
Quando falamos em HPV, muitas mulheres acreditam que esse é um assunto que diz respeito apenas às adolescentes. No consultório, porém, é muito comum encontrar pacientes de diferentes idades com dúvidas sobre prevenção, exames e riscos relacionados ao vírus. E a verdade é que o cuidado com a saúde do colo do útero deve acompanhar a mulher ao longo das várias etapas de sua vida.
O HPV é tão comum que a Organização Mundial da Saúde estima que praticamente todas as pessoas sexualmente ativas terão contato com o vírus ao longo da vida; já o INCA estima que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas terão contato com o vírus em algum momento da vida, o que nos mostra que ter o vírus não está relacionado diretamente a promiscuidade como pensam algumas pessoas. Na maioria das vezes, principalmente em mulheres jovens, o próprio organismo consegue eliminar o vírus naturalmente e é daí que nasce a explicação da coleta iniciar-se somente aos 25 anos ao invés de ser após a primeira relação sexual como era divulgado antigamente. No entanto, em algumas situações, a infecção pode persistir e provocar alterações no colo uterino aumentando o risco de câncer do colo do útero ao longo dos anos.
Por isso, o acompanhamento ginecológico regular continua sendo fundamental. Atualmente, o Ministério da Saúde e a FEBRASGO recomendam o rastreamento para mulheres entre 25 e 64 anos. Durante muitos anos, esse cuidado foi realizado principalmente por meio do exame preventivo, conhecido como Papanicolau. Agora, estamos vivendo um importante avanço: a incorporação no Brasil da pesquisa do DNA do HPV, também chamada de genotipagem, um exame mais moderno e sensível para identificar os tipos virais de maior risco. Estamos então agora procurando a causa do câncer (subtipo do vírus HPV), ao invés de procurar lesões no colo (Papanicolau).
Embora a tecnologia esteja evoluindo, a mensagem continua a mesma: prevenir é sempre melhor do que tratar. Além dos exames periódicos, a vacinação contra o HPV em meninas e meninos entre 9 e 14 anos, permanece como uma das estratégias mais eficazes para reduzir a circulação do vírus e prevenir doenças associadas à infecção. E a título de curiosidade, no Brasil estenderam a vacinação até os 19 anos, por causa da baixa aderência à vacinação.
Muitas doenças podem ser evitadas ou identificadas precocemente quando a mulher mantém seus cuidados em dia. E quando falamos em HPV, informação e prevenção continuam sendo as ferramentas mais poderosas que temos.
A prevenção evolui com a ciência, mas o cuidado continua começando da mesma forma: com a decisão de não adiar a sua saúde.
“Autoconhecimento é um ato de amor e cuidado”
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