3 ÓTIMAS SÉRIES DA NETFLIX QUE POUCA GENTE CONHECE

Por 29/08/2026No Comments13 min de leitura
3 OTIMAS SERIES DA

Você já teve a sensação de que, para cada 10 novas séries estreantes nos streamings, cerca de 7 a 8 só servem mesmo para “preencher catálogo”? Não que sejam necessariamente ruins, mas grande parte desses lançamentos não tem você como público-alvo ou é, realmente, muito aquém da qualidade de séries já consagradas, apelando para roteiros com “algoritmo padrão” e um compilado de clichês do mais do mesmo. Pensando nisso, apresento, na matéria de hoje, 3 ótimas séries da Netflix que pouca gente conhece e que são verdadeiras “joias escondidas”.

São produções bastante diferentes entre si, mas que compartilham roteiros inteligentes, personagens marcantes, atuações formidáveis e uma capacidade impressionante de prender o espectador do primeiro ao último episódio.

Nesta seleção, temos uma investigação sobre a mente de serial killers, um apocalipse zumbi ambientado na Coreia medieval e um thriller político de tirar o fôlego. Três propostas completamente distintas e três excelentes motivos para explorar um pouco além dos títulos mais badalados do catálogo.

Se você está procurando uma nova série para maratonar e gosta de descobrir produções que nem sempre aparecem entre as mais comentadas, vale a pena conferir estas três indicações:

MINDHUNTER (2017-2019)

Mindhunter Divulgacao Netflix 1

Divulgação: Netflix

2 temporadas, com 19 episódios

Gênero: Drama | Policial | Suspense | Crime

📊 IMDb: 8,6/10
🍅 Rotten Tomatoes: 97% (Crítica) | 95% (Público)

Sinopse: No final dos anos 1970, os agentes do FBI Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Holt McCallany) começam a estudar uma nova categoria de criminosos que ainda não era adequadamente compreendida pelas autoridades: os serial killers. Com a ajuda da psicóloga Wendy Carr (Anna Torv), a dupla passa a entrevistar assassinos presos para tentar compreender suas motivações, padrões de comportamento e processos mentais. À medida que o projeto ganha importância dentro do FBI, os investigadores mergulham cada vez mais profundamente na mente de homens responsáveis por crimes aterrorizantes — enquanto descobrem que tentar compreender o mal pode ter consequências bastante perigosas.

Criação: Joe Penhall

Direção: David Fincher, Carl Franklin, Andrew Douglas, Asif Kapadia, Tobias Lindholm e Andrew Dominik

Elenco principal: Jonathan Groff (Holden Ford), Holt McCallany (Bill Tench), Anna Torv (Wendy Carr), Cameron Britton (Ed Kemper), Hannah Gross (Debbie Mitford), Cotter Smith (Shepard), Stacey Roca (Nancy Tench)

💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?

Poucas séries policiais conseguiram transformar entrevistas em cenas tão tensas quanto Mindhunter. E esse talvez seja justamente o maior mérito da produção: em vez de depender de perseguições, tiroteios e reviravoltas a cada episódio, a série constrói suspense por meio de conversas.

Criada por Joe Penhall e produzida por David Fincher, Mindhunter acompanha o nascimento da moderna ciência de perfil criminal dentro do FBI. A inspiração veio de casos e personagens reais, mas a série não está interessada apenas em mostrar os crimes. Seu verdadeiro objetivo é tentar compreender por que determinados indivíduos se transformam em assassinos. E é justamente nesse ponto que a produção se torna fascinante.

Holden Ford, Bill Tench e Wendy Carr precisam entrar na cabeça de criminosos extremamente perigosos para descobrir padrões que possam ajudar a polícia a identificar futuros assassinos. O problema é que, ao conversar constantemente com pessoas capazes de cometer atrocidades, eles próprios começam a ser afetados por aquilo que escutam.

Jonathan Groff entrega uma atuação excelente como Holden, construindo um personagem inteligente, ambicioso e, ao mesmo tempo, cada vez mais obcecado pelo trabalho. Holt McCallany também está excepcional como Bill Tench, o agente mais experiente e pragmático da dupla. Já Anna Torv acrescenta ao trio uma perspectiva acadêmica e psicológica indispensável.

Mas é impossível falar de Mindhunter sem mencionar Cameron Britton como Ed Kemper. Suas entrevistas com Holden estão entre os momentos mais perturbadores de toda a série. O mais assustador é justamente a maneira educada, articulada e aparentemente tranquila com que Kemper conversa sobre seus crimes. Assim como Ed Kemper, diversos serial killers reais retratados na série, como Jerry Brudos, Charles Manson e David Berkowitz (“O Filho de Sam“), foram interpretados por atores cuidadosamente caracterizados, alguns deles tão semelhantes às figuras que representam que, em determinados momentos, Mindhunter quase parece um documentário.

