
Cuidado e controle.
Uma mãe me perguntou: “O que você diz sobre cuidado e controle?”. Ela é mãe de um adulto — uma pessoa casada e com filho. Fiquei pensando em como falar disso sem magoá-la. Será que ela ententende sua vulnerabilidade e a vulnerabilidade dos filhos adultos casados? Sem esse entendimento de dores e necessidades, essa relação entre pais, filhos, noras e genros será muito frustrante.
Todo cuidado que uma mãe tem com uma filha ou com um filho é muito importante para a maturidade e a formação de um adulto saudável. Sem esse cuidado, ele será apenas um adulto. E o filho ou a filha tem a obrigação de honrar o pai e a mãe através de uma atitude de obediência enquanto for solteiro e viver debaixo do mesmo teto. As regras são definidas pelos adultos da casa, desde o horário de entrar e sair até mesmo as pessoas com quem os filhos se relacionam.
Este controle é parte do cuidado. Nenhum sistema funciona sem regras, sem clareza do que esperamos uns dos outros. É um treino para outros processos futuros que também devem ter limites. Sem isso, o jovem não é livre: é solto. E uma peça solta não segura ninguém — nem a si mesma.
Mas eles cresceram e são adultos. Como os adultos honram os pais? Não mais com obediência, mas sendo bons cidadãos, bons pagadores de contas, bons profissionais, bons cônjuges e bons pais; dando orgulho aos pais ao se mostrarem adultos saudáveis. E, se são casados, muito mais distante fica a honra demonstrada pela obediência.
Toda forma de controle deixa de ser cuidado para se tornar uma tentativa de intervenção desadaptativa e invasiva. Mesmo que o casal não esteja tão organizado, os pais devem deixar os filhos adultos (que estão fora de casa) tomarem conta da própria vida. Eles vão ter outros modelos, não mais os pais, para suas referências. Eles têm amigos, têm padrinhos, outros colegas casados e vão continuar ensaiando a vida. A vida não anda para trás! Se houver uma divergência entre seus pais e seu cônjuge, não tenha dúvida: esteja ao lado do seu cônjuge. Quem está contra o seu cônjuge está contra você, mesmo que sejam seus pais.
Toda tentativa de controle tem mais a ver com a carência desse pai ou dessa mãe do que com a necessidade desse filho ou filha de ser protegido. Se essa impressão está chegando lá, se pedidos de socorro estão sendo passados inconscientemente, estamos diante de um impasse. Trata-se de um adulto ou não? Está casado, sim, mas é um adulto? Porque, se for, vai buscar outra ajuda que não atrapalhe o descanso desse pai e dessa mãe que já o lançaram para a vida. A vida não anda para trás. Mesmo que um relacionamento esteja prestes a terminar, a casa dos pais não é o melhor endereço.
Você é pai de criança e adolescente? Cuidado e controle na mesma medida. Seu filho é adulto e solteiro? Mais cuidado do que controle. Seu filho é casado? Cuidado até com o cuidado.
Adultos casados, atenção: seus pais não têm que entender isso. Se for o caso, estabeleça limites claros. Cada um, então, imponha limites aos seus próprios pais — nunca aos pais do cônjuge. Daqui a pouco as coisas se ajeitam.
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