
Estamos na época das liquidações de inverno e sempre aparece alguém me perguntando: “Você comprou alguma coisa?” ou “Você viu a liquidação de tal loja?”.
A resposta é simples: não.
Não comprei nada nesta liquidação. E você talvez também não precise comprar.
Vivemos em um mundo que nos incentiva ao consumo o tempo todo. Somos bombardeados por anúncios, promoções e descontos que nos fazem acreditar que sempre está faltando alguma coisa: uma roupa, um sapato, um cosmético, uma maquiagem. Muitas vezes nem terminamos de usar o que já temos e os novos produtos já estão esperando na prateleira.
Neste outono/inverno, por exemplo, não comprei nenhuma bota. E sabe por quê? Porque eu já tenho sete pares. Fazendo um exercício de consciência, percebi que usei bota apenas duas ou três vezes nos últimos meses.
Além disso, moro no Vale do Aço, uma região em que o frio costuma durar pouco. Será que faz sentido ter tantas opções de roupas pesadas para uma estação tão curta?
Foi aí que decidi fazer aquilo que sempre ensino às minhas clientes.
Em vez de olhar para as vitrines, olhei para dentro do meu guarda-roupa.
Como boa consultora de estilo e especialista em multiplicação de looks, resolvi fazer a mágica acontecer com as peças que já possuo. Redescobri combinações, testei novas coordenações e percebi que eu tinha muito mais possibilidades do que imaginava.
Ao mesmo tempo, entrei em uma fase de desapego.
Cada peça que ficou apertada, que já não representa meu estilo ou simplesmente não faz mais sentido permanecer comigo está saindo do armário. O mesmo acontece com os sapatos.
Hoje, uma roupa nova só entra se cumprir alguns critérios: precisa conversar com o meu estilo, valorizar o meu corpo atual, preencher uma necessidade real e acrescentar novas possibilidades ao meu guarda-roupa. Se for apenas “mais do mesmo”, por mais barato que esteja, ela continua cara.
Isso, para mim, é maturidade no vestir.
Comprar porque está em promoção não significa comprar bem. Uma peça com 70% de desconto que permanece esquecida no armário continua sendo dinheiro mal investido.
Talvez a melhor liquidação desta estação não esteja na vitrine.
Talvez ela esteja dentro do seu próprio guarda-roupa, esperando que você redescubra o que já tem, desapegue do excesso e faça escolhas mais conscientes.
Antes de sair em busca de descontos, experimente abrir seu armário com um novo olhar.
Você pode descobrir que a peça que estava procurando já é sua há muito tempo.
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