
Nesta semana, acompanhamos a reportagem sobre mulheres ingressando nas Forças Armadas para servir pela primeira vez. Cada vez mais, elas alcançam posições inéditas, ocupando espaços com excelência e fazendo história. Parabéns a todas! No entanto, por algum motivo, não me sinto totalmente confortável com isso.
“Machista!”, você pode ter pensado. Mas espere e reflita comigo: essa inserção nas Forças Armadas ainda não é obrigatória, como ocorre com os homens. Por enquanto. O ponto é que muitas outras conquistas femininas nos últimos anos acabaram se tornando obrigações e pesos extras. Sabe aquela sensação de quando o chefe te chama para um aumento, mas te dá dez novas funções? O aumento deveria ser pelo serviço já prestado, e não um “cala-a-boca” para aceitar mais trabalho.
Sinto que, a cada dia, a valorização da mulher ocorre em detrimento da relação, do tempo para a própria vida, do direito de ser cuidada e da liberdade para maternar. Tudo isso tem se tornado uma “obrigação da competição”. Essa mulher, dita valorizada, parece estar em guerra: com os homens e com outras mulheres que não fazem, não vão ou não podem seguir o mesmo ritmo. Muitas vezes, o empoderamento rouba a feminilidade, como se ela fosse um defeito ou como se as mulheres tivessem um problema a ser corrigido. Elas não têm.
Mulheres e homens formam a humanidade, mas ambos estão perdendo essa essência. Um, sem o outro, está em débito consigo mesmo e com o próximo. Não falo aqui necessariamente de casamento, mas de papéis na sociedade e de valores na família, no trabalho e no esporte. Onde homens e mulheres se respeitam como partes fundamentais da criação e sustentação de qualquer ambiente, as coisas funcionam. É preciso rever esses papéis à medida que evoluímos? Com certeza, mas que o façamos em função da relação, e não da competição.
A competição não é o caminho da maturidade; é uma estratégia de “Jogos Vorazes”, onde uma minoria gera conflito entre classes para dominar o todo. No meu consultório, as mulheres representam 70% da clientela e são elas que trazem as demandas das relações, dos maridos, dos filhos e da vida. Estão em busca de maturidade, que aqui definimos como a “disposição de assumir a responsabilidade pelo próprio bem-estar emocional e destino” (Edwin Friedman).
Meu desejo é que homens e mulheres busquem essa maturidade. Que assumam a responsabilidade por seus destinos, entendendo que isso não será alcançado competindo com o sexo oposto — até porque, se for assim, os homens estão perdidos. As mulheres possuem uma competência para a maturidade muito precoce; desde a adolescência, já agem como mulheres enquanto seus pares ainda são meninos. O que vejo hoje, porém, são mulheres reivindicando o direito de agir como “meninas”, abandonando o caminho da maturidade. E a conta chega para ambos.
Essa conta chega de maneira injusta. As mulheres convivem com mais questões de saúde e dias difíceis, da menarca ao climatério; da vulnerabilidade a doenças à discriminação no tratamento de um HPV; da dificuldade em conhecer o próprio prazer à sobrecarga de criar filhos sozinhas.
Como precisamos valorizar as mulheres! E muito mais do que com um mês de homenagens, mas com respeito e cuidado mútuo. Isso vem da educação de berço. Meu desafio para cada leitora é: não entre no esquema da competição. Nela, você pode até vencer o seu “opositor”, mas alguém acima de vocês lucrará com essa divisão. No caminho da maturidade, não se obrigue a nada que fira sua essência. Afinal, como disse Cora Coralina: “A estrada é sua, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você”.
Viva a humanidade das mulheres!
Cleydemir Santos é psicólogo Sistêmico.
Terapeuta de casais e especialista em Psicodrama e TCC.
31.99515-2348
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