PERDAS E (BOAS) MEMÓRIAS

Por 17/07/2026No Comments5 min de leitura
formacao existe uma forma de livrar se das doencas espirituais

PERDAS E (BOAS) MEMÓRIAS

Hoje perdemos um amigo, um guerreiro. Dizem que, depois que morre, todo mundo vira gente boa; mas tem gente que é boa de verdade entre nós. E importa reconhecê-los e honrá-los antes desse momento em que todo mundo será tido como tal. Mês passado o visitei no hospital. Lutando pela vida. Batalhando contra as evidências. Agora ele venceu. Já não há mais dor, não há mais lágrima. Descansa em paz.

A família, por outro lado, que esteve ali lutando junto, fazendo o que podia e o que não podia, precisa também descansar. E o descanso vem! Antes, porém, a dor toma conta. O luto apropriado, o acostumar-se à ausência. As lembranças e a certeza de que tudo o que fizemos não foi o suficiente. Isso, porém, não pode se transformar em culpa ou peso, porque: “Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?“, pergunta Jesus a uma turma que tinha a fantasia de que podia, por iniciativa própria, tomar conta da vida e da morte. Claro que podemos usar mal nossa saúde, mas dizer que podemos esticar a vida por mérito nosso, ou com nosso cuidado meticuloso aumentar o tempo de vida dos que amamos, só vai aumentar a nossa culpa. Culpa falsa, que dói como a culpa verdadeira daqueles que cuidaram mal.

Se era meu amigo, você sabe, era alguém de mais de 50 anos. Mas ainda não tinha feito 60. Jovem. Na minha opinião, já deveriam ter mudado para 75 a plaquinha de terceira idade. Nossa turma entre 50 e 70 anos, salvo os que foram contemplados por alguma doença limitante ou algum incidente que nos incapacite, é jovem. Morreu jovem meu amigo, apesar de ser uma pessoa sábia. Jovem pela idade, mas, porque tinha temor de Deus, era um jovem sábio. “O temor a Deus é o princípio da sabedoria”, disse o sábio Salomão. Ele desenvolveu uma fé e um relacionamento com Deus diferentes do meu, mas o fez de todo o coração. Aliás, é do texto sagrado que tiro duas lições sobre a morte, uma para quem está condenado por algum motivo a uma morte iminente, e outra para os que ficarão:

O primeiro relato é de quando Davi tinha um filho à beira da morte. Uma criança de alguns meses de vida, o bastante para fazer todos se apaixonarem! Aquela criança luta com a medicação, e Davi vigia em jejuns e oração por ele. Quando soube que o menino morrera, levantou-se, lavou-se e comeu. As pessoas em volta ficaram confusas. Pensavam que ele ficaria pior depois da morte da criança. Ele explica: “Enquanto a criança estava viva, jejuei e chorei, pois pensava: ‘Quem sabe o Senhor terá compaixão de mim e deixará a criança viver’. Mas por que jejuar agora que ela morreu? Poderia eu fazê-la voltar? Um dia irei até ela, mas ela não voltará a mim”. Levantou-se e foi consolar a mãe da criança.

 
A outra história é daquele que dera a vida a tanta gente e agora, mais jovem que meu amigo, aos 33 anos, sabia que ia morrer. Olha para trás com a certeza de propósito cumprido e entrega a sua vida. Ele olha para a frente, para a eternidade, e tem certeza também de que muita coisa ainda se cumprirá. Ele ressuscitou, e isso muda nossa perspectiva sobre a morte e sobre a vida.

De todo jeito, com fé para viver ou morrer, ou vivendo e morrendo sem fé, vamos ter que lidar com o vazio da pessoa amada. Com as memórias, com as culpas — mesmo as falsas. Mas podemos optar por lidar com a gratidão pelo tempo que tivemos juntos. Podemos nos nutrir com boas lembranças e memórias inesquecíveis que eles deixaram conosco. E precisamos exercitar o perdão; afinal, qual relacionamento não nos marcou, magoou, confrontou ou incompreendeu em algum momento da existência?

Portanto, não adie o perdão. Estique os bons momentos. Declare amor. Caminhe outra milha só pelo privilégio de estar caminhando com alguém. Pode ser que seja a última caminhada! O último momento, a última briga. E que, quando a perda chegar, sobrem boas memórias e uma dose de fé para a eternidade!

Cleydemir Santos é psicólogo clinico. Terapeuta de casais, especialista em Psicodrama e Terapia do Esquema. (31.99515-2348)

Em mémória de Gilson Boi.

Para outras matérias como essa, clique no link https://socialyte.com.br/categorias/noticia/familia-e-relacionamento/

Fique por dentro de tudo que acontece na nossa região. Clique Aqui e entre para nosso grupo exclusivo!

Compartilhe:
EXPO USIPA ABRE INSCRIÇÕES GRATUITAS PARA PALESTRAS TÉCNICAS

EXPO USIPA ABRE INSCRIÇÕES GRATUITAS PARA PALESTRAS TÉCNICAS

O autismo entrou na minha vida como um tornado, há 8 anos. Depois daquela tempestade física e emocional, percebi que muita coisa havia sido destruída, mas a estrutura continuava firme. Ou quase!
ESPERANÇA ALÉM DO QUE OS OLHOS VEEM: TESTEMUNHO DE UMA MÃE ATÍPICA

ESPERANÇA ALÉM DO QUE OS OLHOS VEEM: TESTEMUNHO DE UMA MÃE ATÍPICA

FUNDAÇÃO APERAM ACESITA PROMOVE CAPACITAÇÃO PARA ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

FUNDAÇÃO APERAM ACESITA PROMOVE CAPACITAÇÃO PARA ORGANIZAÇÕES SOCIAIS

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.