segundo a Estatística do Registro Civil, sabemos que, de cada 10 casamentos, 4 acabam nos primeiros 2 anos — sem contar o péssimo índice de 2017, em que houve mais divórcios do que casamentos formais nos 12 meses contabilizados. Falta habilidade para estar casado, mesmo que haja vontade. O desejo leva ao casamento, mas a falta de habilidade desemboca no divórcio.
Aos 2 anos, ainda estamos engatinhando no aprendizado de habilidades. Se, antes de elas chegarem, o desejo vai embora, chega a ruptura. Parece uma via de mão única para o jovem casal. Já ouvi muito arrependimento lá na frente, quando a maturidade chega, da decisão tomada nos dois primeiros anos. Permita-me citar dois itens importantes nesse engatinhar das emoções de um relacionamento que impedem o casal de aprender a andar, se levantar, crescer e ser feliz.
EXPECTATIVA — André, nosso filho, gostava muito de ajudar o pai quando eu fazia as tarefas de casa e ele era pequeno. O problema é que ele queria o que não podia fazer: queria dirigir o carro, usar a faca, subir na escada. Sempre se frustrava porque o pai queria ensinar-lhe coisas compatíveis com sua idade, e não deixá-lo fazer do jeito dele. A expectativa quebrada é uma realidade em toda relação, mas o casal não é pai e filho.
São pares e ambos se frustram muito! E mais frustrante fica se um dos dois se sente o “adulto”, tratando o outro como uma criança que deve ser educada por não pensar como ele ou por não fazer do jeito dele. Nesse caso, além da frustração, vamos gerar prejuízo e sofrimento para nosso cônjuge. Ambos estão aprendendo. Ambos estão se conhecendo. Mas, quanto maior a expectativa, maior a frustração. De fato: “Eu não tenho nada contra meu cônjuge, mas gostaria de ter a pessoa que fantasiei”. Ele não é quem eu pensava que fosse. Ninguém seria. Nunca é.
DIFERENÇAS — “Os opostos se atraem”, é verdade; mas os opostos se atacam. Se anulam. Só que não tem que ser assim. O legal das diferenças é que elas são biológicas e naturais, mas as recebemos como se fossem surpresa. Elas fazem com que uma relação tenha muita frustração, sim; mas, por outro lado, teremos pouco tédio! Eu, expansivo e “da galera” desde a adolescência, me apaixonei por uma mulher introvertida e caseira. Foi muito legal por 6 meses; depois, foi desafiador administrar isso — para nós dois. Hoje, 37 anos depois, ainda lidamos com os desafios da minha dificuldade de ficar em casa e do pavor de multidão que ela tem. Ninguém mudou. Ninguém venceu ninguém. Aprendemos a lidar com a diferença. Nada de tédio nesses anos todos!
De fato, somos diferentes em cada célula do nosso corpo e temos que aprender a admirar essas diferenças. Temos que respeitar o outro e desenvolver a habilidade de fazer o outro ficar à vontade perto de nós, apesar delas. Deixe-me propor, então, duas possibilidades de crescimento:
Primeiro, lembre-se de que o casamento é a união de duas pessoas imperfeitas; logo, nunca construiremos um casamento perfeito por si só. Para desenhar para você: não é o seu cônjuge que é imperfeito, são vocês dois. Logo, tenham paciência um com o outro. Seja realista consigo mesmo antes de demonizar o outro.
Depois, aprendam a celebrar o que têm em comum. Deus nos pôs opostos e juntos com uma intenção. Vamos aprendendo. Nós precisamos dos dois elementos para o equilíbrio. Um fala muito, e está tudo bem se o outro for um bom ouvinte! Precisamos uns dos outros. As diferenças nos fortalecem. Teremos sempre um novo ponto de vista que não é contrário ao nosso, apenas diferente. Seria pobre se fôssemos iguais: ficaríamos só na rua ou só enfiados em casa, considerando o exemplo do meu casamento.
Portanto, baixem as expectativas, respeitem as diferenças e cresçam juntos. A frustração faz parte da vida — e vence o tédio! Vai valer a pena.
Cleydemir Santos é psicólogo sistêmico, terapeuta de casais. Especialista em psicodrama e Terapia do Esquema. (31.9915-2348)
Para outras matérias como essa, clique no link https://socialyte.com.br/categorias/noticia/familia-e-relacionamento/
Fique por dentro de tudo que acontece na nossa região. Clique Aqui e entre para nosso grupo exclusivo!





