
NÓDULO NA MAMA DURANTE A AMAMENTAÇÃO
Encontrar um caroço na mama durante a amamentação pode assustar. Afinal, em um período em que o corpo já passa por tantas mudanças, qualquer alteração pode despertar a preocupação: “Será que é alguma coisa séria?”.
A primeira coisa a saber é que a maioria dos nódulos que aparecem durante a lactação é benigna. A mama da mulher que amamenta não é igual à mama fora desse período: ela produz leite, os ductos estão mais ativos, há aumento da circulação sanguínea e maior quantidade de tecido glandular e líquido. Por isso, é natural que as mamas fiquem mais densas e, algumas vezes, com áreas endurecidas ou nodulares.
Contudo, um nódulo persistente não deve ser simplesmente atribuído à amamentação. Antes de imaginar o pior, vale observar o comportamento dessa alteração.
Quando o nódulo aparece durante a lactação, uma das primeiras medidas é amamentar ou ordenhar para perceber se ele diminui ou desaparece. Algumas alterações estão diretamente relacionadas ao acúmulo ou à dificuldade de drenagem do leite e melhoram depois que a mama é esvaziada.
Entre as situações mais comuns estão o ingurgitamento mamário (quando a mama fica cheia, endurecida e dolorosa), o ducto obstruído (que pode causar uma pequena área endurecida) e a galactocele (um acúmulo de leite provocado pela obstrução de um ducto, geralmente percebido como um nódulo móvel e pouco doloroso).
Há ainda a mastite, que costuma vir acompanhada de dor, vermelhidão e febre. Quando um processo inflamatório não evolui bem e ocorre a formação de uma coleção de pus, pode surgir um abscesso, que necessita de avaliação e tratamento específicos.
Diante de uma mama endurecida ou de uma mastite, era comum as pessoas fazerem massagens fortes para “desempedrar” o leite. Porém, hoje essa orientação mudou! Massagens profundas e vigorosas podem aumentar o trauma dos tecidos e a inflamação, e o uso prolongado de calor não é mais recomendado. Em casos de mastite, compressas frias após as mamadas são a melhor opção, pois reduzem o edema e o desconforto. Além disso, a amamentação pode e deve ser mantida!
O ultrassom é o exame inicial de escolha! Ele é seguro, não utiliza radiação e ajuda a diferenciar alterações de conteúdo líquido de lesões sólidas, além de orientar procedimentos como punções e drenagens, quando necessários.
E quando é preciso investigar? Se um nódulo permanecer por mais de duas semanas, sem melhora após o esvaziamento da mama ou apresentando crescimento progressivo, é importante procurar avaliação médica. Também é fundamental ficar atenta aos sinais de alerta: alterações na pele (como retrações ou aspecto de “casca de laranja”), secreção sanguinolenta pelo mamilo e presença persistente de um gânglio aumentado na axila.
O câncer de mama associado à gestação e à lactação é raro, mas existe e pode ocorrer até um ano após o parto. O diagnóstico é mais difícil e pode ser atrasado porque a mama neste período está aumentada, mais densa e sujeita a diversas alterações benignas. Por isso, persistência e evolução são sinais que merecem atenção.
Conhecer a própria mama é cuidar da saúde! A mulher que amamenta pode observar suas mamas após as mamadas, comparar os dois lados e perceber se existe alguma mudança permanente. Apender e realizar o autoexame é indispensável. E, se perceber algo diferente, procurar a ajuda de um profissional capacitado é essencial.
Cuidar da amamentação não é apenas sobre o aleitamento materno — significa olhar para a mãe e para a sua saúde como um todo.
#Autoconhecimento é um ato de amor e cuidado.
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