
Dia dos Avós: prevenção de quedas é essencial para preservar a autonomia e a qualidade de vida dos idosos
Especialistas da Usisaúde e do Hospital Márcio Cunha alertam para os principais fatores de risco e reforçam que medidas simples podem evitar acidentes dentro de casa
Neste domingo (26) foi celebrado o Dia dos Avós é uma oportunidade para homenagear aqueles que representam afeto, experiência e dedicação às famílias. A data também convida à reflexão sobre os cuidados necessários para garantir um envelhecimento saudável e seguro. Entre eles, a prevenção de quedas merece atenção especial. Consideradas uma das principais causas de internações e perda da autonomia entre idosos, elas podem desencadear complicações físicas, emocionais e comprometer significativamente a qualidade de vida.
Para a médica de Família e Comunidade da Usisaúde, Dra. Karen Moraes, especialista em Geriatria, as quedas não devem ser encaradas como uma consequência natural do envelhecimento, mas como um importante problema de saúde que pode ser prevenido. “Além das fraturas, principalmente de quadril, as quedas podem provocar traumatismos cranianos, internações prolongadas e diversas complicações clínicas. Muitas vezes, o idoso perde a autonomia durante a recuperação e passa a conviver com o medo de cair novamente, o que compromete sua mobilidade e qualidade de vida”, explica.
O médico hospitalista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Neimar Costa, também especialista em Geriatria, reforça que esse receio acaba criando um ciclo que agrava ainda mais a condição do paciente. “Muitas vezes, após uma queda, o idoso desenvolve o medo de voltar a caminhar, reduz suas atividades e entra em um ciclo de perda de força muscular e maior fragilidade. Isso aumenta ainda mais o risco de novas quedas e de perda da independência”, destaca.
De acordo com os profissionais, grande parte desses acidentes acontece dentro da própria residência e está relacionada a situações que podem ser facilmente corrigidas. Tapetes soltos, pisos escorregadios, iluminação inadequada, móveis que dificultam a circulação, escadas sem corrimão e a ausência de barras de apoio nos banheiros figuram entre os principais fatores de risco.
Segundo Karen Moraes, objetos armazenados em locais altos também merecem atenção, pois frequentemente levam o idoso a utilizar bancos ou escadas para alcançá-los. O médico do HMC acrescenta que pequenos detalhes do cotidiano também aumentam o risco de acidentes. “Em casas onde convivem idosos e crianças, é comum encontrar brinquedos, carrinhos e bolinhas espalhados pelo chão. Esses objetos se transformam em obstáculos e facilitam as quedas. Outro problema frequente são fios elétricos atravessando áreas de circulação e móveis mal posicionados, que dificultam a mobilidade dentro de casa”, observa.
A adoção de medidas simples pode tornar o ambiente muito mais seguro. Entre as principais recomendações estão retirar tapetes soltos ou substituí-los por modelos antiderrapantes, melhorar a iluminação dos ambientes, instalar barras de apoio nos banheiros, colocar corrimãos nas escadas, manter corredores livres de obstáculos e incentivar o uso de calçados fechados com solado antiderrapante.
Outro aspecto que merece atenção é a polifarmácia, caracterizada pelo uso simultâneo de diversos medicamentos, situação bastante comum entre idosos. Segundo Dra. Karen Moraes, alguns remédios podem provocar sonolência, tonturas, redução da pressão arterial e alterações no equilíbrio, aumentando o risco de quedas.
Por isso, ela reforça que os tratamentos devem ser revisados periodicamente pelo médico, garantindo que todas as medicações continuem necessárias e seguras. Dr. Neimar Costa complementa que familiares e cuidadores também devem estar atentos a sinais como tonturas ao levantar, dificuldade para caminhar, alterações na visão ou na audição, fraqueza muscular e episódios frequentes de quase queda, que podem indicar maior vulnerabilidade.
O envelhecimento também está associado à perda progressiva de massa e força muscular, condição conhecida como sarcopenia. Dra. Karen Moraes explica que esse processo compromete atividades simples do dia a dia, como levantar da cadeira, caminhar, subir escadas e manter o equilíbrio. “Quanto menor a força muscular, maior a dificuldade de mobilidade e maior o risco de quedas”, afirma.
Nesse contexto, a prática regular de atividade física é considerada uma das estratégias mais eficazes para preservar a autonomia. Exercícios supervisionados ajudam a fortalecer a musculatura, melhorar o equilíbrio, a coordenação motora, a flexibilidade e a estabilidade postural. “O exercício físico assistido por um profissional é uma ferramenta importante na prevenção das quedas. Caminhadas, musculação supervisionada, pilates, hidroginástica e exercícios específicos para equilíbrio ajudam a preservar a independência e a qualidade de vida. Quanto mais ativo o idoso permanece, maior é sua capacidade de responder a situações de desequilíbrio e menor o risco de acidentes”, ressalta Dr. Neimar Costa.
Para os especialistas, a prevenção das quedas depende da combinação entre um ambiente seguro, acompanhamento médico regular e um estilo de vida ativo. A participação da família e dos cuidadores também é decisiva para identificar alterações na mobilidade, incentivar a prática de atividades físicas, acompanhar o uso correto dos medicamentos e promover adaptações na residência.
Nesta data, além das homenagens, cuidar da segurança e da saúde dos idosos é uma demonstração de carinho. Com medidas simples e acompanhamento adequado, é possível reduzir significativamente o risco de quedas, preservar a independência e proporcionar um envelhecimento mais saudável, seguro e com mais qualidade de vida.
Fique por dentro de tudo que acontece na nossa região. Clique Aqui e entre para nosso grupo exclusivo!
Gostou do conteúdo? Para outras matérias como essa, acesse: https://socialyte.com.br/noticias/