A direção de Fincher também merece destaque. A fotografia sombria, os enquadramentos meticulosos e o ritmo deliberadamente cadenciado transformam cada entrevista em um verdadeiro duelo psicológico.

Mindhunter teve apenas duas temporadas e deixou o público ansioso por uma 3ª temporada que nunca veio, mas justamente por isso se tornou uma daquelas produções que continuam sendo redescobertas anos depois. Para quem gosta de séries policiais inteligentes, principalmente para os fãs de true crime, temática em alta crescente nos últimos anos, Mindhunter é praticamente obrigatória.

Detalhe importante: ainda há esperança de que Fincher um dia retome a série. Tanto fãs quanto elenco e o próprio diretor têm um carinho enorme pela obra.

KINGDOM (2019-2020)

Kingdom Divulgacao Netflix

Divulgação: Netflix

2 temporadas, com 12 episódios

Gênero: Terror | Ação | Suspense | Drama Histórico

📊 IMDb: 8,3/10
🍅 Rotten Tomatoes: 98% (Crítica) | 91% (Público)

Sinopse: Durante a Dinastia Joseon, na Coreia do século XVI, estranhos rumores sobre a doença do rei começam a provocar medo entre os habitantes do reino. Impedido de se aproximar do próprio pai, o príncipe herdeiro Lee Chang (Ju Ji-hoon) parte em busca de respostas e descobre que uma misteriosa epidemia está transformando os mortos em criaturas violentas e famintas. Ao lado da médica Seo-bi (Bae Doona) e de aliados improváveis, o príncipe precisa enfrentar não apenas uma ameaça sobrenatural que se espalha rapidamente, mas também as disputas políticas de uma corte dominada por conspirações e interesses pelo poder.

Criação: Kim Eun-hee

Direção: Kim Seong-hun e Park In-je

Elenco principal: Ju Ji-hoon (Príncipe Lee Chang), Ryu Seung-ryong (Cho Hak-ju), Bae Doona (Seo-bi), Kim Sang-ho (Mu-yeong), Kim Sung-kyu (Young-shin), Kim Hye-jun (Rainha Consorte), Huh Joon-ho (An Hyun)

💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?

Imagine juntar Game of Thrones, histórias de zumbis e um drama histórico asiático. O resultado poderia parecer estranho no papel, mas Kingdom prova que essa combinação pode funcionar — e funcionar muito bem.

Produzida na Coreia do Sul, a série utiliza o período histórico da Dinastia Joseon (1392-1897) como cenário para contar uma história de sobrevivência, conspiração e horror. E um de seus grandes diferenciais está justamente na maneira como o elemento sobrenatural é integrado à narrativa política.

Aqui, os zumbis não são simplesmente uma ameaça externa. Eles fazem parte de uma história maior envolvendo poder, sucessão ao trono, manipulação política e uma epidemia misteriosa. George Romero (A Noite dos Mortos-Vivos, 1969), cineasta que praticamente inventou o conceito de zumbis modernos, ficaria muito orgulhoso de como eles são retratados em Kingdom: não são utilizados somente como monstros num recurso narrativo raso, mas representam uma analogia da sociedade da época, sem deixar de apresentar um espetáculo grandioso.

A produção consegue criar uma atmosfera impressionante. Palácios, vilarejos, florestas e fortalezas são utilizados como cenários para sequências de ação extremamente bem realizadas. Quando a epidemia começa a se espalhar, Kingdom transforma ambientes históricos em verdadeiros campos de batalha.

E os zumbis são realmente assustadores. Diferentemente de algumas produções que transformam essas criaturas em meros obstáculos para os protagonistas, a série explora sua velocidade, ferocidade e quantidade para criar algumas sequências de enorme tensão.

O grande mérito de Kingdom, entretanto, é não depender exclusivamente do terror. A disputa pelo poder acrescenta uma segunda camada à história, fazendo com que o espectador nunca saiba qual ameaça é mais perigosa: os mortos que caminham ou os vivos que desejam o trono.

Ju Ji-hoon constrói um protagonista carismático e determinado, enquanto Bae Doona se destaca como Seo-bi, uma personagem fundamental para compreender a misteriosa epidemia. Ryu Seung-ryong também está excelente como o ambicioso Cho Hak-ju.

Com toda a história encerrada em apenas duas temporadas e 12 episódios, Kingdom é uma excelente opção para quem procura uma produção diferente, visualmente impressionante e capaz de combinar gêneros aparentemente incompatíveis.

