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O ANEL PERDIDO

Por 22/04/2026No Comments5 min de leitura
O ANEL PERDIDO

Noutro dia estava caminhando e suei bastante – duas coisas pouco comuns, a caminhada e o muito suor. No meio do trajeto corri um pouco e quando cheguei em casa fui tomar banho, obviamente. Percebi que havia perdido minha aliança. Não a aliança, mas o anel, pois não são sinônimos! Em algum lugar do trajeto, no êxtase da corrida, o suor extravagante, ela escorregou de meus dedos e não vi. Fiquei triste, mas fiquei também com raiva de nem ter percebido.

Sei que algumas pessoas casadas não usam aliança, mas gostaria de pensar nisso com você. O anel dentro do relacionamento sempre teve importância. Os jovens apaixonados tendem a comprar um no início do relacionamento para dizer para todos que eles estão comprometidos. Na pressa, uma aliança de pouco valor monetário, mas carregada de simbolismo. Usam na mão direita, simbolizando o desejo de um relacionamento sério. No noivado, marca a transição para o casamento, funcionando como um compromisso formal antes do matrimonio. A brincadeira agora é séria! Vai até ser trocada por um anel mais caro, talvez o mesmo que será usada no casamento.

Nele, o anel de aliança é trocado de mão, e representa a união definitiva, fidelidade e amor incondicional, sendo tradicionalmente usada na mão esquerda. Os estudiosos acham que vem do antigo Egito essa tradição, mas eu sei que a aliança entre Noé e Deus foi selada com um símbolo redondo e valioso, o Arco-íris. Somos seres simbólicos. Somos seres da relação. somos seres espirituais. O formato circular sem fim, simboliza a eternidade do amor e o elo inquebrável entre o casal.

É também uma forma visual de declarar para a sociedade a união e o respeito pelo parceiro. Alguns “predadores”, quando veem a aliança na mão de uma provável vítima, entendem e respeitam como uma pessoa séria. Outros, por verem a aliança ficam mais aguçados em sua intenção. Os solitários infelizes querem fazer o time crescer.

Então o anel na mão simboliza aliança. É o símbolo externo de um compromisso eterno que um casal se propôs. Mas não é o único símbolo de aliança. Existe um outro vinculo, interno, apenas entre o casal e este é o ato sexual.  E este também não pode ser perdido na caminhada.

Não é sábio para um casal que deseja conservar um relacionamento se abster nem de um símbolo nem de outro. Em um passado recente eu recebia queixa dos homens que as mulheres estavam ausentes, pouco envolvidas no ato sexual do casal. Depois da maternidade, na chegada da menopausa, em um tempo de dificuldade. A maternidade não justifica a ausência de intimidade sexual, aliás, ela só aconteceu por causa dela. Uma depressão pós-parto se instalou? O parceiro não ajuda em nada, por isso não sobra motivação nem tempo para investir um no outro? A auto estima foi embora junto com o desenho do corpo que foi alterado? 

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A menopausa é um tempo de uma intimidade diferente, com mais investimento na mudança da mulher, com mais respeito pelos sentimentos dela, com mais validação da sua parceria e mais paciência com o novo corpo que vai se estabelecendo. Redescobrindo o melhor dessa nova etapa.

Hoje tenho ouvido as mulheres reclamando de homens que passam tempos, dentro de casa, até com comportamento aparentemente normal, mas sem envolver sexualmente com suas parcerias. Não está normal. Alguma coisa dentro precisa ser encontrada e trabalhada na cabeça, na relação, na saúde desses homens. Nos hábitos com celulares e com a pornografia, que transforma homens e parceiros em adolescentes irresponsáveis. Que viram soluções imediatista de uma necessidade que está para além do corpo.

Para te atualizar, eu achei meu anel.eu anel. Ele de fato não foi perdido na caminhada. Depois do banho, quando fui passar um creme na mão, ele escorregou e ficou por ali e no outro dia encontramos.

Temos já o conhecimento sobre o anel de aliança e o ato sexual dentro da relação. Conhecimento, diz um sábio, “é o saber que o tomate é uma fruta. A sabedoria é de não o colocar em uma salada de fruta”. Você tem sido sábio em relação a esses símbolos?

Cleydemir Santos é Psicólogo Sistêmico, terapeuta de casais, especialista em psicodrama e TCC – Terapia Cognitivo comportamental.

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