SEGURANÇA EM JOGO (Bodyguard, 2018)

Seguranca em Jogo Divulgacao Netflix

Divulgação: Netflix

Minissérie com 6 episódios

Gênero: Drama | Suspense | Thriller Político | Mistério

📊 IMDb: 8,3/10
🍅 Rotten Tomatoes: 93% (Crítica) | 84% (Público)

Sinopse: O veterano de guerra David Budd (Richard Madden) trabalha como policial especializado em proteção e, depois de ajudar a impedir um atentado terrorista, recebe a missão de proteger a controversa ministra do Interior britânica Julia Montague (Keeley Hawes). O problema é que Montague representa tudo aquilo que Budd despreza na política e é uma das principais defensoras das ações militares que contribuíram para os traumas que ele carrega da guerra. Enquanto tenta cumprir sua missão, o policial se vê envolvido em uma complexa conspiração que mistura terrorismo, política, espionagem e interesses dentro das próprias forças de segurança.

Criação: Jed Mercurio

Direção: Thomas Vincent e John Strickland

Elenco principal: Richard Madden (David Budd), Keeley Hawes (Julia Montague), Gina McKee (Anne Sampson), Sophie Rundle (Vicky Budd), Vincent Franklin (Mike Travis), Pippa Haywood (Lorraine Craddock), Paul Ready (Rob MacDonald)

💡 POR QUE VALE A PENA ASSISTIR?

Não se engane pelo título genérico e até pelo marketing meio clichê. Segurança em Jogo é uma daquelas séries com tensão do início ao fim que foi muito subestimada em seu lançamento, mas que merece toda a sua atenção.

A produção britânica criada por Jed Mercurio, showrunner das também excelentes séries inglesas Bodies (2004-2006) e Line of Duty (2012- ), é uma daquelas produções onde tudo parece estar prestes a explodir em cada episódio. Desde os primeiros minutos, tudo em tela nos deixa inquietos e em constante suspense.

Richard Madden, conhecido mundialmente por interpretar Robb Stark em Game of Thrones, assume aqui um papel completamente diferente. Como David Budd, ele interpreta um veterano de guerra traumatizado, emocionalmente abalado e permanentemente dividido entre suas responsabilidades profissionais e seus próprios conflitos internos. Sua missão parece simples: proteger a ministra Julia Montague. Mas nada é simples nessa história.

A relação entre os dois protagonistas é um dos elementos mais interessantes da série. Budd precisa proteger uma mulher cujas posições políticas são praticamente opostas às suas convicções. Ao mesmo tempo, quanto mais se aproxima dela, mais percebe que existe algo muito maior acontecendo nos bastidores do governo britânico.

A série consegue explorar muito bem temas como terrorismo, segurança nacional, trauma de guerra, poder político e vigilância, sem transformar a narrativa em uma simples história de espionagem.

E se como trama política a minissérie é muito acima da média, as reviravoltas elevam o nível a outro patamar. Segurança em Jogo é uma produção que entende perfeitamente a importância de terminar um episódio com ganchos que não deixam parar de assistir ao episódio seguinte. A sensação de perigo é constante, e praticamente qualquer personagem em tela pode esconder informações relevantes.

Richard Madden está excelente e transforma David Budd em um protagonista complexo, vulnerável e imprevisível. Não por acaso, sua atuação lhe rendeu uma indicação ao Emmy. O mesmo pode ser dito de Keeley Hawes como a política Julia Montague, que entrega uma atuação brilhante. Apesar de ser praticamente desconhecida no Brasil, a série recebeu um justo reconhecimento internacional.

Outro grande mérito é sua curta duração. São apenas seis episódios, o que faz de Segurança em Jogo uma excelente opção para quem procura uma história fechada, intensa e capaz de ser maratonada em pouco tempo.

Para quem gosta de conspirações políticas, terrorismo, investigação e suspense, é uma recomendação certeira. E, depois de assistir ao primeiro episódio, prepare-se: será muito difícil parar.

TRÊS SÉRIES, TRÊS GRANDES DESCOBERTAS

Em meio a tantos lançamentos e ao interminável desfile de novidades dos streamings, algumas excelentes histórias acabam passando longe dos holofotes. Mindhunter, Kingdom e Segurança em Jogo são três delas — produções distintas, inteligentes e capazes de entregar muito mais do que prometem à primeira vista.

Talvez o maior prazer esteja justamente nisso: descobrir uma grande série antes que ela vire assunto de todo mundo.

Se você ainda não conhece alguma delas, fica aqui a dica. Dê uma chance, aperte o play e descubra por que certas joias escondidas merecem, sim, sair do anonimato.

E você? Já assistiu a alguma dessas três séries? Qual é a sua favorita? E qual outra joia escondida da Netflix você recomendaria aos leitores do Socialyte? Comente abaixo e compartilhe a matéria com seus amigos. Nos vemos na próxima!

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